O Despertar (The Awakening)
por Lisa Jane Smith


"Voc est se divertindo?" Elena perguntou.

Agora eu estou. Stefan no disse, mas Elena sabia que era isso que ele estava pensando. Ela
podia ver no jeito como ele a encarava. Ela nunca esteve to certa de seu poder. Exceto que
na verdade ele no parecia que estava se divertindo; ele parecia abatido, com dor, como se
no pudesse suportar nem mais um minuto disso.

A banda estava comeando, uma msica lenta. Ele ainda estava encarando-a, absorvendo-a.
Aqueles olhos verdes se escurecendo, ficando pretos com o desejo. Ela teve a repentina
sensao de que ele poderia pux-la para si e beij-la duramente, sem ao menos dizer uma
palavra.

"Voc gostaria de danar?" ela disse suavemente. Estou brincando com fogo, com algo que
no entendo, ela pensou repentinamente. E nesse instante ela percebeu que estava
aterrorizada. Seu corao comeou a bater violentamente. Era como se aqueles olhos verdes
falassem com alguma parte dela que estava enterrada bem abaixo da superfcie  e aquela
parte estava gritando "perigo" para ela. Algum instinto mais velho que a civilizao estava
dizendo  ela para correr, para fugir.

Ela no se moveu.




CRDITOS:
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Captulo Um

4 de Setembro

Querido dirio,
Algo horrvel est para acontecer hoje.
Eu no sei por que escrevi isso. Isto  maluco. No h razo para eu est me perturbando e
h muitas razes para eu est feliz, mas...
Mas aqui estou eu s 5:30 da manh, desperta e assustada. Eu me mantive falando, apenas
isso. Eu estava completamente desorientada devido a diferena de horrio entre a Frana
e aqui. Mas isso no explicava o porqu de eu estar to assustada. To perdida.
Antes de ontem, enquanto tia Judith, Margaret e eu estvamos voltando do aeroporto, eu
senti o tal sentimento estranho. Quando nos dobrvamos na nossa rua, eu imediatamente
pensei "Mame e papai esto esperando por nos em casa. Eu aposto que eles esto de
frente para a varanda, na sala olhando para fora da janela. Eles devem ter sentindo tanto
minha falta."
Eu sei. Isto soa completamente maluco.
Mas ainda quando eu vi a casa e a frente da varanda vazia, eu ainda me sentir bem. Corri
cansada para porta e bati com o batedor. E quando tia Judith destrancou a porta,eu
irrompe para dentro e apenas oscilei no hall escutando, esperando ouvir mame descendo
as escadas ou papai falando de toca. Ento apenas tia Judith deixou a mala com um rudo
no cho, na minha frente e suspirou um alto suspiro e disse, "Estamos em casa". E
Margaret riu. E o pior sentimento que eu tive em toda minha vida, veio para mim. Eu
nunca tinha me sentido to absolutamente e completamente perdida.
Casa. Eu estou em casa. Por que isso soa como uma mentira?
u nasci aqui em Fell's Church. Eu sempre vivi nessa casa, sempre. Esse  meu mesmo
antigo quarto, com as marcas chamuscadas nas tbuas onde Caroline e eu
experimentamos cigarros na 5 serie e quase nos engasgamos. Eu poderia olhar para fora
da janela e ver a grande rvore que os meninos subiam para estragar aminha festa do
pijama h dois anos atrs. Esta  a minha cama, minha cadeira, meu armrio. Bem, mas
agora tudo parece estranho para mim. Como se eu no pertencesse  este lugar. Esta sou
eu fora desse lugar. E a pior coisa  que sinto que este  o lugar que eu devo pertencer,
mas eu no posso encontr-lo.
Eu estava to cansada ontem para ir  orientao
Meredith melhorou o cronograma para mim, mas eu no me sentir bem falando com ela no
telefone. Tia Judith contou para qualquer um que ligasse que eu estava cansada da viagem
por causa do fuso horrio e estava dormindo, mas ela me observava no jantar com uma
cara engraada.
Eu tenho que ver essa multido todo dia, pensei. Ns espervamos nos encontra no terreno
do estacionamento antes da escola.  com isso pelo que eu estou assustada? Eu estou
assustada com eles?
Elena Gilbert parou de escrever. Ela encarou a ultima linha que tinha escrito e ento
sacudiu a cabea, ela pousou a caneta sobre o pequeno livro com capa de veludo. Ento,
com um sbito gesto, ela levantou a cabea e atirou a caneta e o livro pelo janelo da baia,
onde eles pularam inocentemente e cortaram o estofado da poltrona da janela.
Isto era to completamente ridculo.
Desde quando ela, Elena Gilbert, tem estado assustada em conhecer pessoas? Desde quando
ela tem estado assustada com algo? Ela levantou e irritada impulsionou os braos para
dentro do Kimono vermelho de seda. Ela no deu nem mesmo uma olhadinha no belo
espelho vitoriano em cima da cmoda avermelhada; ela sabia o que veria.
Elena Gilbert, indiferente, loira e esbelta, a pessoa que dita a moda do ltimo ano do ensino
mdio, a garota que todo garoto quer e toda garota quer ser. Que agora tinha uma carranca
descontente no rosto e um belisco na boca.
Um banho quente e caf e eu irei me acalmar, ela pensou. O ritual matinal de lavar-se e
vestir-se estavam calmos, e ela selecionou lentamente toda sua nova coleo de roupas de
Paris Ela finalmente escolheu um top rosa-beb e uma bermuda de linho branca, com um
penteado que a fazia parecer uma framboesa num sundae. Bom o suficiente para comer, ela
pensou, o espelho ento mostrou uma garota com um sorriso misterioso. Os seus receios
iniciais tinham se dissolvido, esquecidos.
"Elena! Cad voc? Voc vai chegar atrasada na escola!" A voz soou perceptivamente do
andar de baixo.
Elena correu passando a escova mais uma vez no seu sedoso cabelo prendendo-o para trs
com uma fita rosa. Ento ela pegou sua mochila e desceu as escadas.
Na cozinha, Margaret, 4 anos de idade, estava comendo cereal na mesa da cozinha e Tia
Judith estava queimando algo no fogo. Tia Judith era o tipo de mulher que sempre parecia
vagamente afobada; Ela tinha um rosto fino e pequeno, com um claro e esvoaaste cabelo
puxado despenteado para trs. Elena beliscou sua bochecha.
"Bom dia, todo mundo. Desculpa, no tenho tempo para o caf-da-manh".
"Mas, Elena, voc no pode sair sem comer. Voc precisa de proten...".
"Eu vou pegar um donut antes da escola". Elena disse rapidamente, ela inclinou-se e beijou
a testa de Margaret e virou-se para sair.
"Mas, Elena..."
"E eu provavelmente vou voltar para casa com o Bonnie ou a Meredith, depois da escola.
Ento no me esperem para o jantar. Tchau!"
"Elena..."
Elena j estava na porta da frente. Ela a fechou atrs de si, cortando os distantes protestos
de Tia Judith, deu um passo para a varanda.
Parou.
Todos os sentimentos ruins de manh cedo, voltaram. A ansiedade, o medo e a certeza que
algo ruim estava para acontecer.
A Rua Maple estava deserta. As altas casas vitorianas pareciam estranhas e silenciosas.
Como se todas elas estivessem, talvez, vazias por dentro, como casas abandonadas de um
Set de filmagem. Elas pareciam vazias de pessoas, mas cheias de estranhos sentimentos que
a observavam. Que estavam l. Algo que a observava.
O cu sobre sua cabea no estava azul, mas sim branco e opaco, como uma gigante bacia
que virou e caiu. O ar estava sufocante e Elena tinha certeza que estavam de olhando-a. Ela
viu algo escuro na bifurcao da antiga rvore na frente da casa.
Uma gralha estava quieta e rodeada por folhas tingidas de amarelo. Ele estava
observando-a.
Ela tentou dizer para si mesma que isso era ridculo, mas de alguma forma ela sabia. Esta
era a maior gralha que ela j viu; gorda e brilhante, com o arco-ris brilhando por trs de
suas penas. Ela poderia v todos os detalhes claramente: As graciosas garras escuras, o
inescrupuloso bico, o nico brilhoso olho preto.
Ele estava imvel, talvez devesse ser um pssaro de cera que fora posto l. Mas do modo
como ele a encarou, Elena sentiu-se corar e lentamente o calor subindo por sua garganta e
bochecha, porque ele estava olhando para ela. Olhou os garotos que passavam e a olhou
como quando ela estivesse usando um tailler de banho ou uma blusa transparente. Como se
ela a despisse com os olhos.
Antes dela perceber o que estava fazendo ela tirou sua mochila e pegou uma pedra, que
estava na frente da garagem.
"Saia daqui!". Ela disse com agitao de raiva na sua voz. "V! V embora!". Com a ltima
palavra, ela jogou a pedra.
Houve uma exploso de folhas, mas a gralha saiu ilesa. Abrindo suas enormes asas, que
tinham o tamanho de uma raquete, o suficiente para um bando de gralhas. Elena agachou-se
der repente, assustada, quando ele bateu as asas diretamente na cabea dela, o vento das
asas balanando seu cabelo loiro.
Mas ele investiu para cima de novo, circulando, a silhueta escura contra o cu branco-papel.
Ento, com um estridente coaxar, ele voou em crculos na direo do caminho das copas
das rvores.
Elena endireitou-se lentamente, ento olhou ao redor, sem naturalidade. Ela no podia
acreditar no que ela tinha feito. Mas agora que a ave se fora, o cu estava normal de novo.
Uma brisa fez as folhas flutuarem e Elena respirou profundamente. No final da rua uma
porta abriu-se e vrias crianas saram, rindo. Ela sorriu e respirou novamente, o alivio
varreu seus pensamentos como raios de sol. Como ela pode ter sido to tola? Este era um
dia bonito, cheio de promessas e nada ruim estava acontecendo.
Nada ruim estava acontecendo  Exceto que ela chegaria atrasada na escola. O pblico
estaria esperando-a no estacionamento.
Voc poderia sempre contar a todo mundo, que voc parou para jogar pedras na Peeping
Tom, ela pensou e quase riu. Agora isso dar algo para eles pensarem.
Sem olhar para trs, para as rvores, ela comeou a andar rapidamente descendo a rua.


A gralha parou em cima de um enorme carvalho e Stefan levantou a cabea por reflexo.
Quando ele viu que era apenas um pssaro, ele relaxou. Seus olhos prenderam-se na
mancha branca em suas mos. Ele sentiu seu rosto torcesse-se de arrependimento.
Ele no tinha inteno de mat-lo. Ele deveria ter caado algo maior que um coelho. Se ele
soubesse o quanto estava faminto. Mas, lgico, isto era pensar no o assustava: Nunca saber
como o caador poderia ser forte ou o que ele poderia ter para satisfaz-lo. Ele era sortudo
por neste momento s caar coelhos.
Ele apoiava-se de baixo dos carvalhos, que filtravam os raios de sol que chegavam os seus
cacheados cabelos. Com o seu jeans e sua camisa, Stefan Salvatoro parecia exatamente
como um estudante normal do ensino mdio.
Ele no era.
Nas profundezas das rvores, onde ningum poderia v-lo, ele alimentava-se. Agora. Ele
passou a lngua pelos lbios, lambendo-os, para certificasse que no estavam sujos. Ele no
queria correr risco. Manter essa mascara era bastante difcil para tir-la como estava
fazendo.
Por alguns momentos ele perguntou-se, de novo se no devia jogar tudo para o alto. Talvez
ele devesse voltar para a Itlia, voltar para o seu esconderijo. O que o fazia pensar que
poderia voltar ao mundo de luz?
Mas ele estava cansado de viver nas sombras. Ele estava cansado da escurido e de todas as
coisas que viviam l. Mas o pior de tudo era que ele estava cansado de ficar sozinho.
Ele no tinha certeza porque escolhera Fell's Church, Virginia. Ela era uma cidade nova,
para os seus padres; As casas antigas tinham sido construdas no centro h alguns anos.
Mas as memrias e os fantasmas da guerra civil ainda viviam l, to reais quanto os
supermercados e os fastfoods.
Stefan tinha profundo respeito pelo passado. Ele pensou na possibilidade de gostar das
pessoas de Fell's church. E talvez  Apenas talvez- ele poderia encontrar um lugar entre
eles. Ele nunca seria completamente aceito, lgico. Um pequeno sorriso formou-se em seus
lbios com a idia. Ele sabia que esperanar era o melhor para isso. No haveria um lugar
onde ele poderia pertencer completamente, onde ele poderia ser verdadeiramente ele
mesmo.
A menos que ele escolhesse pertencer s sombras... Ele deixou esses pensamentos de lado.
Ele deixou as sombras para trs. Ele estava deixando esses borres de muitos anos para trs
e comeando de novo, Hoje.
Stefan deu-se conta que ele ainda segurava o coelho. Gentilmente, ele o colocou em cima
de uma cama de folhas.
Muito longe, to para os ouvidos humanos escutarem, ele reconheceu os rudos de uma
raposa. Chegando, o irmo caador, ele pensou tristemente. Seu caf da manh est
esperando.
Ele colocou sua jaqueta nos ombros. Notou a gralha que o tinha perturbado mais cedo, ela
estava no carvalho e parecia est encarando-o. Tinha algo errado ali. Ele comeou a enviar
pensamentos inquisitrios na direo da ave, para examin-la, mas freou-se. Lembrando-se
de sua promessa, ele pensou. Voc no pode usar seus poderes a menos que seja
absolutamente necessrio. E a no ser que no houvesse outra sada.
Andando quase silenciosamente entre as folhas mortas e os galhos secos, ele fez seu
caminho ao redor das rvores. Seu carro estava estacionado l. Ele olhou para trs, uma,
vs, e viu que gralha tinha ido e os ramos caram sobre o coelho. Tinha algo sinistro no
modo como ele abria as asas. Algo sinistro e triunfante. A garganta de Stefan apertou-se e
ele quase voltou para persegui a ave.
Se ele encontrasse o pssaro de novo, ele olharia dentro da mente dele, ele decidiu. Mas
agora, seus olhos passaram rapidamente pelas rvores, sua mandbula trincou-se. Ele no
queria chegar tarde na Escola Robert E. Lee.
Captulo Dois

Elena estava cercada no instante em que pisou no estacionamento da escola. Todos estavam
l, a multido toda que ela no via desde o fim de junho, alm de quatro ou cinco parasitas
que esperavam ganhar popularidade por associao. Ela aceitou um por um os abraos
acolhedores de seu prprio grupo.
Caroline tinha crescido pelo menos dois centmetros e estava mais magra e mais do que
nunca como uma modelo da Vogue. Ela cumprimentou Elena friamente e recuou
novamente com seus olhos verdes estreitados como os de um gato.
Bonnie no tinha crescido nada, e seu cabelo vermelho encaracolado veio at o queixo de
Elena enquanto ela lanava seus braos ao redor de Elena. Espere um minuto  cachos?
pensou Elena. Ela empurrou a garota menor para trs.
"Bonnie! O que voc fez com o seu cabelo?"
"Voc gostou? Eu acho que me faz parecer mais alta." Bonnie amaciou a j macia franja e
sorriu, seus olhos castanhos brilhando com excitao, seu rosto rosto em formato de
corao iluminado.
Elena prosseguiu. "Meredith. Voc no mudou nada."
Esse abrao era igualmente quentes em ambos os lados. Ela tinha sentido mais falta de
Meredith do que de qualquer outro, Elena pensou, olhando para a garota alta. Meredith
nunca usava maquiagem; mas tambm, com uma pele azeitonada perfeita e grossos clios
negros, ela no precisava. Nesse momento ela estava com uma elegante sobrancelha
levantada enquanto estudava Elena.
"Bem, seu cabelo est dois tons mais claros por causa do Sol... Mas aonde est o seu
bronzeado? Eu achei que voc estivesse aproveitando a Riviera Francesa."
"Voc sabe que eu nunca me bronzeio." Elena ergueu suas mos para sua prpria inspeo.
A pele estava impecvel, como porcelana, mas quase to branca e translcida quanto a de
Bonnie.
"S um minuto; isso me lembra," Bonnie interrompeu, pegando uma das mos de Elena.
"Adivinha o que eu aprendi com a minha prima esse vero?" Antes que qualquer um
pudesse falar, ela os informou triunfantemente: "Leitura das mos!"
Houve lamentaes, e algumas risadas.
"Riam enquanto podem," disse Bonnie, nem um pouco perturbada. "Minha prima me disse
que eu sou vidente. Agora, deixe-me ver..." Ela olhou na palma de Elena.
"Apresse-se ou vamos chegar atrasados," disse Elena um tantinho impaciente.
"Certo, certo. Agora, essa  a sua linha da vida  ou  a sua linha do corao?" Na
multido, algum abafou o riso. "Quieto; Eu estou alcanando o vcuo. Eu vejo... Eu
vejo..." De uma s vez, o rosto de Bonnie ficou vazio, como se ela estivesse alarmada.
Seus olhos castanhos arregalaram-se, mas ela j no mais parecia estar encarando a mo de
Elena. Era como se ela estivesse olhando atravs dela  para algo assustador.
"Voc conhecer um estranho alto e moreno," Meredith murmurou atrs dela. Houve um
alvoroo de risadinhas.
"Moreno, sim, e um estranho... mas no alto." A voz de Bonnie estava abafada e distante.
"Apesar," ela continuou depois de um momento, parecendo confusa, "de que ele foi alto,
uma vez." Seus amplos olhos castanhos se levantaram para Elena com perplexividade.
"Mas isso  impossvel... no ?" Ela largou a mo de Elena, quase arremessando-a para
longe. "Eu no quero ver mais."
"Est bem, o show acabou. Vamos," Elena disse aos outros, vagamente irritada. Ela sempre
achara que truques psquicos eram justamente aquilo  truques. Ento por que ela estava
aborrecida? S porque naquela manh ela tinha quase ficado fora de si...
As garotas comearam a andar em direo ao prdio da escola, mas o rudo de um motor
primorosamente ajustado parou todas em suas trajetrias.
"Ora, ora," Caroline disse, encarando. "Mas que carro."
"Mas que Porsche," Meredith corrigiu secamente.
O reluzente Turbo 911 preto ronronou pelo estacionamento, procurando por um espao,
movendo-se to preguiosamente quanto uma pantera perseguindo uma presa.
Quando o carro parou, a porta abriu, e elas vislumbraram o motorista.
"Oh, meu Deus," Caroline sussurrou.
"Voc pode dizer isso novamente," exalou Bonnie.
De onde ela estava, Elena pode ver que ele tinha um corpo magro e msculos lisos. Jeans
desbotados que ele provavelmente teve que remover  noite, camiseta apertada, e uma
jaqueta de couro com um corte incomum. Seu cabelo era ondulado  e escuro.
Ele no era alto, porm. Somente uma estatura mediana.
Elena deixou seu flego escapar.
"Quem  aquele homem mascarado?" disse Meredith. E a observao era apropriada 
culos de sol escuros cobriam completamente os olhs do garoto, escondendo seu rosto
como uma mscara.
"Aquele estranho mascarado," algum disse, e um mrmurio de vozes elevou-se.
"Voc est vendo a jaqueta?  italiana, tipo de Roma."
"Como voc saberia? Voc nunca foi mais longe do que Roma, Nova York, na sua vida!"
"Oh-ou. Elena est com aquele olhar novamente. O olhar de caa."
" melhor que o Baixo-Moreno-e-Lindo tenha cuidado."
"Ele no  baixo; ele  perfeito!"
Atravs da tagarelice, a voz de Caroline repentinamente soou bem alto. "Oh, vamos l,
Elena. Voc j tem o Matt. O que mais voc quer? O que voc pode fazer com dois que no
pode com um?"
"A mesma coisa  s que por mais tempo," Meredith falou lentamente, e o grupo se
dissolveu em risadas.
O garoto havia trancado seu carro e estava andando em direo  escola. Casualmente,
Elena seguiu atrs dele, as outras garotas logo atrs dela em um grupo intimamente ligado.
Por um instante, aborrecimento borbulhou dentro dela. Ela no podia ir  lugar algum sem
um desfile em seu calcanhar? Mas Meredith percebeu seu olhar, e ela sorriu apesar de si
mesma.
"Obrigaes da nobreza," Meredith disse suavemente.
"O qu?"
"Se voc vai ser a rainha da escola, voc tem que aturar as conseqncias."
Elena franziu por causa disso enquanto elas entravam no prdio. Um longo corredor se
esticava em frente  elas, e uma figura em cala jeans e jaquete de couro estava
desaparecendo pela porta do escritrio em frente. Elena diminuiu seu ritmo a medida que
passava pelo escritrio, finalmente parando para olhar ponderadamente para as mensagens
no quadro de avisos de cortia perto da porta. Havia uma ampla janela aqui, atravs da qual
o escritrio inteiro ficava visvel.
As outras garotas estavam espiando abertamente atravs da janela, e dando risadinhas.
"Bela viso traseira." "Aquela  definitivamente uma jaqueta Armani." "Voc acha que ele
 de fora dos Estados Unidos?"
Elena estava esticando suas orelhas pelo nome do garoto. Parecia haver algum tipo de
problema l: A Sra. Clarke, a secretria de admisso, estava olhando para uma lista e
balanando sua cabea. O garoto disse alguma coisa, e a Sra. Clarke levantou suas mos em
um gesto que dizia "O que eu posso fazer?" Ela correu um dedo pela lista e balanou sua
cabea novamente, conclusivamente. O garoto comeou a se afastar, ento se virou. E
quando a Sra. Clarke olhou para ele, sua expresso mudou.
O culos de sol do garoto estava agora na mo dele. A Sra. Clarke pareceu assustada com
algo, Elena pde v-la piscar diversas vezes. Seus lbios abriram e fecharam como se ela
estivesse tentando falar.
Elena desejou poder ver mais do qua a parte detrs da cabea do garoto. A Sra Clarke
estava remexendo em pilhas de papis agora, parecendo estupefata. Enfim ela achou um
formulrio de algum tipo e escreveu nele, ento virou-se e o empurrou em direo ao
garoto.
O garoto escreveu brevemente no formulrio  assinando-o, provavelmente  e o devolveu.
A Sra. Clarke encarou-o por um segundo, ento remexou em uma nova pilha de papis,
finalmente entregando o que parecia com um horrio de aulas para ele. Seus olhos nunca
deixaram o garoto enquanto ele pegava isso, inclinava sua cabea em agradecimento, e
virava-se para a porta.
Elena estava louca de curiosidade agora. O que havia acabado de acontecer ali? E como o
rosto do estranho era? Mas a medida que ele emergia do escritrio, ele colocava seu culos
de sol no lugar novamente.
Desapontamento fluiu atravs dela.
Ainda assim, ela pde ver o resto de seu rosto enquanto ele parava na entrada. O escuro
cabelo encaracolado enquadrava traos de rosto to belos que eles poderiam ter sido tirados
de uma velha moeda ou medalha Romana. Maas do rosto altas, clssico nariz reto... e uma
boca para mant-la acordada  noite, Elena pensou. O lbio superior foi belamente
esculpido, um pouco delicado, bastante sensual. A tagarelice das garotas no corredor havia
parado como se algum tivesse mexido no interruptor.
A maioria delas estava se virando para longe do garoto agora, olhando para qualquer lugar
menos para ele. Elena ficou em seu lugar perto da janela e fez um meneio de cabea,
puxando a fita do cabelo para que ele casse ao redor de seus ombros.
Sem olhar para nenhum lado, o garoto continuou andando pelo corredor. Um coro de
suspiros e sussurros irromperam no momento que ele estava fora do alcance de voz.
Elena no ouviu nada disso.
Ele tinha passado diretamente por ela, ela pensou, estupefata. Diretamente por ela sem
olhar.
Vagamente, ela percebeu que o sinal estava tocando. Meredith estava puxando seu brao.
"O qu?"
"Eu disse aqui est seu horrio. Ns temos trigonometria no segundo andar agora. Vamos!"
Elena permitiu que Meredith a propelisse pelo corredor, por uma escadaria, e para dentro da
sala de aula. Ela escorreu em um assento vazio automaticamente e fixou seus olhos na
professora  frente sem realmente estar vendo-a. O choque ainda no tinha passado.
Ele tinha passado diretamente por ela. Sem um olhar. Ela no conseguia lembrar de quanto
tempo fazia desde que um garoto havia feito isso. Todos eles olhavam, ao menos. Alguns
assobiavam. Alguns paravam para conversar. Alguns simplesmente encaravam.
E isso nunca foi um problema para Elena.
Afinal de contas, o que  mais importante que garotos? Eles eram a marca do quo popular
voc , do quo bonita voc . E eles podiam ser teis para todo o tipo de coisas. s vezes
eles eram excitantes, mas geralmente isso no durava muito. s vezes eles eram
repugnantes desde o comeo.
A maioria dos garotos, Elena refletiu, era exatamente como filhotinhos. Adorveis nos seus
lugares, mas dispensveis. Uns pouqussimos podiam ser mais do que isso, podiam se
tornar amigos de verdade. Como Matt.
Oh, Matt. Ano passado ela tivera esperanas de que ele era aquele por quem ela estivera
procurando, o garoto que faria ela sentir... bem, algo mais. Mais do que um ataque de
triunfo por ter feito uma conquista, o orgulho em mostrar sua nova aquisio para as outras
garotas. E ela tinha sentido uma forte afeio por Matt. Mas conforme o vero passava, e
ela tivera tempo para pensar, ela tinha percebido que era a afeio de uma prima ou irm.
A Srta. Halpern estava passando os livros de trigonometria. Elena pegou o seu
mecanicamente e escreveu seu nome dentro, ainda envolta em pensamentos.
Ela gostava de Matt mais do que qualquer outro garoto que conhecera. E era por isso que
ela teria que contar  ela que estava acabado.
Ela no sabia como contar  ele por carta. Ela no sabia como contar  ele agora. No era
por ela ter medo de ele dar um escndalo; ele simplesmente no iria entender. Ela mesma
no entendia muito.
Era como se ela estivesse sempre querendo alcanar... alguma coisa. S que, quando ela
achou que havia conseguido, no estava l. No com Matt, no com qualquer dos outros
garotos com quem esteve.
E ento ela teve que comear tudo de novo. Felizmente, havia sempre material novo.
Nenhum garoto havia tido sucesso em resistir  ela, e nenhum garoto a havia ignorado. At
agora.
At agora. Lembrando-se daquele momento no corredor, Elena descobriu que seus dedos
estavam apertados ao redor da caneta que ela segurava. Ela ainda no podia acreditar que
ele havia passado por ela daquela maneira.
O sinal tocou e todo mundo saiu da sala de aula, mas Elena parou na entrada. Ela mordeu
seu lbio, fazendo uma varredura pelo mar de estudantes que flua no corredor. Ento ela
avistou uma das parasitas que estavam no estacionamento.
"Frances! Venha aqui."
Frances veio avidamente, seu rosto comum iluminando-se.
"Escute, Frances, lembra-se do garoto dessa manh?"
"Com o Porsche e as  er  posses? Como eu poderia esquecer?"
"Bem, eu quero o horrio de aula dele. Pegue-o do escritrio se puder, ou copie do dele se
tiver que faz-lo. Mas faa-o!"
Frances pareceu surpresa por um momento, ento forou um sorriso e concordou. "Est
bem, Elena. Eu vou tentar. Eu te encontrarei no almoo se eu conseguir peg-lo."
"Obrigada." Elena observou a garota ir embora.
"Sabe, voc realmente  maluca," a voz de Meredith disse em seu ouvido.
"Qual  a vantagem de ser a rainha da escola se voc no pode abusar da sua posio s
vezes?" Elena retornou calmamente. "Para onde eu vou agora?"
"Negcios Gerais. Aqui, pegue-o voc mesma." Meredith empurrou uma tabela de horrio
para ela. "Eu tenho que correr para a aula de qumica. At depois!"
Negcios Gerais e o resto da manh passou como um borro. Elena tivera esperana de ver
outra vez de relance o novo estudante, mas ele no estava em nenhum de suas aulas. Matt
estava em uma, e ela sentiu uma pontada de dor quando os olhos azuis dele encontraram-na
com um sorriso.
Com o sinal do almoo, ela fez cumprimentos com a cabea a torto e a direito a medida em
que entrava na lanchonete. Caroline estava do lado de fora, repousada casualmente contra
uma parede com o queixo levantado, os ombros para trs, o quadril para frente. Os dois
garotos com quem ela estivera falando ficaram em silncio e cutucaram um ao outro
quando Elena se aproximou.
"Oi," Elena disse brevemente aos garotos; e para Caroline: "Pronta para entrar e comer?"
Os olhos verdes de Caroline mal pestanejaram na direao de Elena, e ela empurrou seu
brilhoso cabelo castanho para longe do rosto.
"O que, na mesa da realeza?" ela disse.
Elena foi pega de surpresa. Ela e Caroline eram amigas desde o jardim-de-infncia, e elas
sempre competiram uma contra a outra de maneira afvel. Mas ultimamente alguma coisa
havia acontecido com a Caroline. Ela tinha comeado a levar a rivalidade cada vez mais a
srio. E agora Elena estava surpreendida pela amargura na voz da outra garota.
"Bem, no  como se voc fosse uma plebia," ela disse levianamente.
"Ah, voc est to certa sobre isso," disse Caroline, virando-se para encarar Elena
plenamente. Aqueles olhos verdes de gata estavam abertos por uma pequena brecha e
fumegantes, e Elena ficou chocada pela hostilidade que viu ali. Os dois garotos sorriram
desconfortavelmente e foram para longe.
Caroline no pareceu notar. "Um monte de coisas mudou enquanto voc estava fora esse
vero, Elena," ela continuou. "E talvez seu tempo no trono esteja acabando."
Elena corou; ela podia sentir isso. Ela lutou para manter sua voz firme. "Talvez," ela disse.
"Mas eu no compraria um cetro to cedo se fosse voc, Caroline." Ela se virou e foi para a
lanchonete.
Foi um alvio ver Meredith e Bonnie, e Frances atrs delas. Elena sentiu suas bochechas se
esfriarem a medida que selecionava seu almoo e ia se juntar  elas. Ela no deixaria
Caroline chate-la; ela no pensaria em Caroline de modo algum.
"Eu consegui," disse Frances, agitando um pedao de papel enquanto Elena se sentava.
"E eu tenho coisas boas a contar," disse Bonnie de modo importante. "Elena, escute isso.
Ele est na minha aula de biologia, e eu sento bem em frente a ele. E seu nome  Stefan,
Stefan Salvatore, e ele  da Itlia, e ele est hospedado com a velha Sra. Flowers na margem
da cidade." Ela suspirou.
"Ele  to romntico. Caroline derrubou seus livros, e ele os pegou para ela."
Elena fez uma cara de repulsa. "Que desastrada a Caroline . O que mais aconteceu?"
"Bem, foi isso. Ele no falou com ela na verdade. Ele  mui-i-ito misterioso, veja s. A Sra.
Endicott, minha professora de biologia, tentou fazer com que ele tirasse seus culos, mas
ele no tirou. Ele tem um problema mdico."
"Que tipo de problema mdico?"
"Eu no sei. Talvez seja terminal e seus dias estejam contados. Isso no seria romntico?"
"Oh, muito," disse Meredith.
Elena estava olhando por sobre a folha de papel de Frances, mordendo seu lbio. "Ele est
na minha stima aula, Histria da Europa. "Algum mais tem essa aula?"
"Eu tenho," disse Bonnie. "E eu acho que Caroline tambm tem. Oh, e talvez Matt; ele
disse uma coisa ontem sobre como ele tinha sorte, ficando com o Sr. Tanner."
Maravilha, Elena pensou, pegando um garfo e apunhalando seu pur de batata. Parecia que
a stima aula iria ser extremamente interessante.


Stefan estava feliz que o dia na escola estava quase acabando. Ele queria sair dessas salas e
corredores lotados, s por alguns minutos.
Tantas mentes. A presso de tantas padres de pensamentos, tantas vozes mentais
cercando-o, estavam-no deixando tonto. Faziam anos desde que ele estivera no meio de
uma multido de pessoas desse jeito.
Uma mente em particular se destacou dos outros. Ela estivera entre aqueles que o estiveram
observando no corredor principal do prdio da escola. Ele no sabia como era sua
aparncia, mas sua personalidade era poderosa.
Ele tinha certeza de que a reconheceria novamente.
At agora, pelo menos, ele havia sobrevivido ao primeiro dia da farsa. Ele havia usado os
Poderes somente duas vezes, e depois moderadamente. Mas ele estava cansado, ele admitiu
com melancolia, com fome. O coelho no fora o suficiente.
Preocupe-se com isso depois. Ele achou sua ltima sala de aula e se sentou. E
imediatamente sentiu a presena daquela mente de novo.
Ela incandescia na margem da conscincia dele, uma luz dourada, suave e ainda assim
vibrante. E, pela primeira vez, ele pde localizar a garota da qual ela vinha. Ela estava
sentada bem na frente dele.
No momento em que ele pensava isso, ela se virou e ele viu seu rosto. Tudo que ele pde
fazer foi no arfar com choque.
Katherine! Mas  claro que no poderia ser. Katherine estava morta; ningum sabia disso
melhor do que ele.
Ainda assim, a semelhana era excepcional. O plido cabelo dourado, to belo que parecia
quase brilhar. Aquela pele cremosa, que sempre o havia feito pensar em cisnes, ou
alabastro, ruborizando um leve rosa nas bochechas. E os olhos... os olhos de Katherine
eram de uma cor que ele nunca tinha visto antes; mais escuros do que o azul do cu, to
ricos quanto a pedra celestial em sua tiara cravada de pedras preciosas. Essa garotaa tinha
os mesmos olhos.
E eles estavam fixados diretamente nos dele a medida que ela sorria.
Ele desviou o olhar de seu sorriso rapidamente. De todas as coisas, ele no queria pensar
em Katherine. Ele no queria olhar para essa garota que o lembrava dela, e ele no queria
mais sentir sua presena. Ele manteve seus olhos na mesa, bloqueando sua mente to
fortemente quanto pde. E por fim, lentamente, ela se virou novamente.
Ela ficou magoada. At mesmo atravs dos bloqueios, ele pde sentir isso. Ele no ligava.
De fato, ele estava feliz por isso, e ele esperava que isso a mantivesse afastada dele. Fora
isso, ele no tinha sentimentos algum por ela.
Ele continuou dizendo isso a si mesmo enquanto se sentava, a voz montona do professor
fluindo por ele sem ser ouvida. Mas ele podia sentir um indcio sutil de algum perfume 
violetas, ele pensou. E seu esguio pescoo branco estava curvado sobre seu livro, o belo
cabelo caindo dos dois lado dele.
Com raiva e frustrao ele reconheceu o sedutor sentimento em seus dentes  mais como
ccegas ou formigamento do que uma dor. Era fome, uma fome especfica. E no uma que
ele estava prestes a ceder.
O professor estava marchando na sala como um furro, fazendo perguntas, e Stefan
deliberadamente fixou sua ateno no homem. A princpio ele ficou intrigado, pois embora
nenhum dos estudantes soubesse as respostas, as perguntas continuavam. Ento ele
percebeu que esse era o propsito do homem. Envergonhar os estudantes com o que eles
no sabiam.
Nesse instante ele havia achado outra vtima, uma garota pequena com uma penca de
cachos vermelhos e um rosto em formato de corao. Stefan observou  distncia enquanto
o professor a atazanava com perguntas. Ela parecia miservel a medida em que ele se
afastava dela para se dirigir  turma toda.
"Esto vendo o que quero dizer? Vocs acham que so os maiorais; vocs so veteranos
agora, prontos para se formarem. Bem, deixem-me dizer isso, alguns de vocs no esto
prontos para se formarem no jardim-de-infncia. Como essa!" Ele gesticulou em direo 
garota de cabelo vermelho. "No faz idia sobre a Revoluo Francesa. Acha que Maria
Antonieta era uma estrela de filme mudo."
Os estudantes ao redor de Stefan se mexeram de maneira desconfortvel. Ele pde sentir o
ressentimento nas mentes deles, e a humilhao. E o medo. Estavam todos com medo desse
pequeno homem magro com olhos como o de uma doninha, at mesmo os garotos atlticos
que eram mais alto do que ele.
"Tudo bem, vamos tentar outra era." O professor virou-se de volta para a mesma garota que
havia questionado. "Durante a Renascena " ele parou abruptamente. "Voc sabe o que  a
Renascena, no sabe? O perodo entre os sculos treze e dezessete, no qual a Europa
redescobriu as grandes idias da Grcia e da Roma antiga? O perodo que produziu muitos
dos maiores artistas e pensadores da Europa?" Quando a garota concordou de modo
confuso, ele continuou."Durante a Renascena, o que os estudantes da sua idade estariam
fazendo na escola? Bem? Alguma idia? Algum palpite?"
A garota engoliu em seco. Com um fraco sorriso ela disse, "Jogando futebol?"
Com a subseqente risada, o rosto do professor se endureceu. "Dificilmente!" ele
repreendeu, e a sala de aula aquietou-se."Voc acha que isso  uma piada? Bem, naqueles
dias, os estudantes da sua idade j seriam proficientes em vrias lnguas. Eles tambm
dominariam lgica, matemtica, astronomia, filosofia, e gramtica. Eles tambm j estariam
prontos para ir  uma universidade, na qual todos os cursos eram ensinados em latim.
Futebol seria absolutamente a ltima coisa na "
"Com licena."
A voz silenciosa parou o professor no meio de seu longo discurso. Todos se viraram para
encarar Stefan.
"O qu? O que voc disse?"
"Eu disse, com licena," Stefan repetiu, removendo seus culos de sol e se levantando.
"Mas voc est errado. Estudantes da Renascena eram encorajados a participar de jogos.
Eles eram ensinados que um corpo saudvel combina com uma mente saudvel. E eles
certamente jogavam esportes de time, como crquete, tnis - e at mesmo futebol." Ele se
virou para a garota de cabelo vermelho e sorriu, e ela sorriu de volta com gratido. Para o
professor, ele acrescentou, "Mas as coisas mais importantes que eles aprendiam eram boas
maneiras e cortesia. Estou certo de que seu livro lhe dir isso."
Os estudantes estavam dando risada. O rosto do professor estava vermelho de sangue, e ele
estava emitindo fascas. Mas Stefan continuou a segurar o olhar, e depois de mais um
minuto foi o professor que desviou o olhar.
O sinal tocou.
Stefan colocou seus culos rapidamente e juntou seus livros. Ele j tinha atrado mais
ateno para si mesmo do que deveria, e ele no queria ter que olhar para a garota loira
novamente. Alm do mais, ele precisava sair de l rapidamente; havia uma familiar
sensao de queimadura em suas veias.
A medida que ele alcanava a porta, algum gritou, "Ei! Eles realmente jogavam futebol
naquele tempo?"
Ele no pde evitar dar um sorriso por sobre o ombro. "Oh, sim. Algumas vezes com as
cabeas decepadas dos prisioneiros de guerra."


Elena observou-o enquanto ele saa. Ele havia deliberadamente virado as costas para ela.
Ele a tinha desprezado de propsito, e na frente de Caroline, que estivera observando como
um falco. Lgrimas queimaram em seus olhos, mas naquele momento somente um
pensamento queimou em sua mente.
Ela o teria, mesmo que isso a matasse. Se isso matasse a ambos, ela o teria.
Captulo Trs

As primeiras luzes do amanhecer estavam riscando o cu noturno com o rosa e um plido
verde. Stefan assistia ao espetculo da janela do seu quarto, na casa de madeira. Ele tinha
alugado especificamente esse quarto, porque o alapo ficava no teto, um alapo que se
abria para uma janela onde voc poderia andar sobre o telhado. Agora a porta estava aberta
e um vento frio e mido derrubou a escada do alapo. Stefan estava totalmente vestido,
mas no era por que ele tinha levantado cedo. Ele no dormia nunca.
Ele apenas voltou para a floresta, onde as poucas folhas midas grudavam do lado de sua
bota. Ele as tirou exigentemente. Os comentrios dos estudantes ontem no escaparam dele
e ele sabia que eles estavam reparando nas roupas dele. Ele sempre vestia o melhor, no por
simples vaidade, mas por que era coisa certa a se fazer. Seu tutor sempre dizia: Um
aristocrata deve vestir-se fazendo juzo a sua posio. Se ele no fizer isso, mostrara
desprezo pelos outros.
Qualquer pessoa tinha um lugar no mundo e o dele era entre a nobreza.
Por que ele estava insistindo nessas coisas? Claro, ele devia imitar o modelo dos estudantes,
j que ele mesmo voltou a ser um, dias atrs. Agora as lembranas vinham grossas e
rpidas, como se ele tivesse nadando pelas paginas de um jornal, seus olhos pegaram as
entradas. Um lampejo vivamente veio a ele agora: O rosto de seu pai quando Damon
anunciou que ele tinha deixado  universidade. Ele nunca iria esquecer isso. Ele nunca tinha
visto seu pai to irritado...
"O que voc quer dizer com que no vai mais voltar?" Giuseppe era normalmente um
homem imparcial, mas tinha um temperamento rigoroso e os eu filho mais velho trouxe
violentas emoes a ele. Agora que seu filho tocou levemente nos lbios com um leno de
seda cor de carmim.
"Eu estou pensando, ser que voc no pode entender uma simples frase, papai. Ento eu
devo repeti-la em Latim para o Senhor?"
"Damon-." Stefan comeou rigorosamente, estarrecido com a falta de respeito. Mas seu pai
interrompeu.
"Voc est me dizendo que eu, Giuseppe, conde de Salvatore, vou ter que olhar para os
meus amigos sabendo que o meu filho  um preguioso que no contribui em nada para
Florence?" Os serviais aproximavam-se receosos, j que Giuseppe trabalhava consigo
mesmo um modo de direcionar sua raiva.
Damon nem mesmo piscou.
"Porco parasita! Isto j no  ruim o suficiente quando voc estava na escola, desperdiando
seu tempo e meu dinheiro? Oh sim Senhor eu sei tudo de apostas, dinheiro e mulheres. E eu
sei que se no fosse pelos seus secretrios e seus tutores, voc teria fracassado em todos os
corsos. Mas agora voc diz isso para desonrar-me completamente. Por qu? Por qu?" As
largas mos dele agarraram o queixo de Damon. "Ento voc vai voltar a caar igual a um
predador?"
Stefan tinha que dar crditos ao seu irmo; Damon no estremeceu. Ele manteve sua
postura, quase desprezando o aperto de seu pai. Seus lbios estavam curvados numa linha
de pura arrogncia.
Voc foi longe de mais, pensou Stefan, assistindo os dois homens encarando-se juntos.
Diferenciando-se pelo charme que cada um esbanjava. Mas ento ouve um barulho no
escritrio e a porta do corredor abriu-se. Virando, Stefan ficou deslumbrado com os olhos
cor de pedra preciosa, moldurados por longos cabelos dourados. Esta era Katherine. O pai
dela, o baro de Swartzschild, tinha trazido-a das frias terras da Alemanha prximo  Itlia,
esperando poder ajud-la a se recuperar de sua doena. E desde o dia que ela voltou tudo
tinha mudado para Stefan.
"Eu peo o seu perdo. Eu no quis ser intrometida". A voz dela era macia e clara. Ela
movimentava-se graciosamente como se fosse uma pena.
"No, no v. Fique." Stefan disse rapidamente. Ele queria dizer mais pegar a mo dela 
mas ele desafiou-se, no com os eu pai ali. Tudo que ele poderia fazer era contemplar as
jias azuis dos olhos dela, que estavam no mesmo nvel que os olhos dele.
"Sim, fique". Giuseppe disse. E Stefan viu a expresso severa de seu pai suavizar-se e ele
soltar Damon. Ele andou para frente, endireitando seu longo e pesado casaco de pele.
"Seu pai deve retornar dos negcios na cidade hoje, ele ficara feliz em v voc. Mas suas
bochechas esto plidas, pequena Katherine. Voc no est doente de novo, eu espero?"
"Voc sabe que eu sou sempre plida, Senhor. Eu no uso blush como as suas ousadas
garotas italianas."
"Voc no precisa disso." Stefan disse antes que pudesse deter-se e Katherine sorriu para
ele. Ela era to linda. Uma comeou no peito dele.
Seu pai continuou "E eu a vi to pouco durante o dia. Voc raramente nos dar o prazer da
sua companhia durante o crepsculo".
"Eu tenho os meus estudos e minhas obrigaes no meu quarto, Senhor". Katherine disse
calmamente. Stefan sabia que isto no era verdade, mas ele no diria nada; Ele nunca
revelaria o segredo de Katherine. Ela olhou para o pai dele de novo "Mas estou aqui agora,
Senhor".
"Sim, sim, isso  verdade. E eu tenho que providencia um jantar especial pelo retorno do
seu pai. Damon... nos conversamos mais tarde". Giuseppe moveu-se at os servos, que o
seguiram. Stefan virou-se para Katherine com prazer. Era raro eles poderem conversar um
com o outro sem a presena do pai dele ou de Gudrem, a impassvel dama de companhia
alemo de Katherine.
Mas ento o que Stefan viu fez um vento soprar no seu estmago. Katherine estava sorrindo
 Um pequeno e secreto sorriso, como se ela estivesse procurando por ele. Mas ela no
estava olhando para ele. Ela estava olhando para Damon.
Stefan odiava seu irmo agora, odiava Damon o bonito e gracioso e sensual que tinha todas
as mulheres aos seus ps como mariposas em chamas. Ele queria, agora, derrubar Damon
essa beleza em pedaos.
Instantaneamente ele teve que esperar e assistir Katherine mover-se lentamente na direo
do seu irmo, passo a passo, arrastando seu glorioso vestido no carpete. E ele tinha que
assistir Damon segurar a mo de Katherine e sorrir cruelmente um sorriso de triunfo...


Stefan virou-se para a janela.
Por que ele estava remoendo os velhos tempos? Mas ele parou de pensar nisso e pegou sua
camisa, que estava em cima da uma cadeira dourada e vestiu-a. Ele passou o dedo indicador
e o polegar, acariciando o anel que estava na palma de sua mo, ento ele o ergueu contra a
luz.
Tinha um pequeno circulo trabalhado em ouro. Cinco sculos no tinham diminudo o seu
brilho. Ele tinha uma pedra azul do tamanho da sua unha do dedo mindinho, Stefan olhou
para o pesado anel de prata na sua mo, tambm com uma pedra azul. E no seu peito tinha
um familiar desconforto.
Ele no poderia esquecer o passado, e ele realmente no desejava isso. Apesar de tudo que
havia acontecido, ele preservava as lembranas de Katherine. Mas havia uma nica
lembrana que ele realmente no queria desenterrar uma pgina de jornal que ele no abriu.
Se ele tivesse que reviver esse horror, essa... Abominao, ele ficaria maluco. Como no dia,
no ultimo dia, quando ele deixou seu controle.
Stefan debruo-se na janela. Seu tutor tinha outro dizer: Um monstro nunca encontra a paz.
Ele pode ter um triunfo, mas ele nunca encontra a paz.
Por que ele tinha que ter vindo para Fell's Church?
Ele tinha esperana de encontrar a paz aqui, mas isto estava sendo impossvel. Ele nunca
seria aceito, ele nunca teria descanso. Por que ele era um monstro. Ele no tinha como
mudar o que ele era.


Elena levantou-se mais cedo que o normal. Ela poderia ouvir Tia Judith encerando o quarto,
preparando-se para o banho. Margaret continuava dormindo, enrolada como um ratinho na
sua cama. Elena passou por sua irm caula entreabrindo a porta ruidosamente e continuou
descendo para o hall, para sair de casa.
A brisa estava fresca e limpa esta manh, a rvore estava inabitada a no ser pelos pardais.
Elena, que tinha ido par a cama com a cabea latejando de dor, olhou para o cu azul e
respirou profundamente. Ela se sentia bem melhor que ontem. Ela prometeu encontrar Matt
entes da escola. Ela pensou em no olha para frente, mas ela tinha certeza que tudo iria dar
certo.
Matt morava  duas quadras de escola. Era uma casa simples, como as outras da rua, exceto
talvez pela piscina na varanda, que estava um pouco surrada, a pintura estava descascando
um pouco. Matt j estava na frente da casa e por um momento o corao dela palpitou em
v-lo.
Ele estava bonito. No havia dvidas sobre isso. Matt era o queridinho de toda a Amrica. .
Seu cabelo loiro era cortado curto para a temporada de futebol e sua pele estava bronzeada
pelo trabalho nos autdoors na firma nos seus avs. Seus olhos azuis eram doces e honestos.
E hoje, quando ele a abraou gentilmente. Eles estavam um pouco tristes.
"Voc no gostaria de entrar?"
"No. Vamos indo.". Elena disse. Eles foram lado a lado sem se tocar, pelo lado escuro da
rua, onde estavam s nogueiras e o ar dessa manh tinha ficado silencioso. Elena olhava
para os seus ps na calada molhada, sentindo-se de repente incerta. Ela no sabia como
comear agora, depois de tudo.
"Ento voc no vai me contar sobre a Frana". Ele disse.
"Oh, l  maravilhoso". Disse Elena. Elena olhou rapidamente para ele. Ele olhava para a
calada tambm. "Tudo l  maravilhoso". Ela continuou tentando por algum entusiasmo na
voz. "As pessoas, a comida, tudo  simplesmente..." A voz dela parou e ela sentiu-se
nervosa.
"Sim, eu sei. Maravilhoso". Ele terminou para ela. Ele parou e continuou olhando para
baixo fitando seu tnis. Elena os reconheceu do ano passado. A famlia de Matt talvez no
pudesse se dar ao luxo de comprar sapatos novos. Ela olhou para cima para encontrar os
olhos azuis dele no seu rosto.
"Voc sabe, voc  linda e boa, agora." Ele disse.
Elena abriu a boca em contestao, mas ele comeou a falar novamente.
"E eu espero que voc tenha algo par ame dizer". Ela aproximou-se dele e ele sorriu, um
sorriso torto e doce. Ento ela a envolveu em seus braos novamente.
"Oh Matt" Ela disse, abraando-o fortemente. Ela recuou olhando para o rosto dele.
"Oh Matt, voc  a melhor pessoa que eu j conheci. Eu no mereo voc".
"Oh, ento  por isso que voc est me desprezando". Disse Matt quando eles comearam a
andar de novo.
"Porque eu sou muito bom para voc. Eu deveria ter percebido isso antes".
Ela beliscou o brao dele. "No, no  est a razo e eu no estou desprezando voc. Nos
vamos ser amigos, certo?"
"Oh claro. Absolutamente".
"Porque  isso que eu deveria ter notado que nos somos". Ela parou e encarou-o
novamente.
"Bons amigos. Seja honesto, agora, Matt no  s isso que voc realmente sente por mim?"
Ele olhou para ela e ento rolou os olhos dramaticamente. "Eu posso ter a metade ou isso?"
ele disse. O queixo de Elena caiu e ele adicionou, "Isso no tem nada haver com o garoto
novo, no ?".
"No". Elena disse depois de hesitar um minuto e ento adicionou rapidamente, "Eu ainda
no conheo ele. No sei quem  ele".
"Mas voc quer. No, no diga isso". Ele colocou os braos envolta dela e gentilmente a
virou.
"Vamos, temos que ir para a escola. Se tivermos tempo eu compro um donut para voc".
Quando eles estavam andando, algo passou pela nogueira acima deles. Matt assobiou e
apontou. "Olha isso!  a maior corvo que eu j vi". Elena olhou, mas ele j tinha ido.
A escola hoje era um lugar conveniente para Elena rever seu plano. Ela acordou essa manh
sabendo o que tinha que fazer. E hoje ela recolheu mais informaes sobre as matrias de
Stefan Salvatore. O que no foi difcil, porque todo mundo no Robert E. Lee estava falando
dele.
Era de conhecimento de todos que ele teve um pouco de sorte nas inscries com a
secretaria de administrao ontem. E hoje ele tinha que falar com o diretor. Algo sobre a
papelada dele. Mas o diretor o mandaria de volta para as aulas (depois, tinha um rumor,
sobre a uma ligao  longa distancia para Roma  ou era Washington?), e tudo parecia
estar resolvido agora. Oficialmente, pelo menos.
Quando Elena chegou  aula de histria europia  tarde, ela foi saudada com um assobio
baixo do hall. Dick Carter e Tyler Smallwood estavam l. Um belo casal de idiotas, ela
pensou, ignorando o assobio e os berros. Eles pensavam que ser atacantes do time de
futebol fazia deles gostosos. Ela manteve os olhos neles como se desejasse chegar o mais
rpido ao corredor, Umedeceu os lbios e abriu seu p compacto. Ela tinha contado a
Bonnie a introduo especial e o plano que ela colocaria em ao assim que Stefan a visse.
O espelho do p compacto dav a ela uma viso privilegiada do hall atrs dela.
Ainda, ela sentiu saudades dele de algum lugar. Ele estava ao lado dela de repente e ela
bateu seu o p compacto quando ele passou. Ela queria para-lo, mas algo aconteceu antes
que ela pudesse faz-lo. Stefan tencionou-se  ou pelo menos, tinha algo nele que parecia
desconfiado. E Ento Dick e Tyler pararam na frente dele na porta de sala de aula.
Bloqueando o caminho.
Os maiores idiotas do mundo. Pensou Elena. Fulminando, ela os encarou por cima do
ombro de Stefan.
Eles estavam adorando o jogo, desleixados na passagem da porta, fingindo que eles eram
completamente cegos ao fato de Stefan estar ali.
"Com licena". Era o mesmo o mesmo tom que ele usara com o professor de histria,
sossegado e solto.
Dick e Tyler olharam um para o outro, ento olharam em volta, como se escutassem vozes
de espritos.
"Scoozi*?" Tyler disse falsamente. "Scoozi me*? Me scoozi*? Jacuzzi*?" Os dois riram.
*Isso seria uma imitao da fala do Stefan em ingls:" Excuse me"
Elena viu msculos apertarem-se sobre a camisa na frente dela. Isso era completamente
desleal; Eles eram duas vezes mais altos que Stefan e Tyler era duas vezes mais largo.
"Algum problema aqui?". Elena estava to assustada quanto os garotos com essa nova voz
atrs dela. Ela virou-se e viu Matt. Os olhos azuis dele estavam severos.
Os lbios de Elena moveram-se um pouco para um sorriso. O bom e velho Matt. Ela
pensou. Mas agora o bom e velho Matt estava entrando na sala ao lado de Stefan e ela
estava atrs deles, das berrantes duas camisas. Quando eles sentaram, ela deslizou para a
mesa atrs de Stefan, onde ela poderia v-lo sem ver a si mesma. Seu plano teria que
esperar para depois da aula.
Matt mexia algo ruidosamente nos eu bolso, que significava dizer que ele queria dizer algo.
"Uh hei". Ele comeou, desconfortavelmente. "Esses garotos so voc sabe..."
Stefan riu. Era um som baixo. "Quem sou eu para julgar?"Tinha mais emoo na voz dele
do que Elena tinha ouvido antes, quando ele tinha falo com o Sr.Tanner. E essa emoo era
cruamente infeliz. "De qualquer forma, por que eu deveria ser bem-vindo aqui?"Ele
terminou, quase que para si mesmo.
"Por que voc no deveria ser?" Matt estava quase berrando com Stefan; Agora a
mandbula dele estava trincada com a deciso.
"Escuta", ele disse. "Vocs estavam falando de futebol ontem. Bem, a nossa estrela maior
rompeu em lgrimas ontem a tarde, e nos precisamos de um substituto. As eliminatrias so
est tarde. O que voc acha?"
"Eu?". Stefan soou como se tivesse sido pego de guarda baixa. "Ah... Eu no sei se posso".
"Voc pode corre?"
"Posso -?" Stefan virou-se pela metade para Matt, e Elena pode ver indicios de um sorriso
nos labios dele. "Yes".
"Voc pode aceitar?"
"Sim"
"Isso  tudo que podemos fazer. Eu estarei no quarto tempo. Se voc puder aceitar que
prupus e correr com eles, voc pode jogar."
"Eu verei."Stefan na verdade estava quase sorrindo, e a boca de Matt estava seria mas seus
olhos azuis estavam danando. Espento dominou Elena, ela percebeu que era ciumente. A
cordialidade entre os dois garotos a calou completamente.
Mas no outro instante o sorriso de Stefan desapareceu. Ele disse distande "Obrigado... Mas
no. Eu tneho outros compromissos."
Nesta hora, Bonnie e Caroline chegaram e a aula comeou.
Tanner deu uma palestra completa sobre a europa, Elena repetiu para si mesma, "Oi. Eu sou
Elena Gilbert. Eu sou chefe do Comiter de Boas-vindas, e eu tenho a responsabilidade de
lhe mostrar a escola. Agora, eu no queria aborrecer voc, mas  o meu trabalho, voc no
gostaria de me deixar sem trabalho, no ?"
Est era a unica saida ampla, olhar saudosamente nos olhos- Mas s se ele olhar como se
quisesse ir embora. Esta era uma tecbica infalivel. Ele era um aproveitador de mulheres que
precisava ser resgatado.
Do meio da sala uma garota se esticou e passou um bilhete para ela. Elena abriu-o e
reconheceu a letra redonda, infatil caligrafia de Bonnie. Leu o ento: "Eu mantive C.
afastada pelo maior tempo que consegui. O que aconteceu? Funcionou?????"
Elena olhou para cima para ver Bonnie retorcendo-se na primeira fila, onde ela sentava.
Elena apontou para o papel e sacudiu a cabea, mexendo a boca. "Depois da aula."
Paceria um sculo at Tanner deixar alguns minutos finais instrues sobre a apresentao
oral e dispensar eles. Ento todo mundo levantou-se, um por um.  agora, pensou Elena, e
com o coraao palpitando, ela andou at o caminho de Stefan, bloqueando as coxias para
que ele no pudesse desviar dela.
Como Dick e Tyler, ela pensou, sentindo uma risada histerica se formar. Ela olhou para
cima e encontrou seus labios no mesmo nivel que a boca dele. Sua mente ficou em branco.
O que ela deveria dizer mesmo? Ela abriu a boca , e algumas palavras que ela tinha
preticado vieram a tona. "Oi. Eu sou Elena Gilbert, e eu sou chefe do comiter de
boas-vindas e eu tenho que-"
"Me desculpe; Eu no tenho tempo." Por um minuto, ela no acreditou que ele estava
falando, que ele no tinha lhe dado a chance de terminar. A boca dela terminou o que ela
tinha praticado.
"- Lhe mostrar a escola-"
"Me desculpe; Eu no posso. Eu tenho que-que fazer os testes para o futebol."Stefan
virou-se para Matt, que estava olhando espantado. "Voc disse que eles eram depois da
escola, no disse?"
"Sim."Matt disse lentamente. "Mas-"
"Ento  melhor irmos. Talvez voc possa me mostrar o caminho."
Matt olhou assutado para Elena, ento disse. "Bem... Claro. Vamos." Ele olhou de relance
para trs quando eles foram. Stefan no. Elena pegou-se olhando ao redor para a roda de
observadores curiosos, incluindo Caroline, que abriu um sorriso. Elena sentiu seu corpo
entorpercer e plenamente sua garganta. Ela no poderia ficar ali nem mais um segundo. Ela
virou-se e andou rapidamente para poder sair da sala.




Captulo Quatro

Na hora que Elena alcanou seu armrio, o entorpecimento estava passando e o caroo em
sua garganta estava tentando se dissolver em lgrimas. Mas ela no choraria na escola, ela
disse  si mesma, ela no iria. Depois de fechar seu armrio, ela foi em direo a sada
principal.
Pelo segundo dia consecutivo, ela estava voltando para casa logo depois do ltimo sinal, e
sozinha. Tia Judith no iria conseguir lidar com isso. Mas quando Elena chegou em casa, o
carro de tia Judith no estava na garagem; ela e Margaret devem ter ido ao supermercado. A
casa ainda estava quieta e pacfica enquanto Elena entrava.
Ela estava grata por essa quietude; ela queria ficar sozinha agora. Mas, por outro alado, ela
no sabia exatamente o que fazer consigo mesma.
Agora que ela finalmente podia chorar, ela descobriu que as lgrimas no vinham. Ela
deixou sua mochila afundar no cho do corredor da frente e andou lentamente na sala de
estar.
Era uma bonita e impressionante sala, a nica parte da casa fora o quarto de Elena que
pertencia  estrutura original. Aquela primeira casa fora construda antes de 1861, e fora
quase queimada completamente na Guerra Civil. E tudo que pde ser salvo foi essa sala,
com sua elaborada lareira emoldurada por curvas, e o grande quarto acima. O bisav do pai
de Elena tinha construdo uma casa nova, e os Gilberts moraram l desde ento.
Elena se virou para olhar por uma das janelas que iam do teto at o cho. O vidro era to
velho que estava grosso e oscilante, e tudo do lado de fora estava distorcido, parecendo
levemente embriagado. Ela se lembrou da primeira vez em que seu pai a mostrou aquele
velho vidro oscilante, quando ela era mais nova do que Margaret era agora.
A sensao de algo em sua garganta estava de volta, mas ainda assim as lgrimas no
vinham. Tudo dentro dela era contraditrio. Ela no queria companhia, e ainda assim ela
estava dolorosamente solitria. Ela queria pensar, mas agora que ela estava tentando, seus
pensamentos a evitavam como um rato correndo de uma coruja branca.
Coruja branca... ave de caa... comedora de carne... corvo, ela pensou. "O maior corvo que
eu j vi," Matt tinha dito.
Seus olhos doeram novamente. Pobre Matt. Ela o tinha machucado, mas ele fora to
bonzinho quanto a isso. Ele tinha sido bonzinho at com o Stefan.
Stefan. Seu corao fez um baque, forte, espremendo duas lgrimas quentes em seus olhos.
Pronto, finalmente ela estava chorando. Ela estava chorando de raiva e humilhao e
frustrao  e o que mais?
O que ela tinha realmente perdido hoje? O que ela realmente sentia por esse estranho, esse
Stefan Salvatore? Ele era um desafio, sim, e isso o deixava diferente, interessante. Stefan
era extico... excitante.
Engraado, isso era o que algumas vezes os caras tinham dito  Elena que ela era. E mais
tarde ela ouvia deles, ou de seus amigos ou irms, o quo nervosos eles estavam antes de
sair com ela, como suas palmas ficaram suadas e seus estmagos estavam cheios de
borboletas. Elena sempre achou tais histrias divertidas. Nenhum garoto que ela conhecera
j a fez ficar nervosa.
Mas quando ela falara com Stefan hoje, seu pulso estivera acelerado, seus joelhos bambos.
Suas palmas estiveram molhadas. E no havia tido borboletas em seu estmago  havia tido
morcegos.
Ela estava interessada no cara porque ele a deixava nervosa? No  uma razo muito boa,
Elena, ela disse  si mesma. De fato, uma razo muito ruim.
Mas tambm tinha aquela boca. Aquela boca esculpida que fez seus joelhos ficarem
bambos com algo totalmente diferente do que nervosismo. E aquele cabelo escuro como a
noite  seus dedos coavam para se entrelaar naquela suavidez. Aquele corpo flexvel e de
msculos lisos, aquelas pernas longas... e aquela voz. Fora a voz dele que a fizera se decidir
ontem, deixando-a absolutamente determinada a t-lo. Sua voz era frio e desdenhosa
quando estivera falando com o Sr. Tanner, mas estranhamente convincente para tudo
aquilo. Ela se perguntou se poderia ficar escura como a noite tambm, e como soaria
dizendo seu nome, sussurrando seu nome...
"Elena!"
Elena pulou, seu devaneio destrudo. Mas no era Stefan Salvatore chamando-a, era a tia
Judith tagarelando na porta da frente aberta.
"Elena?" Elena!" E essa era Margaret, sua voz estridente e sibilante. "Voc est em casa?"
Sofrimento fluu por Elena novamente, e ela deu uma olhada na cozinha. Ela no podia
encarar as perguntas preocupadas de sua tia ou a inocente animao de Margaret agora. No
com seus clios molhados e novas lgrimas ameaando a qualquer minuto. Ela tomou uma
deciso rpida e silenciosamente deslizou pela porta de trs enquanto a porta da frente batia
ao fechar.
Logo que estava fora da varanda de trs e entrou no quintal, ela hesitou. Ela no queria
encontrar ningum que ela conhecia.
Mas aonde ela podia ir para ficar sozinha?
A resposta veio quase instantaneamente.  claro. Ela iria ver sua me e seu pai.
Era uma caminhada razoavelmente longa, quase na beira da cidade, mas nos ltimos trs
anos se tornara familiar para Elena. Ela cruzou a Ponte Wickery e subiu a colina, para alm
da Igreja arruinada, ento desceu para o pequeno vale adiante.
Essa parte do cemitrio era bem-cuidada; era a parte antiga que permitiam ficar levemente
selvagem.
Aqui, a grama estava primorosamente aparada, e buqus de flores salpicavam cores
brilhantes. Elena sentou-se na grande lpide de mrmore com "Gilbert" entalhado na frente.
"Oi, me. Oi, pai," ela sussurrou. Ela se inclinou para colocar flores no-me-toque roxas
que ela havia pego  caminho em frente ao mercado. Ento ela enroscou sua pernas debaixo
de si e simplesmente sentou.
Ela vinha aqui regularmente aps o acidente. Margaret tinha somente um ano quando o
acidente de carro aconteceu; ela no lembrava bem deles. Mas Elena lembrava. Agora ela
deixava sua mente folhear pelas memrias, e o caroo em sua garganta inchou, e as
lgrimas vieram mais facilmente. Ela sentia tanto a falta deles, ainda. Mame, to jovem e
bonito, e papai, com um sorriso que enrugava seus olhos.
Ela tinha sorte de ter tia Judith,  claro. No era toda tia que se despediria do trabalho e se
mudaria para uma cidadezinha para tomar conta de duas sobrinhas orfs. E Robert, o noivo
de tia Judith, era mais como um padrasto para Margareth do que um futuro
tio-por-casamento.
Mas Elena se lembrava de seus pais. As vezes, logo depois do funeral, ela tinha vindo aqui
para brigar com eles, com raiva deles por terem sido to estpidos a ponto de morrerem.
Isso foi quando ela no conhecia muito bem a tia Judith, e tinha sentido que no havia mais
lugar na Terra aonde ela pertencesse.
Aonde ela pertencia agora? ela se perguntou. A resposta fcil era, aqui, em Fell's Church,
aonde ela havia vivido sua vida toda. Mas ultimamente a resposta fcil parecia errada.
Ultimamente ela sentia que devia ter alguma outra coisa l fora para ela, algum lugar que
ela reconheceria de primeira e chamaria de lar.
Uma sombra caiu sobre ela, e ela olhou para cima, assustada. Por um instante, as duas
figuras paradas sobre ela eram aliengenas, estranhas, vagamente ameaadoras. Ela encarou,
congelada.
"Elena," disse a menor figura agitadamente, as mos nos quadris, "s vezes eu me preocupe
com voc, realmente me preocupo."
Elena piscou e ento riu brevemente. Eram Bonnie e Meredith. "O que uma pessoa tem que
fazer para conseguir um pouco de privacidade por aqui?" ela disse enquanto elas sentavam.
"Diga-nos para ir embora," sugeriu Meredith, mas Elena s deu de ombros. Meredith e
Bonnie tinham vindo aqui muitas vezes para encontr-la nos meses depois do acidente. De
repente, ela se sentiu feliz por isso, e grata  ambas. Se a nenhum outro lugar, ela pertencia
s amigas que ligavam para ela. Ela no se importava se elas soubessem que ela estivera
chorando, e ela aceitou os lencinhos amassados que Bonnie ofereceu e limpou seus olhos.
As trs sentaram juntas em silncio por um tempo, observando o vento agitar o grupo de
rvores de carvalho na beira do cemitrio.
"Eu sinto muito sobre o que aconteceu," Bonnie disse por fim, com uma voz suave.
"Aquilo foi realmente terrvel."
"E o seu nome do meio  `Tato,'" disse Meredith. "No poderia ter sido to ruim, Elena."
"Voc no estava l." Elena se sentiu ficando quente novamente com a memria. "Foi
terrvel. Mas eu no ligo mais," ela acrescentou categoricamente, com despeito. "Eu estou
farta dele. Eu no o quero mais."
"Elena!"
"Eu no quero, Bonnie. Ele obviamente se acha bom demais para  para americanos. Ento
ele pode simplesmente pegar aqueles culos de sol de designer e..."
Houve bufos de risada das outras garotas. Elena assou seu nariz e balanou sua cabea.
"Ento," ela disse  Bonnie, determinada a mudar o assunto, "pelo menos Tanner pareceu
estar com um humor melhor hoje."
Bonnie pareceu atormentada. "Voc sabe que ele fez eu me recrutar para ser a primeira a
fazer meu relatrio oral? Eu no me importo, de qualquer forma; eu vou fazer o meu sobre
os druidas, e "
"Sobre o qu?"
"Dru-das. Os velhos esquisitos que construram Stonehenge e faziam mgica e coisa e tal
na antiga Inglaterra. Eu descendo deles, e  por isso que eu sou vidente."
Meredith bufou, mas Elena franziu a testa para o talo de grama que ela estava girando entre
seus dedos. "Bonnie, voc realmente viu alguma coisa ontem na minha palma?" ela
perguntou abruptamente.
Bonnie hesitou. "Eu no sei," ela disse por fim. "Eu  eu pensei que tinha naquela hora.
Mas s vezes minha imaginao me escapa."
"Ela sabia que voc estava aqui," disse Meredith inesperadamente. "Eu pensei em procurar
na cafeteria, mas Bonnie disse, `Ela est no cemitrio.'"
"Disse?" Bonnie pareceu pouco surpresa mas impressionada. "Bem, veja s. Minha av em
Edimburgo tem a segunda viso e eu tambm. Sempre pula uma gerao."
"E voc descende dos druidas," Meredith disse solenemente.
"Bem  verdade! Na Esccia eles mantm as antigas tradies. Voc no acreditaria em
algumas das coisas que minha av faz. Ela tem um jeito de descobrir com quem voc vai se
casar e quando voc vai morrer.
Ela me disse que eu vou morrer cedo."
"Bonnie!"
"Ela disse. Eu vou estar jovem e bonita no meu caixo. No acha que isso  romntico?"
"No, no acho. Eu acho que  nojento," disse Elena. As sombras estavam ficando mais
longas, e o vento estava frio agora.
"Ento com quem voc vai se casar, Bonnie?" Meredith disse com jeito.
"Eu no sei. Minha av me disse o ritual para descobrir, mas eu nunca tentei.  claro" 
Bonnie fez uma pose sofisticada  "ele tem que ser escandalosamente rico e totalmente
lindo. Como o nosso misterioso estranho moreno, por exemplo. Especialmente se ningum
mais o quiser." Ela lanou um olhar travesso para Elena.
Elena recusou a isca. "E quanto  Tyler Smallwood?" ela murmurou inocentemente. "Seu
pai  certamente rico o bastante."
"E ele no  feio," concordou Meredith solenemente, "Isso ,  claro, se voc for uma
amante de animais. Aqueles enormes dentes brancos."
As garotas olharam uma para outra e ento simultaneamente caram na risada. Bonnie jogou
um punhado de grama em Meredith, que a removeu e jogou um dente-de-leo nela. Em
algum lugar no meio disso, Elena percebeu que ela ia ficar bem. Ela era ela mesma
novamente, no perdida, no uma estranha, mas Elena Gilbert, a rainha da Robert E. Lee.
Ela puxou a fita laranja-amarelada de seu cabelo e balanou o cabelo livremente por seu
rosto.
"Eu decidi o que fazer no meu relatrio oral," ela disse, observando com olhos estreitos
enquanto Bonnie tirava com os dedos grama de seus cachos.
"O qu?" disse Meredith.
Elena inclinou seu queixo e olhou para o cu vermelho e roxo acima da colina. Ela tomou
um ponderado flego e deixou o suspense crescer por um momento. Ento ela disse
friamente, "A Renascena Italiana."
Bonnie e Meredith a encararam, ento olharam uma para outra e explodiram em berros e
gargalhadas novamente.
"Aha," disse Meredith quando se recuperaram. "Ento a tigresa regressou."
Elena mostrou-lhe um sorriso ferino. Sua confiana abalada havia retornado  ela. E ainda
que ela mesma no entendesse, ela sabia de uma coisa: ela no ia deixar Stefan Salvatore
escapar vivo.
"Tudo bem," ela disse rapidamente. "Agora, escutem, vocs duas. Ninguma mais pode
saber disso, ou vou ser motivo de riso na escola. E Caroline iria amar qualquer desculpa
para me fazer parecer ridcula. Mas eu ainda quero ele, e eu vou t-lo. Eu no sei como
ainda, mas eu vou. At que eu bole um plano, contudo, ns vamos trat-lo com
indiferena."
"Oh, ns vamos?"
"Sim, ns vamos. Voc no pode t-lo, Bonnie; ele  meio. E eu tenho que ser capaz de
confiar em voc completamente."
"Espere um minuto," disse Meredith, um brilho em seu olhar. Ela soltou o alfinete
cloisonn de sua blusa, ento, levantando seu dedo, deu uma rpida picada. "Bonnie, me
de sua mo."
"Por qu?" disse Bonnie, olhando o alfinete com suspeita.
"Porque eu quero me casar com voc. Por que voc acha, idiota?"
"Mas  mas  Ah, tudo bem. Ai!"
"Agora voc, Elena." Meredith picou o dedo de Elena eficientemente, e ento espremeu-o
para conseguir uma gota de sangue. "Agoara," ela continuou, olhando para as outras duas
com brilhantes olhos negros, "todas ns pressionamos os nossos dedes juntos e juramos.
Especialmente voc, Bonnie. Jure manter esse segredo e fazer o que quer que Elena pea
em relao  Stefan."
"Olha, jurar com sangue  perigoso," Bonnie protestou seriamente. "Quer dizer que voc
tem que ser fiel ao seu juramente no importa o que acontecer, no importa o que,
Meredith."
"Eu sei," disse Meredith cruelmente. " por isso que eu estou dizendo para voc fazer isso.
Eu lembro do que aconteceu com Michael Martin."
Bonnie fez careta. "Isso foi h anos, e ns terminamos logo de qualquer jeito e  Ah, tudo
bem. Eu vou jurar." Fechando seus olhos, ela disse, "Eu juro manter isso secreto e fazer
qualquer coisa que Elena pea em relao  Stefan."
Meredith repetiu o julgamento. E Elena, encarando as plidas sombras dos dedes juntados
na reunio do anoitecer, tomou um longo flego e disse suavemente, "E eu juro no
descansar at que ele pertena a mim."
Uma rajada fria de vento soprou pelo cemitrio, ventilando o cabelo das meninas e fazendo
com que folhas secas se agitassem no cho. Bonnie arfou e recuou, e todas olharam ao
redor, ento riram nervosamente.
"Est escuro," disse Elena, surpresa.
" melhor irmos para casa," Meredith disse, fixando seu alfinete enquanto ficava de p.
Bonnie se levantou, tambm, colocando a ponta de seu dedo em seua boca.
"Tchau," disse Elena suavemente, encarando a lpide. A flor roxa era um borro no cho.
Ela pegou a fita laranja-amarelada que descansava ao lado dela, virou-se, e acenou para
Bonnie e Meredith. "Vamos."
Silenciosamente, elas se dirigiram  colina em direo  Igreja arruinada. O juramento feito
com sangue deu-lhes uma sensao solene, e enquanto elas passavam pela Igreja arruianada
Bonnie estremeceu. Com o Sol se pondo, a temperatura tinha abaixado abruptamente, e o
vento estava subindo. Cada rajada mandava sussuros pela grama e fazia com que as antigas
rvores de carvalho agitassem suas folhas suspensas.
"Eu estou congelando," Elena disse, parando por um momento no buraco negro que uma
vez fora a porta da Igreja e olhando para baixo para a paisagem.
A Lua ainda no tinha se erguido, e ela apenas podia perceber o antigo cemitrio e a Ponte
Wickery alm dele. O antigo cemitrio datava dos dias da Guerra da Secesso, e muitas das
lpides tinham nomes de soldados.
Parecia selvagem; arbustos e grandes ervas daninhas cresciam nas sepulturas, e heras
americanas abundavam granitos decadentes. Elena nunca gostara dele.
"Parece diferente, no? Na escurido, quero dizer," ela disse instavelmente. Ela no sabia
como dizer o que ela realmente quisera dizer, que no era um lugar para os vivos.
"Ns podamos ir pelo caminho longo," disse Meredith. "Mas isso significaria outros vinte
minutos de caminhada."
"Eu no me importo ir por esse caminho," disse Bonnie, engolindo em seco. "Eu sempre
disse que queria ser enterrada no antigo."
"D pra parar de falar sobre querer ser enterrada?" Elena repreendeu, e comeou a descer a
colina. Mas quando mais ela descia pelo estreito caminho, mais desconfortvel ela se
sentia. Ela diminuiu at que Bonnie e Meredith a alcanaram. A medida que elas se
aproximavam da primeira lpide, seu corao comeou a bater mais forte. Ela tentou
ignor-lo, mas toda sua pele estava formigando com percepo e os pelinhos em seus
braos estavam levantados. Entre as rajadas de vento, todo som parecia horrivelmente
magnfico; o esmagamento de seus ps contra o caminho de folhas espalhadas era
ensurdecedor.
A Igreja arruinada era uma silhueta preta atrs delas agora. O caminho estreito conduzia-se
entre as lpides incrustadas com lquen, muitas das quais eram maiores que Meredith.
Grandes o bastante para algo se esconder atrs, Elena pensou desconfortavelmente.
Algumas das prprias lpides eram amedrontadoras, como a com o querubim que parecia
um beb de verdade, exceto que sua cabea tinha cado e tinha sido cuidadosamente
colocada sob seu corpo. Os grandes olhos da cabea de granito estavam vazios. Elena no
conseguia desviar seu olhar dele, e seu corao comeou a golpear.
"Por que ns estamos parando?" disse Meredith.
"Eu s... sinto muito," Elena murmurou, mas quando se forou a virar ela imediatamente
endureceu.
"Bonnie?" ela disse. "Bonnie, qual  o problema?"
Bonnie estava encarando diretamente o cemitrio, seus lbios separados, seus olhos to
arregalados e vazios quanto os do querubim de pedra. Medo passou pelo estmago de
Elena. "Bonnie, pare com isso. Pare! No  engraado."
Bonnie no respondeu.
"Bonnie!" disse Meredith. Ela e Elena olharam uma para outra, e de repente Elena sabia
que tinha que escapar. Ela girou para comear a descer o caminho, mas uma voz estranha
falou atrs dela, e ela se virou rapidamente.
"Elena," a voz disse. No era a voz de Bonnie, mas vinha da boca de Bonnie. Plida na
escurido, Bonnie ainda estava encarando o cemitrio. No havia expresso em seu rosto de
jeito nenhum.
"Elena," a voz disse de novo, e acrescentou, a medida que a cabea de Bonnie virava em
direo  ela, "h algum esperando l fora por voc."
Elena nunca soube bem o que aconteceu nos prximos minutos. Algo pareceu se
movimentar entre as escuras sombras curvadas da lpide, mudando e se elevando entre elas.
Elena berrou e Meredith gritou por ajuda, e ento ambas estavam correndo, e Bonnie estava
correndo com elas, berrando, tambm.
Elena percorreu o estreito caminho, tropeando em pedras e protuberncias de raz de
grama. Bonnie estava soluando por ar atrs delas, e Meredith, a calma e cnica Meredith,
estava ofegando selvagemente. Houve uma repentina batida e um som agudo em uma
rvore de carvalho acima deles, e Elena descobriu que ela podia correr mais rpido.
"H algo atrs de ns," Bonnie chorou estridentemente. "Ah, Deus, o que est
acontecendo?"
"Vo para a ponte," arfou Elena atravs do fogo em seus pulmes. Ela no sabia porque,
mas ela sentia que elas tinham que chegar l. "No pare, Bonnie! No olhe para trs!" Ela
agarrou a manga da outra garota e a arrastou.
"Eu no consigo," Bonnie choramingou, agarrando com fora seu lado, seu ritmo hesitando.
"Sim, voc consegue," resmungou Elena, agarrando a manga de Bonnie novamente e a
forando a continuar se movendo. "Vamos. Vamos!"
Ela viu o brilho prateado de gua perante elas. E ali estava a clareira entre as rvores de
carvalho, e a ponte mais  frente. As pernas de Elena estavam tremendo e seu flego estava
sibilando em sua garganta, mas ela no ia se deixar retardar. Agora ela podia ver as tbuas
de madeira da ponte para pedestres. A ponte estava h seis metros delas, trs metros, um e
meio.
"Ns conseguimos," ofegou Meredith, os ps trovejando na madeira.
"No parem! Cheguem ao outro lado!"
A ponte rangeu a medida que elas corriam vacilantemente por ela, seus passos ecoando pela
gua. Quando ela pulou na terra comprimida na margem distante, Elena por fim soltou a
manga de Bonnie, e permitiu que suas pernas cambaleassem e parassem.
Meredith estava curvada, as mos nos quadris, respirando profundamente. Bonnie estava
chorando.
"O que foi isso? Ah, o que foi isso?" ela disse. "Ainda est vindo?"
"Eu pensei que voc fosse a expert," Meredith disse instavelmente. "Peloe amor de Deus,
Elena, vamos cair fora daqui."
"No, est tudo bem agora," Elena sussurou. Havia lgrimas em seus prprios olhos e ela
estava tremendo, mas o hlito quente na parte de trs de seu pescoo tinha sumido. O rio se
esticava entre ela e aquilo, as guas um tumulto escuro. "Aquilo no pode nos seguir aqui,"
ela disse.
Meredith a encarou, ento a outra margem com suas rvores de carvalho agrupadas, ento
Bonnie. Ela molhou seus lbios e riu brevemente. "Claro. No pode nos seguir. Mas vamos
para casa de qualquer jeito, est bem? A no ser que voc queira passar a noite aqui."
Algumas sensaes inomeveis estremeceram por Elena. "No hoje, obrigada," ela disse.
Ela colocou um brao ao redor de Bonnie, que ainda estava fungando. "Est tudo bem,
Bonnie. Ns estamos a salvo agora. Vamos."
Meredith estava olhando atravs do rio novamente. "Sabe, eu no vejo nada l trs," ela
disse, sua voz mais calma. "Talvez no houvesse nada atrs de ns de modo algum; talvez
ns simplesmente entramos em pnico e nos assustamos. Com uma ajudinha de nossa
sacerdotisa druda aqui."
Elena no disse nada a medida que elas comearam a caminhar, mantendo-se muito juntas
pelo caminho de terra. Mas ela queria saber. Ela queria muito saber.
Captulo Cinco

A Lua cheia estava diretamente em cima quando Stefan voltou  penso. Ele estava tonto,
quase cambaleando, tanto da fatiga quanto da fartura de sangue que tomara. Havia muito
desde que ele se permitira alimentar to pesadamente. Mas a exploso de Poder selvagem
no cemitrio o havia pegado em seu frenesi, destruindo seu j fraco controle. Ele ainda no
estava certo de onde o Poder tinha vindo. Ele esteve observando as garotas humanas de seu
lugar nas sombras quando isso explodiu atrs dele, fazendo as garotas fugirem. Ele foi pego
entre o medo delas correrem para o rio e o desejo de provar esse Poder e achar sua fonte.
No final, ele havia seguido ela, incapaz de arriscar que ela se machucasse.
Algo negro tinha levantado vo em direo  floresta enquanto as humanas alcanavam o
santurio da ponte, mas nem mesmo os sentidos noturnos de Stefan podiam identificar o
que era. Ele tinha observado enquanto ela e as outras duas foram em direo  cidade.
Ento ele se voltou para o cemitrio.
Estava vazio agora, purificado do que quer que seja que esteve l. No cho encontrava-se
uma fina fita de seda que para olhos comuns teria sido cinza na escurido. Mas ele viu sua
cor verdadeira, e enquanto ele a esmagava entre seus dedos, levantando-a levemente para
tocar seus lbios, ele podia sentir o cheiro do cabelo dela.
A memria o engolfou. J era ruim o bastante quando ela estava fora de vista, quando o
calmo brilho de sua mente apenas provocava as margens de sua conscincia. Mas estar na
mesma sala que ela na escola, sentir sua presena atrs dele, cheirar a entoxicante fragncia
de sua pele ao redor dele, era quase mais do que ele podia suportar.
Ele tinha ouvido cada flego suave que ela tomava, sentido seu calor radiando contra suas
costas, percebido cada batimento de seu doce pulso. E eventualmente, para seu horror, ele
se encontrou cedendo-se  isso. Sua lngua tinha roado para frente e para trs sobre seu
dente canino, apreciando o prazer-dor que estava crescendo ali, encorajando-o. Ele tinha
respirado seu cheiro deliberadamente para dentro de suas narinas, e deixado as vises irem
at ele, imaginando tudo. Quo suave o pescoo dela seria, e como os lbios dele iriam
encontr-lo com igual suavidez no comeo, plantado pequeninos beijos aqui, e aqui, at que
ele alcanasse a doce depresso de sua garganta. Como ele iria esfregar seu nariz ali, no
local onde o corao dela batia to forte contra sua pele delicada. E como por fim seus
lbios iriam se separar, iriam retroceder os dolorosos dentes agora to afiados quanto
pequenas adagas, e 
No. Ele saiu do transe com um solavanco, seu prprio pulso batendo alardeantemente, seu
corpo tremendo.
A turma fora dispensada, havia movimento a toda sua volta, e ele pde apenas esperar que
ningum o estivesse observando muito de perto.
Quando ela falara com ele, ele no fora capaz de acreditar que tivera que encar-la enquanto
suas veias queimavam e todo a sua mandbula doa. Ele tivera medo por um momento que
seu controle se quebraria, que ele iria agarrar os ombros dela e lev-la na frente de todos
eles. Ele no tinha idia de como tinha escapado, somente que algum tempo depois ele
estava focalizando sua energia em exrcios rduos, levemente consciente que no devia
usar seus Poderes. No importava; mesmo sem eles ele era em todos os sentidos superior
aos garotos mortais que competiam com ele no campo de futebol americano.
Sua viso era mais aguada, seus reflexos mais rpidos, seus msculos mais fortes. Nesse
instante uma mo bateu em suas costas e a voz de Matt soou em seus ouvidos:
"Parabns! Bem-vindo ao time!"
Olhando para aquele rosto honesto e sorridente, Stefan foi dominado com embaraamento.
Se voc soubesse o que eu sou, voc no sorriria para mim, ele pensou cruelmente. Eu
ganhei a sua competio enganando. E a garota que voc ama  voc a ama, no?  est em
meus pensamentos agora.
E ela permanecera em seus pensamentos apesar de todos os seus esforos naquela tarde
para ban-la. Ele havia perambulado cegamente para o cemitrio, puxado da floresta por
uma fora que no entendia. Uma vez que estava l ele a observara, lutando contra si
mesmo, lutando contra a necessidade, at que a exploso de Poder ps ela e suas amigas a
correr. E ento ele voltara para casa  mas somente depois de se alimentar. Depois de
perder o controle sobre si mesmo.
Ele no conseguia lembrar exatamente como tinha acontecido, como ele havia deixado isso
acontecer. Aquela chama de Poder tinha comeado isso, acordado coisas dentro dele que
eram melhores deixadas adormecidas. A necessidade de caar. A nsia pela perseguio,
pelo cheiro do medo e o triunfo selvagem da matana. Fazia anos  sculos  desde que ele
sentira a necessidade com tanta fora. Suas veias tinha comeado a queimar como fogo. E
todos os seus pensamentos tinham virado vermelho: ele no podia pensar em nada alm do
quente gosto cprico, a vibrao primordial de sangue.
Com aquela animao ainda se alastrando dentro dele, ele deu um ou dois passos atrs das
garotas. O que podia ter acontecido se ele no tivesse sentido o velho era melhor no se
pensar. Mas a medida em que ele alcanava o final da ponte, suas narinas se alargaram com
o aguo e distinto odor de carne humana.
Sangue humano. O elixir supremo, o vinho proibido. Mais intoxicante que qualquer liquor,
a fumegante essncia da prpria vida. E ele estava to cansado de lutar contra a
necessidade.
Houve um movimento no banco debaixo da ponte, como uma pilha de trapos velhos se
movendo. E no instante seguinte, Stefan pousou graciosamente, como um gato, ao lado
dele. Suas mos puxaram os trapos para longe, expondo um rosto fenecido e vacilante em
cima de um esqueltico pescoo. Suas lbios se retraram.
E ento no houve som algum alm do da alimentao.
Agora, enquanto ele tropeava na escada principal da penso, ele tentou no pensar nisso, e
no pensar nela  na garota que o tentava com seu calor, sua vida. Ela fora aquela que ele
verdadeiramente desejara, mas ele tinha que dar um basta nisso, ele devia matar quaisquers
pensamentos assim antes que fossem comeados, de agora em diante. Pelo seu bem, e pelo
bem dela. Ele era o pior pesadelo dela que virara realidade, e ela nem ao menos sabia.
"Quem est a?  voc, garoto?" uma voz rachada chamou com severidade. Uma das portas
do segundo andar abriu, e uma cabea cinzenta apareceu.
"Sim, signora  Sra. Flowers. Sinto muito se a incomodei."
"Ah, precisa de mais do que uma tbua de assoalho rangendo para me incomodar. Voc
trancou a porta atrs de voc?"
"Sim, signora. Voc est... a salvo."
"Est certo. Precisamos ficar a salvo aqui. Nunca se sabe o que pode estar a fora nessas
florestas, sabe?" Ele olhou rapidamente para o pequeno rosto sorridente cercado por fios de
cabelo cinza, os brilhantes olhos se movendo rpido. Havia um segredo escondido neles?
"Boa noite, signora."
"Boa noite, garoto." Ela fechou a porta.
Em seu prprio quarto ele caiu na cama e se deitou encarando o baixo e inclinado teto.
Geralmente ele descansava desconfortavelmente de noite; no era sua hora natural de sono.
Mas hoje  noite ele estava cansado. Gastava tanta energia encarar a luz do dia, e a refeio
pesada s contribuiu para sua letargia. Logo, embora seus olhos no tivessem se fechado,
ele no mais via o teto pintado de branco acima de si.
Recortes aleatrios de memria flutuaram por sua mente. Katherine, to adorvel naquela
noite na fonte, a luz do luar cobrindo de prata seu claro cabelo dourado. Quo orgulhoso ele
esteve de sentar-se com ela, ser aquele que compartilhara o segredo dela...
"Mas voc nunca pode sair  luz do Sol?"
"Eu posso, sim, contanto que eu use isso." Ela levantou uma pequena mo branca, e a luz
do luar brilhou no anel de lpis-lazli ali. "Mas o Sol me cansa tanto. Eu nunca fui muito
forte."
Stefan olhou para ela, para a delicadez de seus traos e a pequenez de seu corpo. Ela era
quase to insubstancial quanto l de vidro. No, ela nunca teria sido forte.
"Eu estava freqentemente doente quando criana," ela disse suavemente, seus olhos no
jogo de gua na fonte. "Da ltima vez, o cirurgio disse que eu finalmente iria morrer. Eu
lembro do papa* chorando, e eu lembro de deitar na minha grande cama, fraca demais para
me mover. Cada respirao era muito esforo. Eu estava to triste de deixar o mundo e com
tanto frio, com muito frio."
* aqui o sentido  de papai, no de Papa, da Igreja.
Ela estremeceu, e ento sorriu.
"Mas o que aconteceu?"
"Eu acordei no meio da noite para ver Gudren, minha camareira, de p perto da minha
cama. E ento ela deu um passo pro lado, e eu vi o homem que ela trouxera. Eu fiquei
aterrorizada. Seu nome era Klaus, e eu escutei as pessoas na vila dizerem que ele era
maligno. Eu gritei para Gruden me salvar, mas ela s ficou parada l, observando.
Quando ele colocou sua boca no meu pescoo, eu achei que ele fosse me matar."
Ela parou. Stefan estava encarando-a com horror e pena, e ela sorriu reconfortantemente
para ele. "No foi to terrvel afinal. Houve um pouco de dor no comeo, mas isso
rapidamente passou. E a sensao na verdade era prazerosa. Quando ele me deu seu prprio
sangue para beber, eu me senti mais forte do que estivera h meses. E ento ns esperamos
juntos as horas at o amanhecer. Quando o cirurgio veio, ele no pde acreditar que eu era
capaz de me sentar e falar. Papa disse que era um milagre, e ele chorou novamente de
alegria." Seu rosto ficou perturbado. "Eu terei que deixar meu papa em breve. Um dia ele
ir perceber que desde a doena eu no envelheci uma hora sequer."
"E voc nunca ir?"
"No. Essa  a maravilha disso, Stefan!" Ela olhou para ele com uma alegria infantil. "Eu
serei jovem para sempre, e nunca morrerei! Imagina?"
Ele no podia imagin-la como outra coisa que no o que ela era agora: adorvel, inocente,
perfeita. "Mas  voc no achou isso aterrorizante no comeo?"
"No comeo, um pouco. Mas Gudren me mostrou o que fazer. Foi ela que me disse para
fazer esse anel, com uma pedra que me protegeria da luz do Sol. Enquanto eu deitava na
cama, ela me trazia possets* fartos e quentes para beber. Mais tarde, ela me trouxe animais
que seu filho capturava.'
* uma bebida feita de leite quente coalhado, cerveja, vinho, etc, e tomada geralmente na
hora de dormir.
"No... pessoas?"
Sua risada soou alto. " claro que no. Eu posso conseguir tudo o que eu preciso em uma
noite de uma pomba. Gudren diz que se eu desejar ser poderosa eu devo tomar sangue
humano, j que a essncia da vida de um humano  mais forte. E Klaus costumava me
encorajar, tambm; ele queria fazer troca de sangue novamente. Mas eu digo  Gudren que
eu no quero poderes. E quanto  Klaus..." Ela parou e abaixou seus olhos, ento pesados
clios deitaram-se sobre sua bochecha. Sua voz estava muito suave enquanto continuava.
"Eu no acho que  algo para se fazer levianamente. Eu tomarei sangue humano somente
quando achar meu companheiro, aquele que ficar ao meu lado por toda eternidade." Ela
olhou para ele seriamente.
Stefan sorriu para ela, sentindo-se tonto e explodindo de orgulho. Ele mal podia conter a
felicidade que sentia naquele momento.
Mas isso foi antes de seu irmo Damon voltar da universidade. Antes que Damon voltasse e
visse os olhos azuis de pedras preciosas de Katherine.


Da sua cama no quarto de telhado baixo, Stefan gemeu. Ento a escurido puxou-o para as
profundezas e novas imagens comearam a adejar por sua mente.
Eram vislumbres esparsos do passado que no formavam uma seqncia conectada. Ele os
via como cenas brevemente iluminadas por flashes de luz. O rosto de seu irmo, deformado
numa mscara de raiva desumana.
Os olhos azuis de Katherine brilhando e danando a medida que ela piruetava em seu novo
vestido branco. O vislumbre branco atrs de um limoeiro. A sensao de uma espada em
sua mo; a voz de Giuseppe gritando de longe. O limoeiro. Ele no deve ir atrs do
limoeiro. Ele viu o rosto de Damon novamente, mas dessa vez seu irmo estava rindo
selvagemente. Rindo continuamente, um som como o esmigalhamento de um copo
quebrado. E o limoeiro estava perto agora...
"Damon  Katherine  no!"
Ele estava sentado totalmente ereto em sua cama.
Ele correu mos trmulas por seu cabelo e estabilizou sua respirao.
Um sonho terrvel. Havia muito tempo que ele fora torturado por sonhos como aquele;
muito tempo, deveras, desde que ele tivera um sonho. Os ltimos poucos segundos
repetiram-se continuadamente em sua mente, e ele viu novamente o limoeiro e ouviu
novamente a risada de seu irmo.
Aquilo ecoava em sua mente quase claramente demais. De repente, sem estar atento de uma
deciso consciente de se mover, Stefan se encontrou na janela aberta. O ar noturno estava
gelado nas suas bochechas a medida em que ele olhava na prateada escurido.
"Damon?" Ele enviou o pensamento em uma exploso de Poder, investigando. Ento ele
caiu em absoluta imobilidade, escutando com todos os seus sentidos.
Ele no sentia nada, nenhuma onda de resposta. Perto, um par de pssaros noturnos
levantou vo. Na cidade, muitas mentes estavam dormindo; na floresta, animais noturnos
cuidaram de seus negcios secretos.
Ele suspirou e voltou-se para o quarto. Talvez ele estivesse errado quanto  risada; talvez
ele at mesmo estivesse errado sobre a amea no cemitrio. Fell's Church estava quieta, e
pacfica, e ele deveria tentar emular isso. Ele precisava dormir.


5 de setembro (na verdade comeo de 6 de setembro  por volta de 1h) Querido Dirio,
Eu devia voltar logo para cama. H apenas alguns minutos eu acordei pensando que
algum estava gritando, mas agora a casa est silenciosa. Tantas coisas estranhas
aconteceram hoje  noite que meus nervos esto em alerta, acho.
Pelo menos acordei sabendo exatamente o que vou fazer com Stefan. O negcio todo meio
que brotou na minha mente. Plano B, Fase Um, comea amanh.


Os olhos de Frances estavam flamejando, e suas bochechas estavam enrubescidas a medida
que ela se aproximava das trs garotas na mesa.
"Ah, Elena, voc tem que ouvir essa!"
Elena sorriu para ela, educada mas no muito ntima. Frances abaixou sua cabea morena.
"Quer dizer... posso me juntar  vocs? Eu acabei de ouvir a coisa mais selvagem sobre
Stefan Salvatore."
"Sente-se," disse Elena graciosamente. "Mas," ela acrescentou, passando manteiga em um
pozinho, "no estamos muito interessadas na notcia."
"Voc--?" Frances encarou. Ela olhou para Meredith, ento para Bonnie. "Vocs esto
brincando, certo?"
"Nem um pouco." Meredith furou uma ervilha e a olhou pensativamente. "Temos outras
coisas em mente hoje."
"Exatamente," disse Bonnie depois de um comeo repentino. "Stefan  notcia velha, sabe.
Pass." Ela se abaixou e massageou seu tornozelo.
Frances olhou suplicantemente para Elena. "Mas eu achei que voc quisesse saber tudo
sobre ele."
"Curiosidade," Elena disse. "Afinal de contas, ele  um visitante, e eu queria dar-lhe as
boas-vindas  Fell's Church. Mas  claro que eu tenho que ser leal  Jean-Claude."
"Jean-Claude?"
"Jean-Claude," disse Meredith, levantando suas sobrancelhas e suspirando.
"Jean-Claude," ecoou Bonnie entusiadasmente.
Delicadamente, com o dedo e o indicador, Elena tirou uma foto de sua mochila. "Aqui est
ele de p na frente do cottage em que ficamos. Logo depois de ter me dado uma flor e dito...
"Bem,"  ela sorriu misteriosamente  "Eu no deveria repetir."
Frances estava olhando a foto. Mostrava um jovem bronzeado, sem camisa, de p em frente
 um arbusto de hibisco e sorrindo timidamente. "Ele  mais velho, no ?" ela disse com
respeito.
"Vinte e um.  claro,"  Elena olhou por sobre o ombro para a fila  "minha tia nunca
aprovaria, ento estamos escondendo dela at que eu me forme. Ns temos que escrever um
para o outro em segredo."
"Que romntico," Frances exalou. "Eu no contarei  uma alma, prometo. Mas quanto 
Stefan..."
Elena lanou-lhe um sorriso superior. "Se," ela disse, "Eu vou desfrutar de algo europeu,
prefiro francs  italiano toda vez." Ela virou-se para Meredith. "Certo?"
"Mm-hmm. Toda vez." Meredith e Elena sorriram conscientemente uma  outra, ento
viraram-se para Frances.
"No concorda?"
"Oh, sim," disse Frances afobadamente. "Eu, tambm. Toda vez." Ela prpria sorriu
conscientemente e acenou com a cabea diversas vezes enquanto se levantava e ia embora.
Quando ela se foi, Bonnie disse de forma lastimosa, "Isso ir me matar." Elena, eu vou
morrer se no ouvir a fofoca."
"Oh, aquilo? Eu posso te contar," Elena replicou calmamente. "Ela ia dizer que tem um
rumor circulando que Stefan Salvatore  um policial da narcticos."
"Um o qu!" Bonnie encarou, e ento caiu na risada. "Mas isso  ridculo. Que policial da
narcticos no mundo iria se vestir daquele jeito e usar culos escuros? Quero dizer, ele fez
tudo o que pde para chamar atenao para si mesmo..." Sua voz dissipou-se, e seus olhos
castanhos arregalaram-se. "Mas ento, isso pode ser o porque dele fazer isso.
Quem iria suspeitar de algum to bvio? E ele mora sozinho, e  terrivelmente reservado...
Elena! E se for verdade?"
"No ," disse Meredith.
"Como voc sabe?"
"Porque fui eu que comecei." Com a expresso de Bonnie, ela sorriu e acrescentou: "Elena
me disse para fazer."
"Ohhhh." Bonnie olhou admiravelmente para Elena. "Voc  m. Posso contar s pessoas
que ele tem uma doena terminal?"
"No, no pode. Eu no quero nenhum tipo de Florence Nightingale* se alinhando para
segurar sua mo.
* Florence Nightingale (1820-1910) foi uma enfermeira britnica famosa pelo seu
tratamento dos doentes
 Mas voc pode contar s pessoas o que quiser sobre Jean-Claude."
Bonnie pegou a fotografia. "Quem ele realmente era?"
"O jardineiro. Ele era louco por esses arbustos de hibisco. Ele tambm era casado, com dois
filhos."
"Pena," disse Bonnie seriamente. "E voc disse  Frances para no contar  ningum sobre
ele..."
"Certo." Elena checou seu relgio. "O que significa que as, ah, diga-se duas horas, deve
estar por toda a escola."


Depois da escola, as garotas foram  casa de Bonnie. Elas foram recebidas na porta da
frente por um estridente latido, e quando Bonnie abriu a porta, um muito velho e muito
gordo pequins tentou escapar. Seu nome era Yangtze, e ele era to mimado que ningum
exceto a me de Bonnie o suportava. Ele beliscou o tornozelo de Elena enquanto ela
passava.
A sala de estar era turva e lotada, com um monte de mveis particularmente enfeitados e
pesadas cortinas nas janelas. A irm de Bonnie, Mary, estava l, tirando o alfinete do
chapu em seu ondulado cabelo vermelho. Ela era apenas dois anos mais velha que Bonnie,
e ela trabalhava na clnica de Fell's Church.
"Oh, Bonnie," ela disse, "Fico feliz por estar de volta. Ol, Elena, Meredith."
Elena e Meredith disseram "ol". "Qual o problema? Voc parece cansada," disse Bonnie.
Mary deixou seu chapu na mesinha de centro. Ao invs de responder, ela fez uma
pergunta. "Ontem  noite quando voc voltou para casa to abatida, onde voc disse que
vocs garotas tinham estado?"
"L no  s l na Ponte Wickery."
"Foi o que eu pensei." Mary tomou um longo flego. "Agora, me escute, Bonnie
McCullough. Nunca mais v l novamente, e especialmente sozinha e  noite. Voc
entendeu?"
"Mas por que no?" Bonnie perguntou, estupefata.
"Porque ontem  noite algum foi atacado l,  por isso que no. E voc sabe onde eles o
encontraram? Bem no banco debaixo da Ponte Wickery."
Elena e Meredith se encararam com assombro, e Bonnie agarrou com fora o brao de
Elena. "Algum foi atacado debaixo da ponte? Mas quem foi? O que aconteceu?"
"Eu no sei. Essa manh um dos trabalhadores do cemitrio o viu deitado l. Ele era algum
mendigo, suponho, e provavelmente estava dormindo debaixo da ponte quando foi atacado.
Mas ele estava parcialmente morto quando o trouxeram, e ele no recobrou a conscincia
ainda. Ele pode morrer."
Elena engoliu em seco. "O que voc quer dizer, atacado?"
"Quero dizer," disse Mary claramente, "que sua garganta quase foi arrancada. Ele perdeu
uma quantidade incrvel de sangue. No comeo eles acharam que poderia ter sido um
animal, mas agora o Dr. Lowen diz que foi uma pessoa. E a polcia disse que quem quer
que tenha feito isso pode estar se escondendo no cemitrio." Mary olhou para cada uma
delas em fila, sua boca uma linha reta. "Ento se vocs estiveram na ponte  ou no
cemitrio, Elena Gilbert  ento essa pessoa pode ter estado l com vocs. Entenderam?"
"Voc no tem mais que nos assustar," disse Bonnie fracamente. "Ns entendemos, Mary."
"Tudo bem. Bom." Os ombros de Mary tombaram, e ela esfregou a parte de trs de seu
pescoo cansadamente. "Eu tenho que deitar por um instante. Eu no quis ser brigona." Ela
saiu da sala de estar.
Sozianhas, as trs garotas olharam uma para outra.
"Poderia ter sido a gente," disse Meredith silenciosamente. "Especialmente voc, Elena;
voc foi l sozinha."
A pele de Elena estava formigando, a mesma dolorosa sensao de alerta que ela tivera no
velho cemitrio. Ela podia sentir o frio do vento e ver as fileiras de altas lpides ao redor
dela. A felicidade e Robert E. Lee nunca pareceram to distantes.
"Bonnie," ela disse lentamente, "voc viu algum l? Foi isso o que quis dizer quando disse
que algum estava esperando por mim?"
Na turva sala, Bonnie olhou para ela sem entender. "Do que est falando? Eu no disse
isso."
"Sim, voc disse."
"No, no disse. Eu nunca disse isso."
"Bonnie," disse Meredith, "ambas ouvimos voc. Voc encarou as velhas lpides, e ento
disse  Elena "
"Eu no sei do que esto falando, eu no disse nada." O rosto de Bonnie estava espremido
com raiva, mas havia lgrimas em seus olhos. "Eu no quero mais falar sobre isso."
Elena e Meredith olharam uma para outra desamparadamente. L fora, o Sol foi para trs de
uma nuvem.




Captulo Seis

26 de setembro
Querido Dirio,
Sinto muito ter passado tanto tempo, e eu no posso realmente explicar porque no escrevi
 exceto que h tantas coisas que eu tenho medo de falar, at mesmo com voc.
Primeiro, a coisa mais horrvel aconteceu. No dia que Bonnie e Meredith e eu estvamos
no cemitrio, um velho foi atacado l, e quase morreu. A polcia ainda no achou a pessoa
que fez isso. As pessoas acham que o velho  louco, porque quando ele acordou ele
comeou a delirar sobre "olhos no escuro" e rvores de carvalho e coisas. Mas eu me
lembro do que aconteceu conosco naquela noite, e me pergunto. Isso me assusta.
Todos ficaram assustados por um tempo, e toda a garotada teve que ficar dentro de casa
depois de escurecer ou sair em grupos.
Mas j se passou quase trs semanas agora, e no houve mais ataques, ento a animao
est se acabando. Tia Judith diz que deve ter sido algum outro vagabundo que o fez. O pai
de Tyler Smallwood at mesmo sugeriu que o velho pode ter feito isso  ele mesmo  mas
eu quero ver algum se morder no pescoo.
Mas na maior parte eu estive ocupada com o Plano B. At agora, est indo bem. Eu recebi
diversas cartas e buqus de rosas vermelhas de "Jean-Claude" (o tio de Meredith  um
florista), e todo mundo parece ter esquecido que eu j me interessei pelo Stefan. Ento
minha posio social est segura. At mesmo Caroline no tem criado nenhum problema.
De fato, eu no sei o que Caroline est fazendo esses dias, e eu no ligo. Eu nunca mais a
vejo no almoo ou depois da escola; ela parece ter se afastado completamente de sua
antiga multido.
H somente uma coisa sobre a qual eu ligo agora. Stefan.
At Bonnie e Meredith no percebem o quo importante ele  para mim. Eu tenho medo de
contar  elas; eu tenho medo que elas achem que eu sou louca. Na escola eu uso uma
mscara de tranqilidade e controle, mas do lado de dentro  bem, a cada dia s piora.
Tia Judith comeou a se preocupar comigo. Ela diz que eu no como o suficiente nos
ltimos dias, e ela est certa.
Eu no consigo me concentrar nas aulas, ou mesmo em algo divertido como a festa para
arrecadao de fundos Casa Assombrada. Eu no consigo concentrar em nada alm dele.
E eu nem mesmo entendo porque.
Ele no falou comigo desde aquela tarde horrvel. Mas eu vou te contar algo estranho.
Semana passada na aula de histria, eu olhei para cima e o peguei olhando para mim. Ns
estvamos sentados h alguns assentos de diferena, e ele estava virado completamente
para o lado em sua mesa, simplesmente olhando. Por um momento eu me senti quase
assustada, e meu corao comeou a golpear, e ns simplesmente encaramos um ao outro
 e ento ele desviou o olhar. Mas desde ento aconteceu mais duas vezes, e em cada vez
eu senti seus olhos em mim antes que eu os visse. Essa  a verdade literal. Eu sei que no 
minha imagianao.
Ele no  como qualquer outro garoto que eu j conheci.
Ele parece to isolado, to solitrio. Apesar disso ser uma escolha prpria. Ele foi um
sucesso no time de futebol, mas ele no anda com nenhum dos garotos, exceto talvez Matt.
Matt  o nico com quem ele fala. Ele no anda com nenhuma garota, tampouco, que eu
veja, ento talvez o rumor de policial da narcticos esteja fazendo um bem. Mas  mais
como se ele estivesse evitando as pessoas do que elas estivessem evitando-o. Ele
desaparece entre as aulas e depois do treino de futebol, e eu nunca o vi uma vez sequer na
cantina. Ele nunca convidou ningum para seu quarto na penso. Ele nunca visitou a
cafeteria depois da escola.
Ento como eu posso conseguir que ele fique em um lugar onde no poder correr de
mim? Esse  o verdadeiro problema com o Plano B. Bonnie diz, "Por que no ficar presa
em um temporal com ele, ento vocs tero que se aninhar juntos para conservar calor
corporal?" E Meredith sugeriu que meu carro quebrasse na frente da penso. Mas
nenhuma dessas idias  conveniente, e eu estou enlouquecendo tentando bolar algo
melhor.
A cada dia est piorando para mim. Eu me sinto como se fosse um relgio ou algo do tipo,
dando corda cada vez mais. Se eu no achar algo para fazer logo, eu vou 
Eu ia dizer "morrer."


A soluo chegou  ela bem repentina e simplesmente.
Ela sentiu pena de Matt; ela sabia que ele se magoara com o rumor Jean-Claude. Ele mal
tinha falado com ela desde que a histria vazou, geralmente passando por ela com um
rpido aceno de cabea. E quando ela o encontrou um dia em um corredor vazio do lado de
fora de Escrita Criativa, ele no encontrava os olhos dela.
"Matt--" ela comeou. Ela queria dizer  ele que no era verdade, que ela nunca teria
comeado a se encontrar com outro garoto sem dizer  ele primeiro. Ela queria dizer  ele
que nunca quisera mago-lo, e que ela se sentia horrvel agora. Mas ela no sabia como
comear. Finalmente, ela simplesmente disse sem pensar, "Sinto muito!" e se virou para ir
para aula.
"Elena," ele disse, e ela se virou. Ele estava olhando para ela agora, pelo menos, seus olhos
prolongando-se nos lbios dela, em seu cabelo. Ento ele balanou sua cabea como se para
dizer que ele era a piada. "Esse cara francs  de verdade?" ele exigiu finalmente.
"No," Elena disse imediatamente e sem hesitao. "Eu o inventei," ela acrescentou
simplesmente, "para mostrar para todo mundo que eu no estava aborrecido por causa"
Ela parou abruptamente.
"Por causa do Stefan. Eu entendo." Matt concordou, parecendo tanto ameaador quanto de
algum jeito mais compreensivo. "Olha, Elena, aquilo foi bem babaca dele. Mas eu no acho
que foi pessoal. Ele  desse jeito com todo mundo"
"Exceto voc."
"No. Ele fala comigo, s vezes, mas no sobre nada pessoal. Ele nunca diz nada sobre a
sua famlia ou o que ele faz fora da escola.  como  como se tivesse uma parede ao redor
dele que eu no posso passar. Eu no acho que ele j deixou algum passar aquela parede.
O que  uma baita pena, porque eu acho que por trs dela ele est miservel."
Elena ponderou isso, fascinada por uma viso de Stefan que ela nunca havia consderado
antes. Ele sempre parecera to controlado, to calmo e despreocupado. Mas tambm, ela
sabia que ela mesma parecia desse jeito para as outras pessoas.
Seria possvel que embaixo de tudo ele era to confuso e infeliz quanto ela?
Foi ento que a idia veio, e era ridiculamente simples. Sem planos complicados, sem
temporais ou carros quebrando.
"Matt," ela disse, lentamente, "no acha que seria uma coisa boa se algum fosse para trs
daquela parede? Uma coisa boa para o Stefan, quero dizer? Voc no acha que essa seria a
melhor coisa que poderia acontecer  ele?
Ela olhou para ele intensamente, querendo que ele entendesse.
Ele a encarou por um momento, ento fechou seus olhos brevemente e balanou sua cabea
em descrena. "Elena," ele disse, "voc  inacreditvel. Voc torce as pessoas com o seu
dedo, e eu no acho que voc ao menos sabe que est fazendo isso. E agora voc vai me
pedir para fazer algo para emboscar Stefan, e eu sou um bundo to idiota que eu posso at
mesmo concordar com isso."
"Voc no  idiota, voc  um cavalheiro. E eu quero te pedir um favor, mas s se voc
achar que  certo. Eu no quero magoar Stefan, e eu no quero magoar voc."
"No quer?"
"No. Eu sei como isso deve soar, mas  verdade. Eu s quero" ela parou abruptamente de
novo. Como ela podia explicar o que ela queria quando nem ela mesma entendia?
"Voc s quer todos e tudo girando ao redor de Elena Gilbert," ele disse amargamente.
"Voc s quer tudo que no tem."
Chocada, ela deu um passo para trs e olhou para ele. Sua garganta inchou, e calor se reuniu
em seus olhos.
"No," ele disse. "Elena, no fique assim. Sinto muito." Ele suspirou. "Tudo bem, o que eu
tenho que fazer? At-lo e jog-lo na sua entrada?"
"No," disse Elena, ainda tentando fazer com que as lgrimas voltassem para onde
pertenciam. "Eu s queria que voc fizesse com que ele fosse para o Baile de Boas-Vindas
semana que vem."
A expresso de Matt era estranha. "Voc s quer que ele esteja no baile."
Elena concordou.
"Tudo bem. Eu tenho quase certeza que ele estar l. E, Elena... no h ningum que eu
queira levar alm de voc."
"Tudo bem," disse Elena aps um momento. "E, bem, obrigada."
A expresso de Matt ainda estava peculiar. "No me agradea, Elena. No  nada...
mesmo." Ela estava tentando decifrar isso quando ele se virou e caminhou pelo corredor.


"Fique parada," disse Meredith, dando ao cabelo de Elena uma contoro reprovadora.
"Eu ainda acho," disse Bonnie do assento da janela, "que ambos estavam maravilhosos."
"Quem?" Elena murmurou distraidamente.
"Como se no soubesse," disse Bonnie. "Esses seus dois caras que conseguiram um milagre
de ltimo minuto no jogo ontem. Quando Stefan pegou aquele ltimo passo, eu achei que ia
desmaiar. Ou vomitar."
"Ah, por favor," disse Meredith.
"E Matt  aquele garoto  simplesmente poesia em ao..."
"E nenhum deles  meu," Elena disse categoricamente. Debaixo dos dedos experts de
Meredith, seu cabelo estava se tornando um objeto de arte, uma massa suave de um
dourado torcido. E o vestido era legal; a cor violeta-gelo destacava o violeta em seus olhos.
Mas mesmo para si mesma ela parecia plida e dura, no levemente corada com animao
mas branca e determinada, como um soldado muito jovem sendo mandado  linha de
combate.
De p no campo de futebol americano ontem quando seu nome foi anunciado como Rainha
das Boas-Vindas, havia apenas um pensamento em sua mente. Ele no podia se recusar a
danar com ela. Se ele fosse para o baile de algum jeito, ele no podia recusar a Rainha das
Boas-Vindas. E de p em frente ao espelho agoa, ela disse isso para si mesma.
"Hoje  noite qualquer um que voc quiser ser seu," Bonnie estava dizendo
tranqilizantemente. "E, escuta, quando voc se livrar do Matt, posso peg-lo e
confort-lo?"
Meredith bufou. "O que Raymond vai pensar?"
"Oh, voc pode confortar ele. Mas, srio, Elena, eu gosto do Matt. E uma vez que voc vai
se concentrar no Stefan, o seu mnage  trois vai ficar um pouco lotado. Ento..."
"Oh, faa o que quiser. Matt merece um pouco de considerao." Ele certamente no est
conseguindo comigo, Elena pensou. Ela ainda no podia exatamente acreditar no que estava
fazendo com ele. Mas bem agora ela no podia se dar ao luxo de duvidar de si mesma; ela
precisava de toda a sua fora e concentrao.
"Pronto." Meredith ps o ltimo prendedor no cabelo de Elena. "Ora, olhe para ns, a
Rainha das Boas-Vindas e sua corte - parte dela, de qualquer jeito. Ns estamos lindas."
"Esse  o `ns' real*?" Elena disse zombateiramente, mas era verdade. Elas estavam lindas.
O vestido de Meredith era um arrebatamento puro de cetim vermelho-vinho, preso
apertadamente na cintura e fluindo em pregas no quadril. Seu cabelo escuro estava solto em
suas costas. E Bonnie, enquanto se levantava e se juntava s outras na frente do espelho, era
como uma presentinho cintilando em tafet rosa e lantejoulas pretas.
* do original 'royal we'.  o uso do pronome 'ns' para se referir  uma nica pessoa, algum
que tem um alto cargo, geralmente um monarca, bispo, papa, reitor.
E quanto a si mesma... Elena escaneou sua imagem com um olho experiente e pensou
novamente, O vestido  legal. A nica outra frase que veio  sua mente foi violetas
cristalizadas. Sua av tinha mantido um pequeno jarro delas, flores de verdade
mergulhadas em aucar cristalizado e congeladas.
Elas desceram as escada juntas, como tinham feito em cada baile desde a stima srie 
exceto que antes, Caroline sempre esteve com elas. Elena percebeu com dbil surpresa que
ela nem mesmo sabia com quem Caroline estava indo hoje  noite.
Tia Judith e Robert  em breve tio Robert  estavam na sala de estar, junto com Margaret
de pijama.
"Ah, vocs meninas esto todas adorveis," disse tia Judith, to agitada e animada como se
ela prpria fosse ao baile. Ela beijou Elena, e Margareth levantou seus braos para um
abrao.
"Voc est bonita," ela disse com a simplicidade dos quatro anos.
Robert estava olhando para Elena, tambm. Ele piscou, abriu sua boca, e fechou-a de novo.
"Qual o problema, Bob?"
"Em. Ele olhou para tia Judith, parecendo embaraado. "Bem, na verdade, acabou de me
ocorrer que Elena  uma forma do nome Helena. E por alguma razo eu estava pensando
em Helena de Tria."
"Linda e amaldioada," disse Bonnie alegremente.
"Bem, sim," disse Robert, noa parecendo nem um pouco feliz. Elena no disse nada.
A campainha tocou. Matt estava no degrau, em seu familiar casaco azul esportivo. Com ele
estavam Ed Goff, o par de Meredith, e Raymond Hernandez, o de Bonnie. Elena procurou
por Stefan.
"Ele provavelmente j est l," disse Matt, interpretando seu olhar. "Escute, Elena"
Mas o que quer que ele fosse dizer foi cortado pela conversa dos outros casais. Bonnie e
Raymond foram com eles no carro de Matt, e mantiveram uma corrente constante de
gracejos todo o caminho at a escola.
Msica fluia pelas portas abertas do auditrio. A medida em que Elena saia do carro, uma
certeza curiosa passou por ela. Algo ia acontecer, ela percebeu, olhando para o volume
quadrado do prdio da escola. O pacfica marcha lenta das ltimas semanas estava para
engrenar em rpida.
Estou pronta, ela pensou. E esperou que fosse verdade.
Dentro, era um caleidoscpio de cor e atividade. Ela e Matt foram cercados por uma
multido no instante em que entraram, e choveram elogios para ambos. O vestido de
Elena... seu cabelo... suas flores. Matt era uma lenda em formao: outro Joe Montana,
uma aposta certeira para uma bolsa de estudos atltica.
No giro estonteante que deveria ser a vida e a respirao para ela, Elena continuou
procurando por uma cabea escura.
Tyler Smallwood estava respirando ofegantemente nela, cheirando  ponche e champagne e
chiclete Doublemint. Seu par parecia homicida. Elena o ignorou na esperana de que fosse
embora.
Sr. Tanner passou com um copo de papel mole, parecendo que seu colarinho estava
estrangulando-o. Sue Carson, a outra princesa de boas-vindas veterana, moveu-se
esvoaantemente e arrulhou-se sobre o vestido violeta. Bonnie j estava na pista de dana,
brilhando debaixo das luzes. Mas em lugar algum Elena via Stefan.
Mais um sopro de Doublemint e ela iria passar mal. Ela cutucou Matt e eles escaparam para
a mesa de refrescos, onde o Treinador Lyman iniciou uma crtica ao jogo. Casais e grupos
iam at eles, passando alguns minutos e ento se retirando para abrir espao para os
prximos na fila. Exatamente como se realmente fossemos realeza, pensou Elena
selvagemente. Ela olhou para os lados para ver se Matt dividia seu divertimento, mas ele
estava olhando fixamente para sua esquerda.
Ela seguiu seu olhar. E l, parcialmente oculto atrs de um grupo de jogadores de futebol
americano, estava a cabea escura pela qual ela estivera procurando. Inconfundvel, mesmo
nessa turva luz. Uma excitao passou por ela, mais de dor do que qualquer outra coisa.
"E agora?" disse Matt, sua mandbula imvel. "O atamento?"
"No. Eu vou cham-lo para danar,  s. Eu esperarei at termos danado primeiro, se
voc quiser."
Ele balanou sua cabea, e ela foi em direo  Stefan atravs da multido.
Pedao por pedao, Elena registrou informao sobre ele a medida em que se aproximava.
Seu blazer preto era de um corte levemente diferente dos outros garotos, mais elegante, e
ele usava um suter branco de caxemira por baixo.
Ele estava parado de p, no se inquietando, um pouco afastado dos grupos ao seu redor. E,
apesar de poder ver somente seu perfil, ela pde ver que ele no estava usando seus culos.
Ele os tirava no futebol americano,  claro, mas ela nunca o vira de perto sem eles. Isso a
fez se sentir tonta e animada, como se isso fosse um baile de mscaras e a hora de tirar as
mscaras tivesse chegado.
Ela se focou no ombro dele, na linha de sua mandbula, e ento ele se virou em direo 
ela.
Nesse instante, Elena estava ciente de que era bonita. No era s o vestido, ou o jeito como
seu cabelo estava. Ela era bonita por si s: magra, imperial, uma coisa feita de seda e fogo
interior. Ela viu seus lbios se separarem levemente, reflexivamente, e ento ela olhou em
seus olhos.
"Ol." Era essa sua prpria voz, to silenciosa e segura de si? Seus olhos eram verdes.
Verdes como folhas de carvalho no vero. "Voc est se divertindo?" ela perguntou.
Agora eu estou. Ele no disse isso, mas ela sabia que era isso que ele estava pensando; ela
podia ver no jeito como ele a encarava. Ela nunca esteve to certa de seu poder. Exceto que
na verdade ele no parecia que estava se divertindo; ele parecia abatido, com dor, como se
no pudesse suportar nem mais um minuto disso.
A banda estava comeando, uma msica lenta. Ele ainda estava encarando-a, absorvendo-a.
Aqueles olhos verdes se escurecendo, ficando pretos com desejo. Ela teve a repentina
sensao de que ele poderia pux-la para si e beij-la duramente, sem ao menos dizer uma
palavra.
"Voc gostaria de danar?" ela disse suavemente. Estou brincando com fogo, com algo que
no entendo, ela pensou repentinamente. E nesse instante ela percebeu que estava
aterrorizada. Seu corao comeou a bater violentamente. Era como se aqueles olhos verdes
falassem com alguma parte dela que estava enterrada bem abaixo da superfcie  e aquela
parte estava gritando "perigo" para ela. Algum instinto mais velho que a civilizao estava
dizendo  ela para correr, para fugir.
Ele nunca se moveu. A mesma fora que a estava aterrorizando a estava segurando l. Isso
est fora de controle, ela pensou repentinamente. O que quer que estivesse acontecendo
aqui est longe de seu entendimento, no era nada normal ou so. Mas no dava para parar
agora, e mesmo enquanto estava assustada ela estava se deleitando com isso. Era o
momento mais intenso que ela j tinha experenciado com um garoto, mas nada estava
acontecendo. Ele estava apenas olhando para ela, como se estivesse hipnotizado, e ela
estava olhando de volta, enquanto a energia cintilava entre eles como lampejos de calor.
Ela viu seus olhos se escurecerem, derrotados, e sentiu o pulo selvagem de seu prprio
corao enquanto ele lentamente estendia uma mo.
E ento tudo se rompeu.
"Ora, Elena, como voc est meiga," disse uma voz, e a viso de Elena foi ofuscada por
dourado. Era Caroline, seu cabelo castanho farto e lustroso, sua pele bronzeado com uma
cor de bronze perfeita. Ela estava usando um vestido de lam de dourado puro que mostrava
uma inacreditvel quantidade ousada de pele perfeita. Ela escorregou um brao nu pelo de
Stefan e sorriu preguiosamente para ele. Eles eram maravilhosos juntos, como um casal de
modelos internacionais visitando um baile de ensino mdio, muito mais glamurosos e
sofisticados do que qualquer outro na sala.
"E esse vestidinho  to bonito," continuou Caroline, enquanto a mente de Elena corria no
piloto automtico.
Aquele brao possessivo casualmente ligado ao de Stefan dizia tudo  ela: onde Caroline
tinha estado no almoo nas ltimas semanas, o que ela estivera aprontando todo esse tempo.
"Eu disse  Stefan que ns simplesmente tnhamos que parar por um momento, mas no
vamos ficar muito tempo. Ento no se importa se eu ficar com ele s para mim nas danas,
se importa?"
Elena estava estranhamente calma agora, sua mente um zumbido vazio. Ela disse no, 
claro que no se importava, e observou Caroline se afastar, uma sinfonia em castanho e
dourado. Stefan foi com ela.
Havia um crculo de rostos ao redor de Elena; ela se virou deles e foi at Matt.
"Voc sabia que ele vinha com ela."
"Eu sabia que ela queria que ele viesse. Ela esteve seguindo-o na hora do almoo e depois
da escola, e meio que se forando nele. Mas..."
"Entendo." Ainda presa naquela calma esquisita e artificial, ela escaneou a multido e viu
Bonnie vindo em sua direo, e Meredith deixando sua mesa. Elas tinham visto, ento.
Provavelmente todos tinham. Sem uma palavra para Matt, ela se moveu em direo  elas,
dirigindo-se instintivamente ao banheiro das garotas.
Estava lotado com corpos, e Meredith e Bonnie mantiveram suas observaes radiantes e
casuais enquanto a olhavam com preocupao.
"Voc viu aquele vestido?" disse Bonnie, apertando os dedos de Elena secretamente. "A
frente deve estar presa com super bonder. E o que ela vai usar no prximo baile?
Celofone?"
"Tiras," disse Meredith. Ela acrescentou em voz baixa, "Voc est bem?"
"Sim." Elena pde ver no espelho que seus olhos estavam claros demais e que havia um
ponto de cor queimando em cada bochecha. Ela amaciou seu cabelo e se virou.
A sala se esvaziou, deixando-as em privacidade. Bonnie estava ocupando-se nervosamente
agora com o lao de lantejoulas em sua cintura. "Talvez no seja afinal uma coisa to
ruim," ela disse silenciosamente. "Quero dizer, voc no pensou em nada alm dele por
semanas. Quase um ms. E ento talvez seja para o melhor, e voc pode se concentrar em
outras coisas agora, invs de... bem, perseguir ele."
At tu, Brutus? Pensou Elena. "Muito obrigada pelo apoio," ela disse em voz alta.
"Ora, Elena, no fique assim," Meredith interps. "Ela no est tentando te magoar, ela s
acha que"
"E eu suponho que voc tambm acha? Bem, isso  timo. Eu simplesmente vou sair e
achar outra coisa para me concentrar. Como outras melhores amigas." Ela deixou ambas
encarando-a.
L fora, ela se jogou em uma roda de cor e msica. Ela estava mais resplandecente do que
jamais esteve em um baile antes. Ela danou com todos, rindo muito alto, flertando com
todos os garotos em seu caminho.
Eles a estavam chamando para subir e ser coroada. Ela ficou de p no palco, olhando para
baixo para as imagens de borboletas brilhantes. Algum lhe deu flores; algum colocou
uma tiara de imitao de diamante em sua cabea.
Houve aplausos; Tudo passou como se fosse um sonho.
Ela flertou com Tyler porque ele estava mais perto quando ela saiu do palco. Ento ela se
lembrou o que ele e Dick tinham feito com Stefan, e quebrou uma das rosas de seu buqu e
deu  ele.
Matt estava olhando da lateral, sua boca apertada. O par esquecido de Tyler estava quase s
lgrimas.
Ela agora pde cheirar lcool junto ao hlito de menta de Tyler, e seu rosto estava
vermelho. Os amigos dele estavam ao redor dela, uma multido gritando e rindo, e ela viu
Dick colocar algo de um saco de papel marrom no seu copo de ponche.
Ela nunca esteve com esse grupo antes. Eles derem-lhe boas-vindas, admirando-a, os
garotos rivalizando por sua ateno. Piadas voavam de todas as direes, e Elena ria mesmo
quando elas no faziam sentido. O brao de Tyler circulou sua cintura, e ela s riu mais. De
canto de olho ela viu Matt balanar a cabea e se afastar. As garotas estava ficando
estridentes, os garotos rudes. Tyler estava tocando seu nariz umidamente em seu pescoo.
"Tenho uma idia," ele anunciou ao grupo, abraando Elena mais apertadamente para si.
"Vamos  algum lugar mais divertido."
Algum gritou, "Como aonde, Tyler? A casa do seu pai?"
Tyler estava sorrindo, um sorriso grande, bbado e imprudente. "No, eu quis dizer algum
lugar onde poderemos deixar a nossa marca. Como o cemitrio."
As garotas gritaram. Os garotos acotevelaram uns aos outros e fingiram socos.
O par de Tyler ainda estava de p do lado de fora do crculo. "Tyler, isso  loucura," ela
disse, sua voz alta e fina.
"Voc sabe o que aconteceu ao velho. Eu no irei l."
"timo, ento, voc fica aqui." Tyler pescou as chaves para fora de seu bolso e as
chacoalhou para o resto da multido.
"Quem no est com medo?" ele disse.
"Ei, eu estou pronto para essa," disse Dick, e houve um coro de aprovao.
"Eu tambm," disse Elena, clara e desafiando. Ela sorriu para Tyler, e ele praticamente a
tirou do cho.
E ento ela e Tyler estavam liderando um grupo barulhento e violento no estacionamento,
onde estavam se amontoando nos carros. E ento Tyler estava abaixando o topo de seu
conversvel e ela estava entrando, com Dick e uma garota chamada Vickie Bennett se
espremendo no banco traseiro.
"Elena!" algum gritou, de longe, da entrada iluminada da escola.
"Dirija," ela disse  Tyler, tirando sua tiara, e o motor rosnou  vida. Eles queimaram pneu
no estacionamente, e o frio vento noturno soprou no rosto de Elena.




Captulo Sete

Bonnie estava na pista de dana, de olhos fechados, deixando a msica flutuar por ela.
Quando ela abriu seus olhos por um instante, Meredith estava acenando da lateral. Bonnie
empinou seu queixo em revolta, mas a medida que os gestos ficavam mais insistentes ela
revirou seus olhos para Raymond e obedeceu. Raymond seguiu.
Matt e Ed estavam atrs de Meredith. Matt estava olhando de cara feia. Ed parecia
desconfortvel.
"Elena acabou de sair," disse Meredith.
" um pas livre," disse Bonnie.
"Ela foi com Tyler Smallwood," disse Meredith. "Matt, tem certeza de que no ouviu onde
estavam indo?"
Matt balanou sua cabea. "Eu diria que ela merece o que quer que acontea  mas  minha
culpa, tambm, de um certo jeito," ele disse desoladamente. "Eu acho que devemos ir atrs
dela."
"Sair do baile?" Bonnie disse. Ela olhou para Meredith, que balbuciou as palavras voc
prometeu. "Eu no acredito nisso," ela murmurou selvagemente.
"Eu no sei como iremos ach-la," disse Meredith, "mas ns temos que tentar." Ento ela
acrescentou, com uma voz estranhamente hesitante, "Bonnie, por um acaso voc no sabe
onde ela est, sabe?"
"O qu? No,  claro que no; eu estive danando. Voc ouviu falar nisso, no ouviu:  por
isso que se vai a um baile?"
"Voc e Ray fiquem aqui," Matt disse para Ed. "Se ela voltar, diga que estamos
procurando."
"E se ns vamos,  melhor irmos agora," Bonnie interps de forma descorts. Ela se virou e
prontamente deu de cara com um blazer escuro.
"Ora, d licena," ela repreendeu, olhando para cima e vendo Stefan Salvatore. Ele no
disse nada enquanto ela e Meredith e Matt se dirigiam  porta, deixando Raymond e Ed
parecendo infelizes para trs.
As estrelas estavam distantes e brilhantes como o gelo no cu sem nuvens. Elena se sentiu
exatamente como elas. Uma parte dela estava rindo e gritando com Dick e Vickie e Tyler
por cima do estrondo do vento, mas parte dela estava observando de longe.
Tyler estacionou no meio da colina da Igreja arruinada, deixando os faris acesos enquanto
todos desciam.
Apesar de haveram vrios carros atrs deles quando saram da escola, eles aparentemente
foram os nicos que foram at o cemitrio.
Tyler abriu o porta-malas e puxou um pacote com seis latas de cerveja. "Mais para a gente."
Ele ofereceu uma cerveja  Elena, que balanou sua cabea, tentando ignorar a sensao de
nausea no buraco de seu estmago. Ela se sentia muito errada por estar aqui  mas no tinha
jeito de ela admitir isso agora.
Eles escalaram o caminho lajotado, as garotas vacilando em seus saltos altos e se inclinando
nos garotos. Quando alcanaram o topo, Elena arfou e Vickie soltou um gritinho.
Algo enorme e vermelho estava pairando um pouco acima do horizonte. Levou um
momento para Elena perceber que era na verdade a Lua. Era to grande e irreal quanto um
objeto de cena de um filme de fico-cientfica, e sua massa inflada brilhava tediosamente
com uma luz insalubre.
"Como uma grande e podre abbora," disse Tyler, e tacou uma pedra nela. Elena forou-se
a sorrir brilhantemente para ele.
"Por que no entramos?" Vickie disse, apontando uma mo branca para o buraco vazio na
entrada da Igreja.
A maior parte do telhado tinha cado, apesar do campanrio ainda estar intacto, uma torre se
erguendo acima deles.
Trs das paredes estavam de p; a quarta estava apenas na altura do joelho. Havia pilhas de
escombros por todo o lugar.
Uma luz resplandeceu na bochecha de Elena, e ela se virou, assustada, para ver Tyler
segurando um isqueiro. Ele sorriu, mostrando fortes dentes brancos, e disse, "Quer apertar a
minha Bic?"
A risada de Elena foi a mais alta, para cobrir seu desconforto. Ela pegou o isqueiro,
usando-o para iluminar a tumba dentro da Igreja. No era como qualquer outra tumba no
cemitrio, apesar de seu pai ter tido que viu coisas similares na Inglaterra. Parecia com uma
grande caixa de pedra, grande o bastante para duas pessoas, com duas esttuas de mrmore
deitadas em repouso na tampa.
"Thomas Keeping Fell e Honoria Fell," disse Tyler com um grande gesto, como se os
apresentando. "O Velho Thomas supostamente fundou Fell's Church. Apesar de na verdade
os Smallwoods tambm estarem l na poca.
O tatarav do meu bisav morava no vale perto de Drowning Creek "
" at que ele foi comido por lobos," disse Dick, e ele jogou sua cabea para trs numa
imitao de lobo. Ento ele arrotou. Vickie deu risada. Irritao passou pelos belos traos
de Tyler, mas ele forou um sorriso.
"Thomas e Honoria esto um pouco plidos," disse Vickie, ainda rindo. "Eu acho que o que
eles precisam  de um pouco de cor." Ela apresentou um batom de sua bolsa e comeou a
cobrir a boca de mrmore da esttua da mulher com escarlate de cera. Elena sentiu outra
pontada de dor nauseante. Quando criana, ela sempre tivera medo da dama plida e do
homem srio que repousavam de olhos fechados, as mos cruzadas em seus peitos. E,
depois de seus pais morrerem, ela pensava neles deitados lado a lado desse jeito no
cemitrio. Mas ela segurou o isqueiro enquanto a outra garota colocava um bigode de
batom e um nariz de palhao em Thomas Fell.
Tyler estava observando-as. "Ei, eles esto arrumados e sem lugar para ir." Ele colocou suas
mos na beira da tampa de pedra e inclinou-se sobre ela, tentando mov-la para o lado. "O
que diz, Dick  quer lev-los para passear na cidade? Como talvez bem no centro da
cidade?"
No, pensou Elena, alarmada, enquanto Dick gargalhava e Vickie gritava com as risadas.
Mas Dick j estava ao lado de Tyler, se firmando e pronto, seus punhos j na tampa de
pedra.
"No trs," disse Tyler, e contou, "Um, dois, trs."
Os olhos de Elena estavam fixos no rosto de palhao horrvel de Thomas Fell enquanto os
garotos foravam para frente e gemiam, os msculos se aglomerando debaixo do tecido.
Eles no conseguiam mover a tampa um centmetro.
"A porcaria deve estar presa de algum jeito," disse Tyler nervosamente, virando-se.
Elena sentiu-se fraca com o alvio. Tentando parecer casual, ela se inclinou contra a tampa
de pedra da tumba para apio  e foi ento que aconteceu.
Ela ouviu a triturao de pedra e sentiu a tampa mover-se debaixo de sua mo esquerda de
uma s vez. Estava-se movendo para longe dela, fazendo-a perder seu equilbrio. O isqueiro
saiu voando, e ela gritou e gritou de novo, tentando manter-se de p. Ela estava caindo na
tumba aberta, e um vento gelado rugiu ao seu redor.
Gritos soaram em seus ouvidos.
E ento ela estava do lado de fora e a luz da Lua estava clara o bastante para ela ver os
outros. Tyler estava segurando-a. Ela encarou o seu redor selvagemente.
"Voc est louca? O que aconteceu?" Tyler estava chacoalhando-a.
"Se moveu! A tampa se moveu! Ela abriu e  eu no sei  eu quase cai nela. Estava frio..."
Os garotos estavam rindo. "A pobrezinha est com medo," Tyler disse. "Vamos, Dicky,
vamos checar isso."
"Tyler, no "
Mas eles entraram de qualquer jeito. Vickie ficou na entrada, observando, enquanto Elena
estremecia. Nesse instante, Tyler acenou da porta.
"Olha," ele disse quando ela relutantemente voltou para dentro. Ele tinha recuperado o
isqueiro, e o segurava em cima do peito de mrmore de Thomas Fell. "Ainda serve, como
uma luva. Est vendo?"
Elena encarou o alinhamento perfeito da tampa e da tumba. "Ela se moveu. Eu quase cai
na..."
"Claro, o que voc disser, querida." Tyler enroscou seus braos ao redor dela, apertando-a
contra ele de costas. Ela olhou e viu Dick e Vickie na mesma posio, exceto que Vickie,
de olhos fechados, parecia que gostava disso. Tyler esfregou o queixo forte no cabelo dela.
"Eu gostaria de voltar ao baile agora," ela disse categoricamente.
Houve uma pausa na esfregao. Ento Tyler suspirou e disse, "Claro, querida." Ele olhou
para Dick e Vickie. "E quanto  vocs dois?"
Dick sorriu. "Ns vamos ficar aqui por um tempinho." Vickie riu, seus olhos ainda
fechados.
"Est bem." Elena se perguntou como eles iriam voltar, mas ela permitiu que Tyler a
guiasse para fora. Uma vez do lado de fora, contudo, ele parou.
"Eu no posso deixar voc ir sem olhar a lpide do meu av," ele disse. "Ah, vamos l,
Elena," ele disse a medida que ela comeava a protestar, "no machuque os meus
sentimentos. Voc tem que v-la;  o orgulho e a alegria da famlia."
Elena forou-se a sorrir, apesar de seu estmago estar gelado. Talvez se ela fizesse a sua
vontade, ele a tiraria daqui. "Tudo bem," ela disse, e comeou a ir em direo ao cemitrio.
"No por a. Por aqui." E no instante seguinte, ele a estava guiando em direo ao velho
cemitrio.
"Est tudo bem, srio, no  longe do caminho. Olha, ali, est vendo?" Ele apontou para
alguma coisa que brilhava na luz do luar.
Elena arfou, os msculos se contraindo ao redor do seu corao. Parecia que uma pessoa
estava parada ali, um gigante com uma cabea redonda careca. E ela no gostava nem um
pouco de estar aqui, entre as pedras de granito gastas e reclinadas de sculos passados. A
brilhante luz do luar lanava sombras estranhas, e havia piscinas de escurido impenetrvel
em todo lugar.
" apenas a esfera no topo. Nada para se temer," disse Tyler, puxando-a consigo para fora
do caminho e para cima da lpide brilhante. Era feita de mrmore vermelho, e a enorme
esfera que a cercava a lembrava da Lua inchada no horizonte. Agora aquela mesma Lua
brilhava neles, to branca como as mos brancas de Thomas Fell. Elena no pde conter
seu tremor.
"Pobrezinha, ela est com frio. Tenho que aquec-la," disse Tyler. Elena tentou empurr-lo,
mas ele era forte demais, enlaando-a em seus braos, puxando-a contra si.
"Tyler, eu quero ir embora; eu quero ir embora agora. ..."
"Claro, querida, ns iremos," ele disse. "Mas ns temos que aquec-la primeiro. Credo,
voc est gelada."
"Tyler, para," ela disse. Os braos dele ao seu redor tinham sido meramente irritantes,
restringindo-a, mas agora com uma sensao de choque ela sentiu as mos dele em seu
corpo, apalpando a pele nua.
Nunca em sua vida Elena tinha estado numa situao como essa, longe de qualquer ajuda.
Ela mirou um salto alto pontudo no peito do p coberto por couro dele, mas ele se esquivou
dela. "Tyle, tire suas mos de mim."
"Vamos, Elena, no fique assim, eu s quero te esquentar todinha..."
 "Tyler, me solta," ela cuspiu. Ela tentou puxar-se para longe dele. Tyler tropeou, e ento
seu peso todo estava em cima dela, esmagando-a contra uma confuso de hera e ervas
daninhas no cho. Elena falou desesperadamente. "Eu vou te matar, Tyler. Eu falo srio. Sai
de cima de mim."
Tyler tentou rolar, rindo repentinamente, seus membros pesados e descoordenados, quase
inteis. "Ah, vamos l, Elena, no fique brava. Eu s tou te esquentando. Elena a Princesa
do Gelo, se esquentando... Voc ta ficando quente agora, no t?" Ento Elena sentiu a boca
quente e molhada dele em seu rosto. Ela ainda estava presa debaixo dele, e os beijos
desleixados dele estavam se movendo para sua garganta. Ela escutou tecido se rasgar.
"Oops," Tyler murmurou. "Sinto muito por isso."
Elena torceu sua cabea, sua boca encontrou a mo de Tyler, acariciando desajeitadamente
sua bochecha. Ela a mordeu, afundando seus dentes na palma corpulenta. Ela mordeu forte,
sentindo o gosto de sangue, ouvindo o uivo agonizante de Tyler. A mo se afastou.
"Ei! Eu disse que sentia muito!" Tyler parecia ressentido por sua mo mutilada. Ento seu
rosto se obscureceu, enquanto, ainda encarando-a, ele cerrou sua mo.
 isso, Elena pensou com uma calma de pesadelos. Ele ou vai me nocautear ou vai me
matar. Ela se preparou para o golpe.


Stefan tinha resistido em vir ao cemitrio, tudo dentro dele tinha gritado contra isso. A
ltima vez que ele estivera aqui foi na noite do velho.
Horror passou pelo seu estmago novamente por causa da recordao. Ele teria jurado que
ele no tinha drenado o homem debaixo da ponte, que ele no tinha tirado sangue o
suficiente para fazer mal. Mas tudo naquela noite aps a onda de Poder estava
desorganizado, confuso. Se houvesse tido uma onda de Poder afinal. Talvez aquilo tinha
sido a sua prpria imaginao, ou mesmo seu prprio feito. Coisas estranhas podiam
acontecer quando a necessidade ficava fora de controle.
Ele fechou seus olhos. Quando ele escutou que o velho fora hospitalizado, quase morto, seu
choque foi alm das palavras. Como ele pde ter se deixado sair tanto do limite? Matar,
quase, quando ele no tinha matado desde...
Ele no iria deixar si mesmo pensar sobre aquilo.
Agora, de p em frente ao porto do cemitrio na escurido da meia-noite, ele no queria
nada mais do que se virar e ir embora. Voltar ao baile onde deixara Caroline, aquela
criatura dcil e bronzeada pelo Sol que estava absolutamente a salvo porque ela no
significava nada para ele.
Mas ele no podia voltar, porque Elena estava no cemitrio. Ele podia sent-la, e sentir seu
crescente sofrimento. Elena estava no cemitrio e em perigo, e ele tinha que ach-la.
Ele estava na metade da colina quando a tontura o atingiu. Isso o fez cambalear, lutando em
direo  Igreja porque era a nica coisa na qual ele podia se focar. Ondas cinzas de neblina
passaram pelo seu crebro, e ele lutou para continuar se movendo. Fraco, ele se sentia to
fraco. E intil contra o poder absoluto dessa vertigem.
Ele precisava... ir at Elena. Mas ele estava fraco. Ele no podia ser... fraco... se ele tinha
que ajudar Elena. Ele precisava... ir...
A porta da Igreja abriu diante dele.
Elena viu a Lua por sobre o ombro esquerdo de Tyler. Era estranhamente apropriado que
aquela seria a ltima coisa que ela veria, ela pensou. O gritou ficou preso em sua garganta,
engasgado pelo medo.
E ento algo pegou Tyler e o jogou contra a lpide de seu av.
Foi isso que pareceu para Elena. Ela rolou para o lado, arfando, uma mo agarrando com
fora seu vestido rasgado, a outra tateando por uma arma.
Ela no precisava de uma. Algo se moveu na escurido, e ela viu a pessoa que tinha puxado
Tyler de cima dela. Stefan Salvatore. Mas era um Stefan que ela nunca vira antes: os traos
delicados de seu rosto estava branco e frio de fria, e havia uma luz homicida naqueles
olhos verdes. Sem ao menos se mover, Stefan emanava tanta raiva e amea que Elena teve
mais medo dele do que ele tinha tido de Tyler.
"Quando eu conheci voc, eu sabia que nunca aprenderia bons modos," disse Stefan. Sua
voz estava suave e gelado e leve, e de alguma maneira deixou Elena tonta. Ela no podia
tirar seus olhos de cima dele enquanto ele se movia em direo  Tyler, que estava
balanando sua cabea perplexamente e comeando a se levantar. Stefan moveu-se como
um danarino, cada movimento fcil e precisamente controlado. "Mas eu no fazia idia
que seu personagem estava to sub-desenvolvido."
Ele acertou Tyler. O grande garoto estava estendendo uma mo robusta, e Stefan acertou-o
quase negligentemente no lado do rosto, antes que a mo fizesse contato.
Tyler voou contra outra lpide. Ele se arrastou e ficou de p ofegantemente, seus olhos
brancos. Elena viu um filete de sangue no seu nariz. Ele ele ordenou.
"Um cavalheiro no fora sua companhia em ningum," disse Stefan, e o golpeou. Tyler
esparramou-se de novo, de cara para baixo nas ervas daninhas e urzes. Dessa vez ele foi
mais lento ao levantar-se, e sangue fluiu de ambas narinas e de sua boca. Ele estava
expirando como um cavalo assustado a medida que se jogava para cima de Stefan.
Stefan agarrou a parte da frente da jaqueta de Tyler, girando ambos e absorvendo o impacto
do ataque homicida. Ele chacoalhou Tyler duas vezes, forte, enquanto aqueles grandes
punhos musculosos o giravam como um moinho de vento, incapaz de se conectar. Ento ele
soltou Tyler.
"Ele no insulta uma mulher," ele disse. O rosto de Tyler estava contorcido, seus olhos
revirando-se, mas ele agarrou a perna de Stefan. Stefan sacudiu-o e ento o chacoalhou de
novo, e Tyler ficou frouxo como uma boneca de pano, seus olhos revirando-se. Stefan
continuou falando, segurando o pesado corpo para cima e pontuando cada palavra com um
chacoalho de esmagar os ossos. "E, acima de tudo, ele no a machuca..."
"Stefan!" Elena gritou. A cabea de Tyler estava estalando para cima e para baixo com cada
chacoalho. Ela estava com medo do que estava vendo; com medo do que Stefan podia
fazer. E com mais medo do que tudo da voz de Stefan, aquela voz fria que era como uma
dana de florete, bela e mortal e completamente cruel. "Stefan, pare."
Sua cabea virou-se em direo  ela, assustado, como se tivesse esquecido sua presena.
Por um momento ele olhou para ela sem a reconhec-la, seus olhos pretos na luz do luar, e
ela pensou em algum predator, algum grande pssaro ou um carnvoro astuto incapaz de
emoes humanas. Ento entendimento veio ao seu rosto e um pouco da escurido se
esvaiou de seu olhar.
Ele olhou para baixo para a cabea frouxa de Tyler, ento ele o colocou gentilmente contra
a lpide de mrmore vermelho. Os joelhos de Tyler se entortaram e ele deslizou para
encar-los, mas para o alvio de Elena seus olhos se abriram  ou pelo menos o esquerdo se
abriu. O direito estava inchado e s abria por uma fenda.
"Ele vai ficar bem," disse Stefan de forma vazia.
A medida que seu medo baixava, Elena sentia-se vazia. Chocada, ela pensou. Eu estou em
choque. Eu provavelmente vou comear a gritar histericamente a qualquer minuto agora.
"Tem algum para lev-la para casa?" disse Stefan, ainda naquela voz friamente morta.
Elena pensou em Dick e Vickie, fazendo Deus sabe o que ao lado da esttua de Thomas
Fell. "No," ela disse.
Sua mente estava comeando a trabalhar novamente, tomar nota das coisas ao seu redor. O
vestido violeta estava todo rasgadona frente; estava arruinado. Mecanicamente, ela
puxou-o para cima.
"Eu te levarei," disse Stefan.
Mesmo atravs do entorpecimento, Elena sentiu um ligeiro tremor de medo. Ela olhou para
ele, uma figura estranhamente elegante entre as lpides, seu rosto plido na luz do luar. Ele
nunca parecera to... to bonito para ela antes, mas aquela beleza era quase aliengena. No
s estrangeira, mas desumana, porque nenhum humano podia projetar aquela aura de poder,
ou de distncia.
"Obrigada. Isso seria muito gentil," ela disse lentamente. No havia nada mais para fazer.
Eles deixaram Tyler dolorosamente se levantando na lpide de seu ancestral. Elena sentiu
outro tremor a medida que alcanavam o caminho e Stefan se virou em direo  Ponte
Wickery.
"Eu deixei meu carro na penso," ele disse. "Esse  o caminho mais rpido para voltarmos."
"Foi por aqui que voc veio?"
"No. Eu no cruzei a ponte. Mas ser seguro."
Elena acreditava nele. Plido e silencioso, ele andava ao lado dela sem toc-la, exceto
quando ele tirou seu blazer e colocou-o ao redor de seus ombros nus. Ela se sentiu
estranhamente segura de que ele mataria qualquer coisa que tentasse chegar  ela.
A ponte Wickery estava branca com a luz do luar, e debaixo dela as guas geladas
serpeavam as pedras antigas. O mundo inteiro estava parado e lindo e gelado enquanto eles
caminhavam por rvores de carvalho para a estreita estrada rural.
Eles passaram por pastos cercados e campos escuros at alcanarem uma longa entrada em
espiral. A penso era um prdio vasto de tijolo vermelho-rstico feito de terra nativa, e
estava ladeada com velhos cedros e bordos. Todas as janelas exceto uma estava escuras.
Stefan destrancou uma das portas duplas e eles entraram em um pequeno saguo, com uma
escada diretamente em frente  eles. O corrimo, como as portas, era de um carvalho claro
natural to polido que parecia brilhar.
Eles subiram as escadas para o segundo andar que estava pobremente iluminado. Para a
surpresa de Elena, Stefan a conduziu para um dos quaros e abriu o que parecia uma porta de
um closet. Atravs dela ela pde ver uma escada muito ngreme e muito estreita.
Que lugar estranho, ela pensou. A escada escondida estava profundamente enterrada no
corao da casa, onde nenhum som do exterior podia penetrar. Ela alcanou o alto da
escada e entrou em um quarto amplo que era todo o terceiro andar da casa.
Era quase to mal iluminado quanto s escadas, mas Elena pde ver o cho de madeira
manchada e os raios de luz expostos no teto inclinado. Havia janelas altas em ambos os
lados, e muitas malas espalhadas entre uns poucos pedaos de moblia slida.
Ela percebeu que ele a estava observando. "Tem um banheiro onde eu possa?"
Ele acenou em direo a porta. Ela tirou o blazer, segurou-o em direo  ele sem olh-lo, e
foi para dentro.




Captulo Oito

Elena tinha entrado no banheiro deslumbrada e entorpedecidamente grata. Ela saiu nervosa.
Ela no tinha muita certeza de como a transformao ocorreu. Mas enquanto ela estava
lavando os arranhes em seu rosto e braos, irritada pela falta de um espelho e pelo fato de
ter deixado sua bolsa no conversvel de Tyler, ela comeou a sentir de novo. E o que ela
sentiu foi raiva.
Maldito Stefan Salvatore. To gelado e controlado at mesmo quando salvava sua vida.
Maldito seja ele por sua educao, e por seu galanteio, e pelas paredes ao seu redor que
pareciam mais grossas e altas do que nunca.
Ela puxou os grampos restantes de seu cabelo e os usou para segurar a frente de seu vestido.
Ento ela correu rapidamente seu cabelo solto com um pente entalhado de osso que ela
encontrou na pia. Ela saiu do banheiro com seu queixo empinado e seus olhos espremidos.
Ele no tinha colocado seu casaco de volta. Ele estava de p na janela com seu suter
branco com a cabea arqueada, tenso, esperando. Sem levantar a cabea, ele gesticulou para
um tecido de veludo escuro espalhado na parte de trs de uma cadeira.
"Voc talvez queira colocar isso sobre seu vestido."
Era um manto enorme, muito valioso e suave, com um capuz. Elena puxou o material
pesado por sobre seus ombros. Mas ela no ficou calma com o presente; ela notou que
Stefan no tinha vindo nem um pouco mais perto dela, ou mesmo olhado para ela enquanto
falava.
Deliberadamente, ela invadiu seu espao territorial, puxando o manto mais apertadamente
ao seu redor e se sentindo, mesmo naquele momento, uma valorizao sensual do jeito que
as pregas caiam sobre ela, arrastando-se atrs dela no cho.
Ela andou at ele e examinou a cmoda de mogno pesado perto da janela.
Nela estava uma adaga de aparncia cruel com um punho de marfim e uma linda taa de
gata com moldura prata. Havia tambm uma esfera dourada com algum tipo de mostrador
nela e diversas moedas de ouro soltas.
Ela pegou uma das moedas, parcialmente porque era interessante e parcialmente porque ela
sabia que o aborreceria v-la mexendo nas suas coisas. "O que  isso?"
Passou-se um momento antes que ele respondesse. Ento ele disse:
"Um florin de ouro. Uma moeda florentina."
"E o que  isso?"
"Um relgio alemo de pingente. Do final do sculo quinze," ele disse distraidamente. Ele
acrescentou, "Elena"
Ela esticou a mo para um cofre de ferro com uma tampa articulada. "E quanto  isso? Isso
abre?"
"No." Ele tinha os reflexos de um gato; sua mo bateu no cofre, segurando a tampa. "Isso
 privado," ele disse, o esforo bvio em sua voz.
Ela notou que sua mo fez contato apenas com a tampa de ferro sinuosa e no com sua
carne. Ela levantou seus dedos, e ele se retirou de uma s vez.
Repentinamente, sua raiva era grande demais para segurar por mais um momento.
"Cuidado," ela disse selvagemente. "No me toque, ou voc pode pegar uma doena."
Ele se virou em direo  janela.
E mesmo quando ela prpria se afastava, andando de volta para o centro do quarto, ela pde
sent-lo observando seu reflexo. E ela soube, de repente, o que devia parecer para ele, um
cabelo claro entornando por sobre a escurido da capa, uma mo branca segurando o veludo
perto de sua garganta. Uma princesa arruinada marchando em sua torre.
Ela inclinou sua cabea bem para trs para olhar para o alapo no teto, e ouviu uma suave
e distinta tomada de ar. Quando ela se virou, o olhar dele estava fixado em sua garganta
exposta; o olhar em seus olhos a confundiu.
Mas no momento seguinte seu rosto se endureceu, deixando-a de fora.
"Eu acho," ele disse, "que  melhor eu lev-la para casa."
Nesse instante, ela queria machuc-lo, faz-lo se sentir to ruim quando ele a fazia se sentir.
Mas ela tambm queria a verdade. Ela estava cansada desse jogo, cansada de maquinar e
conspirar e tentar ler a mente de Stefan Salvatore. Era um alvio aterrorizante e ainda assim
maravilhoso ouvir sua prpria voz dizendo as palavras que ela pensava h tanto tempo.
"Por que voc me odeia?"
Ele a encarou. Por um momento ele no conseguiu encontrar palavras. Ento ele disse, "Eu
no te odeio."
"Voc odeia," disse Elena. "Eu sei que no ... no  educado dizer isso, mas eu no ligo.
Eu sei que devia estar grata a voc por ter me salvo hoje  noite, mas eu no ligo para isso,
tambm. Eu no te pedi para me salvar. Eu no sei nem mesmo porque voc estava no
cemitrio em primeiro lugar. E eu certamente no entendo porque voc o fez, considerando
o que sente a meu respeito."
Ele estava balanando sua cabea, mas sua voz estava suave. "Eu no te odeio."
"Desde o comeo, voc me evitou como se eu fosse... fosse algum tipo de leprosa. Eu tentei
ser amigvel com voc, e voc jogou isso na minha cara.  isso o que um cavalheiro faz
quando algum tenta lhe dar as boas-vindas?"
Ele estava tentando dizer alguma coisa agora, mas ela continuou, sem lhe dar ouvidos.
"Voc me esnobou em pblico uma vez atrs da outra; voc me humilhou na escola. Voc
no estaria falando comigo agora se no tivesse sido um caso de vida ou morte.  isso que 
preciso para arrancar uma palavra de voc? Algum tem que ser quase morto?
"E at mesmo agora," ela continuou amargamente, "voc no me quer perto de voc. Qual 
o seu problema, Stefan Salvatore, que voc tem que viver desse jeito? Que voc tem que
construir paredes contra as pessoas para mant-las afastadas? Que voc no pode confiar
em ningum? Qual  o seu problema?"
Ele estava em silncio agora, seu rosto virado para longe. Ela tomou um longo flego e
ento endireitou seus ombros, segurando sua cabea para cima mesmo quando seus olhos
estavam doendo e queimando. "E qual o meu problema," ela acrescentou, mais
silenciosamente, "que voc no consegue nem ao menos olhar para mim, mas deixa
Caroline Forbes se esfregar em voc? Eu tenho direito de saber isso, pelo menos. Eu no
vou incomod-lo novamente, eu no vou nem falar com voc na escola, mas eu quero saber
a verdade antes de ir. Por que voc me odeia tanto, Stefan?"
Lentamente, ele se virou e levantou sua cabea. Seus olhos estavam glidos, cegos, e algo
revirou-se em Elena com a dor que viu no rosto dele.
Sua voz ainda estava controlada  mas por pouco. Ela podia ouvir o esforo que custava a
ele mant-la estvel.
"Sim," ele disse, "Eu acho que voc tem o direito de saber. Elena." Ele olhou para ela
ento, encontrando seus olhos diretamente, e ela pensou, To ruim? O que poderia ser to
ruim quanto isso? "Eu no te odeio," ele continuou, pronunciando cada palavra
cuidadosamente, distintamente. "Eu nunca te odiei. Mas voc... me lembra algum."
Elena foi pega de surpresa. O que quer que ela esperasse, no era isso. "Eu te lembro
algum que voc conhece?"
"Algum que eu conheci," ele disse silenciosamente. "Mas," ele acrescentou lentamente,
como se isso fosse algo estarrecedor para si prprio, "voc no  como ela, na verdade. Ela
parecia com voc, mas era frgil, delicada. Vulnervel. Tanto por dentro como por fora."
"E eu no sou."
Ele fez um som que teria sido uma risada se tivesse algum humor nisso. "No. Voc  uma
lutadora.
Voc ... voc mesma."
Ele ficou em silncio por um momento. Ela no podia manter sua raiva, vendo a dor no
rosto dele. "Voc era prximo a ela?"
"Sim."
O que aconteceu?"
Houve uma longa pausa, to longa que Elena pensou que ele no ia respond-la. Mas por
fim ele disse, "Ela morreu."
Elena soltou uma exalao trmula. O restante de sua raiva se compactou e desapareceu
debaixo dela. "Isso deve ter machucado terrivelmente," ela disse suavemente, pensando na
branca lpide dos Gilbert entre o centeio. "Eu sinto tanto."
Ele no disse nada. Seu rosto fechou-se novamente, e ele pareceu estar olhando para algo
distante, algo terrvel e de cortar o corao que somente ele podia ver. Mas no havia s
luto em sua expresso.
Atravs das paredes, atravs de seu controle trmulo, ela podia ver o olhar torturado de
culpa insuportvel e solido. Um olhar to perdido e assombrado que ela se moveu para seu
lado antes que soubesse o que estava fazendo.
"Stefan," ela sussurrou. Ele no pareceu escut-la; ele parecia estar ancorado em seu
prprio mundo de misria.
Ela no pde impedir a si mesma de colocar uma mo no brao dele. "Stefan, eu sei como
isso pode machucar"
"Voc no pode saber," ele explodiu, toda a sua quietude irrompendo em fria cega. Ele
olhou para a mo dela como se acabando de perceber que estava l, como se enfurecido
pela sua insolncia de toc-lo. Seus olhos verdes estavam dilatados e escuros enquanto ele
tirava a mo dela, levantando uma mo para imped-la de toc-lo novamente
e de algum modo, invs disso, ele estava segurando sua mo, seus dedos apertadamente
entrelaados com os dela, se segurando como se fosse caso de vida ou morte. Ele olhou
para suas mos entrelaadas com perplexidade. Ento, lentamente, seu olhar moveu-se de
seus dedos apertados para o rosto dela.
"Elena..." ele sussurrou.
E ento ela viu, a angstia despedaando seu olhar, como se ele simplesmente no pudesse
lutar mais um segundo. A derrota, a medida que as paredes finalmente cediam e ela via o
que estava por baixo.
E ento, desamparadamente, ele inclinou sua cabea para os lbios dela.


"Espere  pare aqui," disse Bonnie. "Eu pensei ter visto algo."
O Ford surrado de Matt diminuiu a velocidade, margeando em direo ao lado da estrada,
onde arbustos e moitas cresciam espessamente. Algo branco brilhava ali, vindo na direo
deles.
"Oh, meu Deus," disse Meredith. " Vickie Bennett."
A garota tropeou na frente do farol dianteiro e ficou l, acenando, enquanto Matt acertava
o freio. Seu cabelo castanho claro estava embaraado e uma desordem, e seus olhos
encaravam inexpressivamente vindos de um rosto que estava manchado e sujo com terra.
Ela estava usando somente uma leve e diminuta roupa branca.
"Coloquem-na no carro," disse Matt. Meredith j estava abrindo a porta do carro. Ela pulou
para fora e correu at a estupefata garota.
"Vickie, voc est bem? O que aconteceu com voc?"
Vickie gemeu, ainda olhando diretamente  frente. Ento ela repentinamente pareceu ver
Meredith, e ela a agarrou com fora, afunando suas unhas nos braos de Meredith.
"Caia fora daqui," ela disse, seus olhos cheios de uma intensidade desesperada, sua voz
erstranha e grossa, como se ela tivesse algo em sua boca. "Todos vocs  caiam fora daqui!
Est vindo."
"O que est vindo? Vickie, onde est Elena?"
"Caiam fora agora..."Meredith olhou para a estrada, ento encaminhou a garota tremendo
para a traseira do carro. "Ns te levaremos embora," ela disse, "mas voc tem que nos
contar o que aconteceu. Bonnie, me d sua manta. Ela est congelando."
"Ela foi ferida," disse Matt carrancudamente. "E ela est em choque ou algo assim. A
pergunta , onde esto os outros? Vickie, a Elena estava com voc?"
Vickie choramingou, colocando suas mos em cima de seu rosto enquanto Meredith
colocava a manta rosa iridescente de Bonnie ao redor de seus ombros. "No... Dick," ela
disse indistintamente. Parecia machuc-la falar. "Ns estvamos na Igreja... foi horrvel.
Aquilo veio... como uma neblina ao redor. Uma neblina negra. E olhos. Eu vi os olhos
daquilo na escurido, queimando. Eles me queimaram..."
"Ela est delirando," disse Bonnie. "Ou histrica, ou como quer que se chame."
Matt falou lenta e claramente. "Vickie, por favor, s nos diga uma coisa. Onde est Elena?
O que aconteceu com ela?"
"Eu no sei." Vickie levantou um rosto manchado de lgrimas para o cu. "Dick e eu  ns
estvamos sozinhos. Ns estvamos... e ento de repente aquilo estava ao nosso redor. Eu
no conseguia correr. Elena disse que a tumba tinha se aberto. Talvez foi dali que aquilo
saiu. Era horrvel..."
"Eles estavam no cemitrio, na Igreja arruinada," Meredith interpretou. "E Elena estava
com eles. E olhe para isso." Na luz do alto, eles conseguiam ver os profundos e recentes
arranhes desde o pescoo de Vickie at a renda do espartilho de sua roupa.
"Eles parecem marcas de animais," disse Bonnie. "Como marcas das garras de um gato,
talvez."
"Nenhum gato pegou aquele velho debaixo da ponte," disse Matt. Seu rosto estava plido, e
os msculos saltavam de sua mandbula. Meredith seguiu seu olhar pela estrada e ento
balanou sua cabea.
"Matt, ns temos que lev-la de volta primeiro. Ns temos que," ela disse. "Me escute, eu
estou to preocupada com Elena quanto voc. Mas Vickie precisa de um mdico, e ns
precisamos chamar a polcia. Ns no temos escolha alguma. Ns temos que voltar."
Matt encarou a estrada por outro longo momento, ento soltou a respirao num sibilo.
Batendo a porta para fech-la, ele engrenou o carro e deu a volta com ele, cada movimento
violento.
Por todo o caminho de volta  cidade, Vickie gemeu sobre olhos.


Elena sentiu os lbios de Stefan encontrarem-se com os dela.
E... foi to simples como isso. Todas as perguntas respondidas, todos os medos acalmados,
todas as dvidad removidas. O que ela sentiu no era mera paixo, mas uma ternura
contundente e um amor to forte que a fazia tremer por dentro.
Teria sido aterrorizante com sua intensidade, exceto que enquanto ela estava com ele, ela
no conseguia ter medo de nada.
Ela tinha voltado para casa.
Aqui era onde ela pertencia, e por fim ela havia encontrado. Com Stefan, ela estava em
casa.
Ele afastou-se ligeiramente, e ela pde sentir que ele estava tremendo.
"Oh, Elena," ele sussurrou contra seus lbios. "Ns no podemos"
"Ns j fizemos," ela sussurrou, e o puxou para baixo novamente.
Era quase como se ela pudesse ouvir seus pensamentos, sentir seus sentimentos. Prazer e
desejo corriam entre os dois, conectando-os, puxando-os para mais perto. E Elena sentiu,
tambm, uma manancial de emoes mais profundas dentro dele. Ele queria segur-la para
sempre, proteg-la de todo o mal. Ele queria defend-la de qualquer mal que a ameaasse.
Ele queria unir sua vida com a dela.
Ela sentiu a presso gentil dos lbios dele nos dela, e ela mal pde suportar a doura deles.
Sim, ela pensou. Excitao ondulou por ela como ondas em um laguinho parado e claro. Ela
estava se afogando nisso, tanto da alegria que ela sentia em Stefan e a onda de resposta
deliciosa em si mesma. O amor de Stefan a banhava, brilhava por ela, iluminando cada
lugar escuro de sua alma como o Sol. Ela tremeu com prazer, com amor, e com nostalgia.
Ele se afastou lentamente, como se no pudesse suportar se separar dela, e eles olharam nos
olhos um do outro com fascinante alegria.
Eles no falaram. No havia necessidade de palavras. Ele acariciou seu cabelo, com um
toque to leve que ela quase no o sentia, como se ele tivesse medo que ela pudesse quebrar
em suas mos. Ela soube, ento, que no fora dio que o fez evit-la por tanto tempo. No,
no tinha sido dio mesmo.


Elena no tinha idia de que horas eram quando eles silenciosamente desceram as escadas
da penso. Em qualquer outra hora, ela teria ficado animada em entrar no insinuante carro
preto de Stefan, mas hoje  noite ela mal notou isso. Ele segurou sua mo enquanto eles
dirigiam pelas ruas desertas.
A primeira coisa qu Elena viu enquanto se aproximavam de sua casa foram as luzes.
" a polcia," ela disse, achando sua voz com alguma dificuldade. Era estranho falar depois
de estar em silncio por tanto tempo. "E aquele  o carro de Robert na entrada, e ali est o
do Matt," ela disse. Ela olhou para Stefan, e a paz que a havia preenchido de repente se
tornou frgil. "Eu me pergunto o que aconteceu. Voc no acha que o Tyler j contou 
eles...?"
"Nem mesmo o Tyler seria to estpido," disse Stefan.
Ele parou atrs de um dos carros da polcia, e Elena relutantemente soltou sua mo da dele.
Ela desejou com todo seu corao que ela e Stefan pudessem simplesmente ficar juntos
sozinhos, que eles nunca precisassem encarar o mundo.
Mas no havia o que fazer quanto a isso. Eles andaram pelo caminho at a porta, que estava
aberta. Dentro, a casa estava um arroubo de luzes.
Entrando, Elena viu o que pareceu ser uma dzia de rostos virando em sua direo. Ela teve
uma viso repentina de como devia parecer, parada l na entrada envolvida com a manta de
veludo negro, com Stefan Salvatore ao seu lado. E ento tia Judith soltou um grito e a
estava segurando nos braos, chacoalhando-a e a abraando de uma s vez.
"Elena! Oh, graas a Deus voc est a salvo. Mas onde voc esteve? E por que no ligou?
Voc percebe o que fez todos passarem?"
Elena encarou a sala com perplexidade. Ela no entendeu coisa alguma.
"Ns s estamos felizes de v-la de volta," disse Robert.
 "Eu estava na penso, com Stefan," ela disse lentamente. "Tia Judith, esse  Stefan
Salvatore; ele aluga um quarto l. Ele me trouxe de volta."
"Obrigada," disse tia Judith para Stefan por sobre a cabea de Elena. Ento, recuando para
olhar para Elena, ela disse, "Mas o seu vestido, seu cabelo  o que aconteceu?"
"Voc no sabe? Ento Tyler no te contou. Mas ento por que a polcia est aqui?" Elena
avanou em direo  Stefan instintivamente, e ento sentiu ele se mover mais perto dela
em proteo.
"Eles esto aqui porque Vickie Bennett foi atacada no cemitrio hoje  noite," disse Matt.
Ele e Bonnie e Meredith estavam parados atrs de tia Judith e Robert, parecendo aliviados e
um pouco embaraados e mais do que um pouco cansados. "Ns a achamos talvez duas,
trs atrs, e estivemos procurando por voc desde ento."
"Atacada?" disse Elena, surpresa. "Atacada pelo qu?"
"Ningum sabe," disse Meredith.
"Bem, ora, talvez no seja nada com se preocupar," disse Robert reconfortantemente. "O
mdico disse que ela tomou um bom susto, e que ela esteve bebendo. O negcio todo pode
ter acontecido em sua imaginao."
"Aqueles arranhes no so imaginrios," disse Matt, corts mas teimosamente.
"Que arranhes? Do que vocs esto falando?" Elena exigiu, olhando de um rosto para o
outro.
"Eu vou te contar," disse Meredith, e ela explicou, sucintamente, como ela e os outros
encontraram Vickie.
"Ela ficava dizendo que no sabia onde voc estava, que ela estava sozinha com Dick
quando aconteceu. E quando a trouxemos de volta para c, o mdico disse que no
conseguia achar nada conclusivo. Ela no estava realmente machucada exceto pelos
arranhes, e eles poderiam ter vindos de um gato."
"No havia nenhuma outra marca nela?" disse Stefan severamente. Era a primeira vez que
ele falava desde que entrara na casa, e Elena olhou para ele, surpresa por seu tom.
"No," disse Meredith. " claro, um gato no rasgou suas roupas  mas Dick pode ter feito.
Oh, e sua lngua foi mordida."
"O qu?" disse Elena.
"Gravemente mordida, quero dizer. Deve ter sangrado um monte, e a machuca falar agora."
Ao lado de Elena, Stefan tinha ficado muito tenso. "Ela tinha alguma explicao para o que
aconteceu?"
"Ela estava histrica," Matt disse. "Realmente histrica; ela no estava fazendo sentido
algum. Ela ficava tagarelando sobre olhos e neblina negra e no ser capaz de correr  que 
a razo pela qual o mdico acha que foi algum tipo de alucinao. Mas o que todos podem
discernir, os fatos so que ela e Dick Carter estavam na Igreja arruinada no cemitrio perto
da meia noite, e que alguma coisa veio e a atacou l."
Bonnie acrescentou, "No atacou Dick, o que pelo menos mostra que tinha bom gosto. A
polcia o achou desmaiado no cho da Igreja, e ele no se lembra de nada."
Mas Elena mal ouviu as ltimas palavras. Algo estava terrivelmente errado com Stefan. Ela
no podia dizer como sabia disso, mas ela sabia. Ele tinha endurecido quando Matt
terminou de falar, e agora, apesar de no ter se movido, ela sentia como se uma grande
distncia os estivesse separando, como se ela e ele estivessem em lados opostos de uma
fenda, abrindo uma banquisa.
Ele disse, em uma voz terrivelmente controlada que ela tinha escutado anteriormente em
seu quarto, "Na Igreja, Matt?"
"Sim, na Igreja arruinada," Matt disse.
 "E voc tem certeza que foi  meia noite?"
"Ela no conseguia ter certeza, mas deve ter sido perto disso. Ns a encontramos no muito
depois.
Por qu?"
Stefan no disse nada. Elena podia sentir o abismo entre eles se alargando. "Stefan," ela
sussurrou. Ento, em voz alta, ela disse desesperadamente, "Stefan, o que foi?"
Ele balanou sua cabea. No me deixe de fora, ela pensou, mas ele nem ao menos olhava
para ela. "Ela ir viver?" ele perguntou abruptamente.
"O mdico disse que no havia nada de muito errado com ela," Matt disse. "Ningum nem
ao menos sugeriu que ela pudesse morrer."
O aceno de Stefan foi abrupto, ento ele se virou para Elena. "Eu tenho que ir," ele disse.
"Voc est a salvo agora."
Ela pegou sua mo enquanto ele se virava. " claro que eu estou a salvo," ela disse. "Por
sua causa."
"Sim," ele disse. Mas no houve resposta em seus olhos. Ele estavam protegidos, foscos.
"Me ligue amanh." Ela apertou sua mo, tentando transmitir o que ela sentia atravs do
escrutnio de todos aqueles olhos observadores. Ela queria que ele entendesse.
Ele olhou para suas mos sem expresso alguma, ento, lentamente, de volta  ela. E ento,
por fim, ele retornou a presso aos dedos dela. "Sim, Elena," ele sussurrou, seus olhos
unindo-se aos dela. No minuto seguinte ele se fora.
Ela tomou um longo flego e se virou para a sala lotada. Tia Judith ainda estava pairando,
seu olhar fixado no que podia ser visto do vestido arruinado de Elena por debaixo de seu
manto.
"Elena," ela disse, "o que aconteceu?" E seus olhos foram para a porta atravs da qual
Stefan acabara de sair.
Um tipo de risada histrica agitou-se na garganta de Elena, e ela a sufocou. "Stefan no fez
isso," ela disse. "Stefan me salvou." Ela sentiu seu rosto endurecer, e ela olhou para o
policial atrs de tia Judith.
"Foi Tyler, Tyler Smallwood..."




Captulo Nove

Ela no era a reencarnao de Katherine.
Dirigindo de volta  penso no dbil silncio lavanda antes do amanhecer, Stefan pensou
sobre isso.
Ele tinha dito isso mesmo  ela, e era verdade, mas ele s estava percebendo agora h
quanto tempo ele estivera trabalhando nessa concluso. Ele tinha estado ciente de cada
respirao e movimento de Elena h semanas, e ele tinha catalogado cada diferena.
Seu cabelo era um ou dois tons mais claro do que o Katherine, e suas sobrancelhas e clios
eram mais escuros.
Os de Katherine tinha sido quase prateados. E ela mais alta do que Katherine por um bom
palmo. Ela se movia com mais liberdade, tambm; as garotas dessa poca estavam mais
confortveis com seus corpos.
At mesmo seus olhos, aqueles olhos que o imobilizaram com o choque do reconhecimento
naquele primeiro dia, no eram realmente os mesmos. Os olhos de Katherine eram
geralmente arregalados com curiosidade infantil, ou ento desencorajados como era
apropriado para uma jovem garota do fim do sculo quinze. Mas os olhos de Elena o
encontravam diretamente, olhavam para voc firmes e sem vacilar. E algumas vezes eles se
estreitavam com determinao ou provocao de uma forma que os de Katherine nunca
fizeram.
Na graciosidade e beleza e pura fascinao, elas tambm eram parecidas. Mas enquanto
Katherine tinha sido uma gatinha branca, Elena era uma tigresa branca como a neve.
Enquanto ele passava pelas silhuetas de rvores de bordo, Stefan encolheu-se da lembrana
que brotou repentinamente.
Ele no iria pensar nisso, ele no iria se deixar... mas as imagens j estavam se movendo
diante dele. Era como se o jornal tivesse se aberto e ele no pudesse fazer nada alm de
encarar incontrolavelmente a pgina enquanto a histria se desenrolava na sua mente.
Branco, Katherine estivera usando branco naquele dia. Um novo vestido branco de seda
veneziana com mangas cortadas para mostrar a fina camisola de linho por baixo. Ela tinha
um colar de ouro e prolas em seu pescoo e um pequenino brinco de pingente de prola em
suas orelhas.
Ela estava to satisfeita com o vestido novo que seu pai tinha comissionado especialmente
para ela.
Ela tinha dado piruetas na frente de Stefan, levantando a grande e comprida saia com uma
pequena mo para mostrar o bordado amarelo debaixo dela...
"Veja, est at bordado com as minhas iniciais. Papa fez isso. Mein lieber* Papa..." Sua
voz dissipou-se, e ela parou de rodopiar, uma mo lentamente se ajustando ao seu lado.
"Mas o que est errado, Stefan?
* expresso alem que quer dizer 'meu querido', 'meu bem'.
Voc no est sorrindo."
Ele no conseguia nem tentar. A viso dela aqui, branca e dourada como alguma viso
celestial, era uma dor fsica para ele. Se ele a perdesse, ele no sabia como poderia viver.
Seus dedos se fecharam convulsivamente em volta do frio metal entalhado. "Katherine,
como eu posso sorrir, como eu posso ser feliz quando..."
"Quando?"
 "Quando eu vejo como olha para Damon." Pronto, foi dito. Ele continuou dolorosamente.
"Antes de ele voltar para casa, voc e eu estvamos juntos todos os dias. Meu pai e o seu
estavam satisfeitos, e falavam de planos de casamento. Mas agora os dias so mais curtos, o
vero est quase acabando  e voc passa tanto tempo com Damon quanto passa comigo. A
nica razo porque o pai permite que ele fique aqui  porque voc pediu. Mas por que voc
pediu isso, Katherine? Eu achei que voc gostasse de mim."
Os olhos azuis dela estavam consternados. "Eu gosto de voc, Stefan. Oh, voc sabe que eu
gosto!"
"Ento por que intercede por Damon com meu pai? Se no fosse por voc, ele teria jogado
Damon na rua..."
"O que eu tenho certeza que teria agradado voc, irmozinho." A voz na porta era estvel e
arrogante, mas quando Stefan virou-se ele viu que os olhos de Damon estavam ardendo.
"Ah, no, isso no  verdade," disse Katherine. "Stefan nunca desejaria v-lo machucado."
Os lbios de Damon se curvaram repentinamente, e ele lanou a Stefan um olhar irnico
enquanto movia-se para o lado de Katherine. "Talvez no," ele disse  ela, sua voz
suavizando-se ligeiramente. "Mas meu irmo est certo sobre pelo menos uma coisa. Os
dias esto ficando mais curtos, e logo seu pai partir para Florena. E ele te levar junto  a
no ser que voc tenha uma razo para ficar."
A no ser que voc tenha um marido com quem ficar. As palavras no foram ditas, mas
todos as ouviram. O baro era muito ligado  sua filha para for-la a se casar contra sua
vontade. No final teria que ser a deciso de Katherine. A escolha de Katherine.
Agora que o assunto foi levantado, Stefan no podia calar-se. "Katherine sabe que deve
deixar seu pai em breve" ele comeou, exibindo seu conhecimento secreto, mas seu irmo
interrompeu.
"Ah, sim, antes que o velho fique desconfiado," Damon disse casualmente. "At mesmo o
mais coruja dos pais comear a se perguntar porque sua filha s sai  noite."
Raiva e mgoa varreu por Stefan. Era verdade, ento; Damon sabia. Katherine tinha
dividido seu segredo com seu irmo.
"Por que voc contou  ele, Katherine? Por qu? O que pode ver nele: um homem que no
liga para nada exceto seu prprio prazer? Como ele a pode fazer feliz quando pensa
somente em si mesmo?"
"E como esse garoto pode faz-la feliz quando ele no conhece nada do mundo?" Damon
interps, sua voz afiada como lmina com desprezo. "Como ele ir proteg-la quando ele
nunca encarou a realidade? Ele passou sua vida entra livros e pinturas; deixe-o ficar aqui."
Katherine estava balanando sua cabea em agonia, seus olhos azuis de pedras preciosas
nublados com lgrimas.
"Nenhum dos dois entende," ela disse. "Vocs esto pensando que eu posso me casar e me
assentar aqui como qualquer outra dama de Florena. Mas eu no posso ser como as outras
damas. Como eu poderia manter uma casa cheia de serventes que iro observar cada
movimento meu? Como eu poderia viver em um lugar onde as pessoas iro ver que os anos
no me tocam? Nunca haver uma vida normal para mim."
Ela tomou um longo flego e olhou para cada um deles de uma vez. "Quem escolher ser
meu marido deve desistir da vida da luz solar," ela sussurrou. "Ele deve escolher viver
sujeito a Lua e nas horas da escurido."
"Ento voc deve escolher algum que no tem medo das sombrar," Damon disse, e Stefan
ficou surpreso com a intensidade de sua voz. Ele nunca tinha ouvido Damon falar to
ardentemente ou com to pouca afeio.
"Katherine, olhe para meu irmo: ele ser capaz de renunciar  luz solar? Ele  muito
apegado  coisas comuns: seus amigos, sua famlia, sua responsabilidade para Florena. A
escurido o destruiria."
 "Mentiroso!" gritou Stefan. Ele estava agitado agora. "Eu sou to forte quanto voc ,
irmo, e eu no temo nada nas sombras ou na luz solar tampouco. E eu amo Katherine mais
do que amigos ou famlia"
"ou a sua responsabilidade? Voc a ama o bastante para desistir disso tambm?"
"Sim," Stefan disse audaciosamente. "O bastante para desistir de tudo."
Damon lanou um de seus sorriso repentinos e perturbadores. Ento ele virou-se para
Katherine. "Parece," ele disse, "que a escolha  somente sua. Voc tem dois pretendentes
para sua mo; ir escolher um de ns ou nenhum?"
Katherine lentamente abaixou sua cabea dourada. Ento ela levantou olhos azuis molhados
para ambos.
"Dem-me at domingo para pensar. E no meio tempo, no me pressionem com perguntas."
Stefan concordou relutantemente. Damon disse, "E no domingo?"
"Ao anoitecer de domingo, no crepsculo, eu farei minha escolha."
Crepsculo... a profunda escurido violeta do crepsculo...
Os tons de veludo dissiparam-se ao redor de Stefan, e ento ele voltou  si. No era o
anoitecer, mas sim o amanhecer, aquele cu manchado ao seu redor. Perdido em seus
pensamentos, ele tinha dirigido at a beira da floresta.
Ao noroeste ele podia ver a Ponte Wickery e o cemitrio. Novas lembranas fizeram sua
pulsao golpear.
Ele tinha dito  Damon que estava disposto a desistir de tudo por Katherine. E foi
exatamente isso que ele fez. Ele tinha renunciado seu direito  luz solar, e tinha se tornado
uma criatura das trevas por ela. Um caador condenado a ser para sempre caado, um
ladro que tinha que roubar vida para preencher suas prprias veias.
E talvez um assassino. No, eles tinham dito que a garota Vickie no morreria. Mas sua
prxima vtima podia. A pior coisa sobre seu ltimo ataque era que ele no se lembrava de
nada. Ele lembrava-se da fraqueza, da necessidade opressora, e ele lembrava-se de vacilar
na porta da Igreja, mas nada depois. Ele tinha voltado  si quando estava do lado de fora
com o grito de Elena ecoando em seus ouvidos  e ele tinha corrido at ela sem parar para
pensar sobre o que podia ter acontecido.
Elena... Por um moneto ele sentiu uma onda de pura felicidade e admirao, esquecendo
todo o resto. Elena, quente como a luz solar, macia como a manh, mas com um corao de
ao que no podia ser quebrado. Ela era como fogo queimando no gelo, como a ponta
afiada de uma adaga de prata.
Mas ele tinha o direito de am-la? Seu sentimento por ela a colocava em perigo. E se na
prxima vez a necessidade o tomasse quando Elena fosse a humana viva mais perto, o vaso
sanguneo cheio de sangue quente e renovador mais perto?
Eu morrerei antes de toc-la, ele pensou, fazendo um juramento. Antes que abra suas veias,
eu morrerei de sede. E eu juro que ela nunca conhecera meu segredo. Ela nunca ter que
abandonar a luz solar por minha causa.
Atrs dele, o cu estava se iluminando. Mas antes que ele fosse, ele mandou um
pensamento profundo, com toda a fora de sua dor por trs dele, procurando por algum
outro Poder que pudesse estar por perto. Procurando por alguma outra soluo para o que
quer que tenha acontecido na Igreja.
Mas no havia nada, nenhuma pista de resposta. O cemitrio zombava dele em silncio.


Elena acordou com o Sol brilhando em sua janela. Ela sentiu, imediatamente, como se
tivesse acabado de se recuperar de um longo episdio de gripe, e como se fosse manh de
Natal. Seus pensamentos se misturaram enquanto ela se sentava.
Ai. Ela estava machucada em tudo quanto  parte. Mas ela e Stefan  aquilo deixava tudo
certo. Aquele Tyler bbado e grosseiro... Mas Tyler no importava mais. Nada importava
exceto que Stefan a amava.
Ela desceu as escadas com sua camisola, percebendo pela luz que se inclinava pelas janelas
que ela deveria ter dormido at muito tarde. Tia Judith e Margaret estavam na sala de estar.
"Bom dia, tia Judith." Ela deu  sua tia surpresa um abrao longe e duro. "E bom dia,
chuchu." Ela levantou Margaret e valsou pela sala com ela. "E  oh! Bom dia, Robert." Um
pouco envergonhada por sua exuberncia e seu estado de vestimenta, ela desceu Margaret e
se apressou para a cozinha.
Tia Judith entrou. Apesar de terem crculos escuros ao redor de seus olhos, ela estava
sorrindo. "Voc parece estar de bom humor essa manh."
"Oh, eu estou." Elena deu-lhe outro abrao, para se desculpar pelos crculos escuros.
"Voc sabe que temos que voltar ao escritrio do xerife para falar com eles sobre Tyler."
"Sim." Elena tirou suco da geladeira e serviu um copo a si mesma. "Mas posso ir primeiro
na casa da Vickie Bennett? Eu sei que ela deve estar chateada, especialmente j que parece
que ningum acredita nela."
"Voc acredita nela, Elena?"
"Sim," ela disse lentamente, "Eu acredito nela. E, tia Judith," ela acrescentou, chegando 
uma deciso, "algo aconteceu comigo na Igreja, tambm. Eu pensei"
"Elena! Bonnie e Meredith esto aqui para v-la." A voz de Robert soou do corredor.
O estado de confidncia foi quebrado. "Oh... mande-as entrar," Elena chamou, e tomou um
gole do suco de laranja.
"Eu te conto sobre isso mais tarde," ela prometeu  tia Judith, enquanto passos
aproximavam-se da cozinha.
Bonnie e Meredith pararam na entrada, paradas com uma formalidade desacostumada.
Elena mesma se sentia embaraada, e esperou at que sua tia tivesse deixado a sala para
falar de novo.
Ento ela limpou sua garganta, seus olhos fixos em um azulejo gasto de linleo. Ela
espreitou ligeiramente e viu que ambas Bonnie e Meredith estavam encarando o mesmo
azulejo.
Ela explodiu em risadas, e com o som ambas olharam para cima.
"Eu estou feliz demais para at mesmo ficar na defensiva," Elena disse, estendendo seus
braos para elas. "E eu sei que devia estar arrependida sobre o que eu disse, e eu estou
arrependida, mas eu s no posso agir pateticamente sobre isso. Eu fui horrvel e eu mereo
ser executada, e agora podemos simplesmente fingir que nunca aconteceu?"
"Voc tem que estar arrependida, fugir da gente daquele jeito," Bonnie repreendeu enquanto
as trs se juntavam em um abrao intrincado.
"E com Tyler Smallwood, justo ele," disse Meredith.
"Bem, aprendi minha lio nessa," Elena disse, e por um momento seu humor ficou negro.
Ento Bonnie garganteou uma risada.
"E voc mesma conseguiu um peixo  Stefan Salvatore! Falando em entradas dramticas.
Quando voc entrou pela porta com ele, eu achei que estivesse alucinando. Como voc fez
isso?"
"Eu no fiz. Ele s apareceu, como a cavalaria em um daqueles filmes velhos."
"Defendendo sua honra," disse Bonnie. "O que podia ser mais excitante?"
"Eu posso pensar em uma ou duas coisas," disse Meredith. "Mas ento, talvez Elena j as
fez, tambm."
"Eu contarei tudo sobre isso," Elena disse, soltando-as e dando um passo para trs. "Mas
primeiro vocs vo para a casa de Vickie comigo? Eu quero falar com ela."
 "Voc pode nos contar enquanto voc estiver se vestindo, e enquanto estivermos andando,
e enquanto voc estiver escovando seus dentes por sinal," disse Bonnie firmemente. "E se
voc deixar de fora um detalhezinho, voc vai encarar a Inquisio Espanhola."
"Veja," disse Meredith maliciosamente, "todo o trabalho do Sr. Tanner deu certo. Bonnie
agora sabe que a Inquisio Espanhola no  uma banda de rock."
Elena estava rindo com completo entusiasmo enquanto subiam as escadas.


Sra. Bennett parecia plida e cansada, mas as convidou para entrar.
"Vickie est descansando; o mdico disse para mant-la na cama," ela explicou, com um
sorriso que tremia levemente. Elena, Bonnie, e Meredith se amontoaram no corredor
estreito.
A Sra. Bennett bateu levemente na porta de Vickie. "Vickie, querida, algumas garotas da
escola querem v-la.
No fiquem muito tempo," ela acrescentou para Elena, abrindo a porta.
"Ns no vamos," Elena prometeu. Ela adentrou um lindo quarto azul e branco, as outros
logo atrs dela. Vickie estava deitada em uma casa apoiada por travesseiros, com uma
manta azul-cinzenta at seu queixo.
Seu rosto estava branco como papel contra ela, e seus olhos de plpebras pesadas
encaravam diretamente  sua frente.
"Era assim que ela estava ontem  noite," Bonnie sussurrou.
Elena moveu-se para o lado da cama. "Vickie," ela disse suavemente. Vickie continuou
encarando, mas Elena pensou que sua respirao tinha mudado levemente. "Vickie, pode
me ouvir?  Elena Gilbert." Ela olhou duvidosamente para Bonnie e Meredith.
"Parece que deram-lhe tranqilizantes," disse Meredith.
Mas a Sra. Bennett no tinha dito que tinham-lhe dado remdios. Franzindo a testa, Elena
voltou-se para a garota indiferente.
"Vickie, sou eu, Elena. Eu s queria falar com voc sobre ontem  noite. Eu quero que voc
saiba que eu acredito em voc sobre o que aconteceu." Elena ignorou o olhar afiado que
Meredith lhe deu e continuou. "E eu queria perguntar para voc"
"No!" Foi um grito, grosso e agudo, sado da garganta de Vickie. O corpo que estivera to
parado quanto um boneco de cera explodiu em uma ao violenta. O cabelo castanho claro
de Vickie chicoteou suas bochechas enquanto ela atirava sua cabea para frente e para trs e
suas mos batiam no espao vazio. "No! No!" ela gritava.
"Faa algo!" Bonnie arfou. "Sra. Bennett! Sra. Bennett!"
Elena e Meredith estavam tentando segurar Vickie na cama, e ela estava lutando contra
elas. A gritaria seguiu continuamente. Ento de repente a me de Vickie estava ao lado
delas, ajudando a segur-la, empurrando as outras para longe.
"O que vocs fizeram  ela?" ela gritou.
Vickie agarrou-se com fora  me, se acalmando, mas ento os olhos de plpebras pesadas
olharam Elena por sobre o ombro da Sra. Bennett.
"Voc  parte disso! Voc  malvada!" ela gritou histericamente para Elena. "Fique longe
de mim!"
Elena estava pasma. "Vickie! Eu s vim aqui pedir"
"Eu acho que  melhor vocs irem agora. Deixem-nos em paz," disse a Sra. Bennett,
apertando sua filha protetoramente.
"No vem o que etso fazendo  ela?"
No silncio estupefato, Elena deixou o quarto. Bonnie e Meredith a seguiram.
"Devem ser os remdios," disse Bonnie quando estavam fora da casa. "Ela simplesmente
ficou completamente no-linear."
 "Voc notou as mos dela?" Meredith disse  Elena. "Quando ns estvamos tentando
cont-la, eu segurei uma de suas mos. E estava fria como gelo."
Elena balanou sua cabea em perplexidade. Nada disso fazia sentido, mas ela no deixaria
isso estragar seu dia. Ela no deixaria. Desesperadamente, ela procurou em sua mente por
algo que fosse contrabalancear a experincia, que permitiria-lhe atear-se  felicidade.
"Eu sei," ela disse. "A penso."
"O qu?"
"Eu disse  Stefan para me ligar hoje, mas por que no andamos at  penso ao invs
disso? No  longe daqui."
"Somente uma caminhada de vinte minutos," disse Bonnie. Ela se alegrou. "Pelo menos
poderemos finalmente ver aquele quarto dele."
"Na verdade," disse Elena, "eu estava pensando que voc duas podiam esperar no andar
debaixo. Bem, eu s vou poder v-lo por alguns minutos," ela acrescentou, defensivamente,
enquanto elas olhavam para ela. Era estranho, talvez, mas ela no queria dividir Stefan com
suas amigas ainda. Ele era to novo para ela que parecia que ele era quase um segredo.
A batida delas na brilhante porta de carvalho foi atendida pela Sra. Flowers. Ela era uma
gnominha enrugada com olhos negros surpreendentemente brilhantes.
"Voc deve ser Elena," ela disse. "Eu vi voc e Stefan sarem ontem  noite, e ele me disse
o seu nome quando ele voltou."
"Voc nos viu?" disse Elena, surpresa. "Eu no te vi."
"No, voc no viu,"disse a Sra. Flowers, e deu risada. "Que garota bonita voc , minha
querida," ela acrescentou.
"Uma garota muito bonita." Ela deu um tapinha na bochecha de Elena.
"Er, obrigada," disse Elena desconfortavelmente. Ela no gostava da maneira como aqueles
olhos parecidos com pssaros estavam fixados nela. Ela olhou atravs da Sra. Flowers para
as escadas. "Stefan est em casa?"
"Ele deve estar, a no ser que tenha voado do telhado!" disse a Sra. Flowers, e deu risadas
novamente. Elena riu educadamente.
"Ns ficaremos aqui embaixo com a Sra. Flowers," disse Meredith para Elena, enquanto
Bonnie revirava seus olhos em martrio. Escondendo um sorriso, Elena concordou e subiu
pelas escadas.
Que casa velha estranha, ela pensou novamente enquanto localizava a segunda escada no
quarto. As vozes abaixo estavam muito fracas daqui, e enquanto ela subia os degraus elas se
dissiparam inteiramente. Ela estava enrolada em silncio, e enquanto alcanava o quarto
mal iluminado no alto, ela teve a sensao de ter entrado em outro mundo. Sua batida soou
muito tmida. "Stefan?" Ela no podia ouvir nada de dentro, mas de repente a porta se abriu.
Todos devem parecer plidos e cansados hoje, pensou Elena, e ento ela estava nos braos
dele.
Aqueles braos se apertaram ao seu redor convulsivamente. "Elena. Oh, Elena..."
Ento ele se afastou. Era exatamente do jeito que fora na noite passada; Elena pde sentir o
abismo abrindo-se entre eles. Ela viu o olhar frio e correto se juntar em seus olhos.
"No," ela disse, pouco ciente de que falara em voz alta. "Eu no te deixare." E ela puxou a
boca dele para a dela.
Por um momento no houve resposta, e ento ele estremeceu, e o beijo tornou-se abrasador.
Seus dedos se embaraaram no cabelo dela, e o universo contraiu-se ao redor de Elena.
Nada mais existia exceto Stefan, e a sensao de seus braos ao redor dela, e o fogo de seus
lbios nos delas.
Uns poucos minutos ou uns poucos sculos mais tarde eles se separaram, ambos tremendo.
Mas seus olhares permaneceram conectados, e Elena viu que os olhos de Stefan estavam
dilatados demais mesmo para essa luz turva; havia apenas uma estreita faixa de verde ao
redor de suas pupilas escuras. Ele parecia estupefato, e sua boca  aquela boca!  estava
inchada.
 "Eu acho," ele disse, e ela pde ouvir o controle em sua voz, "que  melhor tomarmos
cuidado quando fizermos isso."
Elena concordou, ela prpria estupefata. No em pblico, ela estava pensando. E no
quando Bonnie e Meredith estavam esperando l embaixo. E no quando estivessem
absolutamente sozinhos, a no ser que...
"Mas voc pode s me segurar," ela disse.
Que estranho, que depois daquela paixo ela pudesse se sentir to a salvo, to pacfica, em
seus braos. "Eu te amo," ela sussurrou na l spera de seu suter.
Ela sentiu um tiritar passar por ele. "Elena," ele disse novamente, e era um som de quase
desespero.
Ela levantou sua cabea. "O que tem de errado com isso? O que possivelmente poderia ter
de errado com isso, Stefan? Voc no me ama?"
"Eu..." Ele olhou para ela, desamparadamente  e eles ouviram a voz da Sra. Flowers
chamando fracamente da base da escada.
"Garoto! Garoto! Stefan!" Soava como se ela estivesse batendo no corrimo com seu
sapato.
Stefan suspirou. " melhor eu ir ver o que ela quer." Ele deslizou para longe dela, seu rosto
ilegvel.
Deixada sozinha, Elena cruzou seus braos ao redor do peito e estremeceu. Era to gelado
aqui. Ele deveria ter uma lareira, ela pensou, os olhos se movendo preguiosamente pelo
quarto para descansar finalmente na cmoda de mogno que tinha examinado na noite
anterior.
O cofre.
Ela olhou para a porta fechada. Se ele voltasse e a pegasse... Ela realmente no deveria -
mas ela j estava se movendo em direo  cmoda.
Pense na mulher do Barba Azul, ela disse  si mesma. A curiosidade matou ela. Mas seus
dedos estavam na tampa de ferro. Com seu corao batendo rapidamente, ela abriu a tampa.
Na luz turva, o cofre primeiramente pareceu estar vazio, e Elena soltou uma risada nervosa.
O que ela tinha esperado? Cartas de amor de Caroline? Uma adaga sangrenta?
Ento ela viu a tira estreita de seda, dobrada repetidamente impecavelmente sobre si mesma
em um canto. Ela a tirou e a correu entre seus dedos. Era a fita laranja-amarelada que ela
tinha perdido no segundo dia de escola.
Oh, Stefan. Lgrimas queimaram seus olhos, e em seu peito amor fluiu incontrolavelmente,
inundando-a.
Tanto tempo atrs? Voc gostava de mim tanto tempo atrs? Oh, Stefan, eu te amo...
E no importa se voc no pode dizer isso para mim, ela pensou. Houve um som do lado de
fora da porta, e ela dobrou a fita rapidamente e a recolocou no cofre. Ento se virou em
direo  porta, piscando lgrimas de seus olhos.
No importa se voc no pode dizer isso de imediato. Eu direi por ns dois. E algum dia
voc ir aprender.
Captulo Dez

7 de outubro, por volta das 8 da manh.
Querido Dirio,
Estou escrevendo isso durante a aula de trigonometria, e eu s espero que a Srta. Halpern
no me veja.
Eu no tive tempo de escrever ontem  noite, apesar de eu querer. Ontem um dia louco e
confuso, exatamente como a noite do Baile de Boas-Vindas. Sentada aqui na escola essa
manh eu quase sinto como se tudo que aconteceu nesse final-de-semana foi um sonho. As
coisas ruins foram to ruins, mas as boas foram muito, muito boas.
Eu no vou prestar queixas criminais contra Tyler. Ele foi suspenso da escola, contudo, e
do time de futebol americano. Assim como Dick, por ter estado bbado no baile. Ningum
est dizendo, mas eu acho que um monte de pessoas acha que ele foi responsvel pelo que
aconteceu com Vickie. A irm de Bonnie viu Tyler na clnica ontem, e ela disse que ele
tinha dois olhos roxos e seu rosto todo estava roxo. Eu no posso evitar me preocupar com
o que vai acontecer quando ele e Dick voltarem  ela. Eles tem mais razo do que mundo
para odiarem Stefan agora.
* essa frase faz mais sentido em ingls, porque o que ns chamamos de 'olho roxo', eles
chamam de 'olho preto'.
O que me leva  Stefan. Quando eu acordei essa manh eu entrei em pnico, pensando, "E
se tudo no for verdade? E se nunca aconteceu, ou se ele mudou de idia?" E tia Judith
estava preocupada no caf-da-manh porque eu no conseguia comer de novo. Mas ento
quando eu fui  escola eu vi ele no corredor perto do escritrio, e ns s olhamos um para
o outro. E eu soube. Pouco antes de ele se virar, ele sorriu, meio que ironicamente. E eu
entendi isso, tambm, e ele estava certo, era melhor no ficar em cima um do outro em um
corredor pblico, a no ser que quisssemos fazer as secretrias tremerem.
Ns estmos definitivamente muito juntos. Agora eu s tenho que achar uma maneira de
explicar tudo isso ao Jean-Claude. Ha-ha.
O que eu no enteno  porque Stefan no est to feliz sobre isso quanto eu. Quando
estamos um com o outro eu posso sentir o que ele sente, e eu sei quanto ele me quer,
quanto ele liga. H um fome quase desesperada dentro dele quando ele me beija, como se
ele quisesse puxar a minha alma do meu corpo.
Como um buraco negro que.


Ainda 7 de outubro, agora por volta de 2 da tarde.
Bem, uma pequena pausa ali porque a senhorita Halpern me pegou. Ela at mesmo
comeou a ler em voz alta o que eu tinha escrito, mas ento eu acho que o assunto
vaporizou seus culos e ela parou. Ela No estava Satisfeita. Eu estou feliz demais para
ligar para coisas secundrias como reprovar em trigonometria.
Stefan e eu almoamos juntos, ou pelo menos nos fomos em um canto do campo e nos
sentamos com o meu almoo. Ele nem ao menos se deu ao trabalho de trazer alguma coisa,
e  claro que acabou que eu no consegui comer tambm. Ns no nos tocamos muito 
no nos tocamos  mas conversamos e olhamos um para o outro um monte. Eu quero
toc-lo. Mais do que qualquer garoto que eu j conheci. E eu sei que ele quer, tambm,
mas ele est hesitando.  isso o que eu no consigo entender, por que ele est lutando
contra isso, por que ele est hesitando.
Ontem em seu quarto eu achei uma prova de que ele est me observando desde o comeo.
Voc se lembra como te contei que no segundo dia de escola Bonnie e Meredith e eu
estvamos no cemitrio? Bem, ontem no quarto de Stefan eu achei a fita laranja-amarelada
que eu estava usando naquele dia. Eu lembro dela caindo da minha mo enquanto eu
estava correndo, e ele deve ter pegado e a guardado.
Eu no disse  ele que eu sei, porque ele obviamente quer manter isso em segredo, mas isso
mostra, no mostra, que ele gosta de mim?
Eu te digo outra pessoa que No est Satisfeita. Caroline. Aparentemente ela o esteve
arrastando  sala de fotografia na hora do almoo todo dia, e quando ele no apareceu
hoje ela foi procurar at que nos achou. Pobre Stefan, ele tinha esquecido dela por
completo, e ele ficou chocado consigo mesmo. Assim que ela saiu  um tom asqueiroso e
doentio de verde, devo acrescentar  ele me disse como ela tinha se ligado  ele na
primeira semana de escola. Ela disse que tinha notado que ele no comia no almoo e ela
tambm no, j que estava de dieta, e por que no iam  algum lugar silencioso e
relaxante? Ele no dizia realmente nada ruim sobre ela (o que eu acho que  sua idia de
boa educao novamente, um cavalheiro no faz isso), mas ele disse que no havia nada
entre eles. E para Caroline eu acho que ser esquecida  pior do que se ele tivesse jogado
pedras nela.
Eu me pergunto por que Stefan no come no almoo, contudo.  estranho para um jogador
de futebol.
Oh-ou. O Sr. Tanner acabou de vir at aqui e eu joguei meu caderno em cima desse dirio
bem a tempo. Bonnie est abafando o riso atrs de seu livro de histria, e eu posso ver seus
ombros chacoalhando. E Stefan, que est na minha frente, parece to tenso quanto se ele
fosse saltar de sua cadeira a qualquer minuto. Matt est me lanando um olhar "sua
louca" e Caroline est olhando furiosamente. Eu estou sendo muito, muito inocente,
escrevendo com meus olhos fixos em Tanner  frente. Ento se isso est um tanto vacilante
e bagunado, voc entender porque.
No ltimo ms, eu realmente no fui eu mesma. Eu no fui capaz de pensar claramente ou
me concentrar em algo exceto Stefan. H tanto que eu deixei por fazer que eu me sinto
quase assustada. Eu devia estar no comando da decorao da Casa Assombrada e eu nem
fiz nada sobre isso ainda. Agora eu tenho exatas trs semanas e meia para organiz-la  e
eu quero ficar com Stefan.
Eu poderia sair do comit. Mas isso deixaria Bonnie e Meredith com o peso nas costas. E
eu fico lembrando do que Matt disse quando eu pedi  ele para fazer Stefan vir ao baile:
"Voc s quer todos e tudo girando ao redor de Elena Gilbert."
Isso no  verdade. Ou pelo menos, se foi no passado, eu no vou mais deixar ser verdade.
Eu quero  ah, isso vai soar completamente estpido, mas eu quero ser digna de Stefan. Eu
sei que ele no iria decepcionar os caras do time para satisfazer sua prpria comodidade.
Eu quero que ele tenha orgulho de mim.
Eu quero que ele me ame tanto quanto eu o amo.


"Se apressa!" chamou Bonnie da entrada do ginsio. Ao lado dela o zelador da escola, Sr.
Shelby, estava esperando.
Elena deu uma olhada nas imagens distantes no campo de futebol americano, ento
relutantemente cruzou o asfalto para se juntar  Bonnie.
"Eu s queria dizer  Stefan onde eu estou indo," ela disse. Depois de uma semana com
Stefan, ela ainda sentia a onda de excitao s por dizer seu nome. Toda noite essa semana
ele tinha vindo  sua casa, aparecendo na porta por volta do pr-do-sol, as mos nos bolsos,
usando sua jaqueta com o colarinho virado para cima. Eles geralmente davam uma
caminhada ao anoitecer, ou sentavam na varanda, conversando. Apesar de nada ser dito
sobre isso, Elena sabia que esse era o jeito de Stefan ter certeza que eles no ficavam
sozinhos juntos em privacidade. Desde a noite do baile, ele tinha tido certeza disso.
Protegendo sua honra, Elena pensou ironicamente, e com sofrimento, porque ela sabia em
seu corao que era mais do que s isso.
 "Ele pode viver sem voc por uma noite," disse Bonnie insensivelmente. "Se voc for falar
com ele voc nunca vai se afastar, e eu gostaria de chegar em casa em tempo de algum tipo
de jantar."
"Ol, Sr. "Shelby," disse Elena para o zelador, que ainda estava pacientemente esperando.
Para sua surpresa, ele fechou um olho em uma piscadela solene para ela. "Onde est
Meredith?" ela acrescentou.
"Aqui," disse uma voz atrs dela, e Meredith apareceu com uma caixa de papelo de pastas
de arquivos e cadernos em seus braos. "Eu peguei o negcio do seu armrio."
"So s vocs?" disse o Sr. Shelby. "Muito bem, agora, vocs garotas fechem e tranquem a
porta, escutaram?
Desse jeito ningum pode entrar.'
Bonnie, pronta para entrar, parou brevemente.
"Tem certeza de que j no tem algum dentro?" ela disse cautelosamente.
Elena deu-lhe um empurro entre as omoplatas. "Se apressa," ela mimicou maldosamente.
"Eu quero chegar em casa em tempo do jantar."
"No tem ningum dentro," disse o Sr. Shelby, sua boca retorcendo debaixo de seu bigode.
"Mas vocs garotas gritem se quiserem algo. Eu estarei por perto."
A porta fechou atrs delas com um curioso som final.
"Trabalho," disse Meredith resignadamente, e colocou a caixa no cho.
Elena concordou, olhando para cima e para baixo no grande salo vazio. Todo ano o
Conselho Estudantil organiza a Casa Assombrada como uma festa para arrecadao de
fundos. Elena tinha estado no comit de decorao nos ltimos dois anos, junto com Bonnie
e Meredith, mas era diferente ser a presidente. Ela tinha que tomar decises que afetariam a
todos, e ela no podia nem ao menos recorrer no que fora feito nos anos anteriores.
A Casa Assombrada era geralmente feita em depsito de madeira, mas com o crescente
desconforto na cidade foi decidido que o ginsio da escola era mais seguro. Para Elena, isso
significava repensar todo o design interior, e com menos de trs semanas agora para o Dia
das Bruxas.
"Na verdade  bem fantasmagrico aqui," disse Meredith silenciosamente. E havia algo
perturbador em estar em um grande salo fechado, Elena pensou. Ela se achou abaixando o
volume de sua voz.
"Vamos medir primeiro," ela disse. Elas se moveram pelo salo, seus passos ecoando de
forma oca.
"Certo," disse Elena quando elas terminaram. "Vamos trabalhar." Ela tentou se livrar da
sensao de desconforto, dizendo  si mesma que era ridculo se sentir insegura no ginsio
da escola, com Bonnie e Meredith ao seu lado e todo o time de futebol americano
praticando a nem 180 metros de distncia.
As trs sentaram-se nas arquibancadas com canetas e cadernos em mo. Elena e Meredith
consultaram seus esboos de design dos anos anteriores enquanto Bonnie mordia sua caneta
e olhava ao redor pensativamente.
 "Bem, aqui est o ginsio," disse Meredith, fazendo um rpido esboo em seu caderno. "E
aqui est onde as pessoas vo entrar. Poderamos colocar o Cadver Sangrento bem no
final... A propsito, quem ser o Cadver Sangrento esse ano?"
"Treinador Lyman, eu acho. Ele fez um bom trabalho ano passado, e ele ajuda a controlar
os caras do futebol americano." Elena apontou para o esboo delas. "Est bem, vamos
dividir isso e fazer a Cmara de Tortura Medieval. Eles sairo direto dali e entraro na Sala
dos Mortos-Vivos..."
"Eu acho que deveramos ter drudas," disse Bonnie abruptamente.
"Ter o qu?" disse Elena, e ento, enquanto Bonnie comeava a gritar "dru-das," ela
acenou uma mo reprimindo. "Est certo, est certo, eu me lembro. Mas por qu?"
"Porque foram eles que inventaram o Dia das Bruxas. Srio. Comeou como um de seus
dias sagrados, quando eles faziam fogueiras e colocavam nabos com rostos entalhados neles
para manter os espritos do mal afastados. Eles acreditavam que era o dia quando a linha
entre os vivos e os mortos estava mais fina. E eles eram assustadores, Elena. Eles
executavam sacrifcios humanos. Ns podamos sacrificar o Treinador Lyman."
"Na verdade, no  uma m idia," disse Meredith. "O Cadver Sangrento podia ser um
sacrifcio. Sabe, em um altar de pedra, com uma faca e poas de sangue ao redor. E ento
quando voc chega bem perto, ele de repente se senta."
"E te d insuficincia cardaca," disse Elena, mas ela tinha que admitir que era uma boa
idia, definitivamente assustador. A fazia se sentir um pouco nauseada s falando sobre
isso. Todo aquele sangue... mas era s xarope de milho, srio.
As outras garotas ficaram quietas, tambm. Do vestirio dos garotos ao lado, elas podiam
ouvir o som da gua correndo e armrios batendo, e por cima disso vozes indistintas
gritando.
"O treino acabou," murmurou Bonnie. "Deve estar escuro l fora."
"Sim, e o Nosso Heri est ficando todo molhado," disse Meredith, erguendo uma
sobrancelha para Elena. "Quer espiar?"
"Bem que eu queria," disse Elena, s parcialmente brincando. De algum jeito,
indefinidamente, a atmosfera na sala tinha obscurecido.
Bem nesse momento ela desejou poder ver Stefan, poder estar com ele.
"Voc escutou mais alguma coisa sobre Vickie Bennett?" ela perguntou repentinamente.
"Bem," disse Bonnie depois de um momento, "Eu escutei que os pais dela vo lev-la para
um psiquiatra."
"Um psiquiatra? Por qu?"
"Bem... eu acho que eles pensam que aquelas coisas que ela nos disse eram alucinaes ou
algo assim. E eu escutei que os pesadelos dela so bem ruins."
"Oh," disse Elena. Os sons do vestirio dos garotos estavam se dissipando, e elas ouviram
uma porta de fora se fechar. Alucinaes, ela pensou, alucinaes e pesadelos. Por alguma
razo, ela se lembrou de repente daquela noite no cemitrio, daquela noite quando Bonnie
as mandou correrem de algo que nenhuma delas podia ver.
" melhor voltarmos aos negcios," disse Meredith. Elena saiu de seu devaneio e
concordou.
"Ns... ns podamos ter um cemitrio," Bonnie disse hesitantemente, como se estivesse
lendo os pensamentos de Elena. "Na Casa Assombrada, quero dizer."
"No," disse Elena severamente. "No, vamos simplesmente ficar com o que temos," ela
acrescentou em uma voz mais calma, e inclinou seu bloco novamente.
Novamente no houve som algum alm da frico suave de canetas e o farfalhar de papel.
"Bom," disse Elena por fim. "Agora ns s precisamos medir para as diferentes divises.
Algum vai ter que ir atrs das arquibancadas... O que foi agora?"
As luzes no ginsio tinham piscado e ficado com energia parcial.
"Ah, no," disse Meredith, exasperada. As luzes piscaram de novo, apagaram, e retornaram
fracamente mais uma vez.
"Eu no consigo ler nada," disse Elena, encarando o que agora parecia ser um pedao de
papel em branco.
Ela olhou para cima para Bonnie e Meredith e viu duas manchas brancas de rostos.
"Algo deve estar errado com o gerador de emergncia," disse Meredith. "Eu vou chamar o
Sr. Shelby."
"No podemos simplesmente terminar isso amanh?" Bonnie disse queixosamente.
"Amanh  sbado," disse Elena. "E ns deveramos ter feito isso semana passada."
"Eu vou chamar Shelby," disse Meredith novamente. "Vamos, Bonnie, voc vem comigo."
Elena comeou, "Ns todas poderamos ir" mas Meredith interrompeu.
"Se todas formos e no o acharmos, ento no podemos voltar. Vamos, Bonnie,  do lado
de dentro da escola."
"Mas est escuro l fora."
"Est escuro em todo lugar;  de noite. Vamos; com duas de ns ser seguro." Ela arrastou
uma relutante Bonnie at a porta. "Elena, no deixe ningum entrar."
"Como se voc tivesse que me dizer isso," disse Elena, deixando-as sair e ento
observando-as marcharem pelo corredor. No momento em que elas comearam a se mesclar
com a obscurido, ela voltou para dentro e fechou a porta.
Bem, essa era uma bela baguna, como sua me costumava dizer. Elena foi at a caixa de
papelo que Meredith tinha trazido e comeou a empilhar e arquivar pastas e cadernos de
volta. Nessa luz ela podia v-los somente como formas vagas. No havia som algum alm
de sua prpria respirao e dos sons que ela fazia.
Ela estava sozinha nesse salo enorme e turvo
Algum a estava observando.
Ela no sabia como sabia disso, mas tinha certeza. Algum estava atrs dela no escuro
ginsio, observando. Olhos na escurido, o velho tinha dito. Vickie tinhaa dito isso,
tambm. E agora havia olhos nela.
Ela virou-se rapidamente para encarar o salo, forando seus prprios olhos para ver as
sombras, tentando nem respirar. Ela estava aterrorizada de que se fizesse um som a coisa l
fora a pegaria. Mas ela no conseguia ver nada, escutar nada.
As arquibancadas estavam turvas, formas ameaadoras se esticando no nada. E a margem
distante do salo era simplesmente uma bruma cinza montona. Neblina escura, ela pensou,
e pode sentir cada msculo agonizantemente tenso enquanto escutava desesperadamente.
Oh Deus, o que foi aquele suave som murmurante? Devia ser sua imaginao... Por favor
deixe isso ser sua imaginao.
De repente, sua mente ficou clara. Ela tinha que sair desse lugar, agora. Havia perigo de
verdade aqui, no apenas fantasia. Algo estava l fora, algo malvado, algo que a queria. E
ela estava sozinha.
Algo se moveu nas sombras.
Seu grito congelou-se em sua garganta. Seus msculos se congelaram, tambm, parados
imveis pelo seu pavor - e por alguma fora sem nome. Desamparadamente, ela observou
enquanto o formato na escurido se movia para fora das sombras e em direo a ela. Parecia
quase como se a prpria escurido tivesse voltado  vida e estivesse coalescendo enquanto
ela observava, tomando uma forma  uma forma humana, a forma de um homem jovem.
"Sinto muito se a assustei."
A voz era agradvel, com um ligeiro sotaque que ela no conseguia identificar. No parecia
nem um pouco arrependida.
O alvio foi to repentino e completo que era doloroso. Ela desmoronou e ouviu sua
prpria respirao suspirar.
Era s um cara, algum antigo estudante ou um assistente do Sr. Shelby. Um cara comum,
que estava sorrindo fracamente, como se o tivesse divertido v-la quase desmaiar.
Bem... talvez no to comum. Ele era extraordinariamente bonito. Seu rosto era plido no
crepsculo artificial, mas ela podia ver que seus traos eram limpamente definidos e quase
perfeitos debaixo de um chocante cabelo escuro. Aquelas bochechas eram o sonho de
escultor. E ele estivera quase invisvel porque estava usando preto: suaves botas pretas,
jeans pretos, suter preto, e uma jaqueta de couro.
Ele ainda estava sorrindo fracamente. O alvio de Elena virou raiva.
"Como voc entrou?" ela exigiu. "E o que est fazendo aqui? Ningum mais devia estar no
ginsio."
"Eu entrei pela porta," ele disse. Sua voz estava suave, elaborada, mas ela ainda podia ouvir
a diverso e achou isso desconcertante.
"Todas as portas esto trancadas," ela disse categoricamente, acusadoramente.
Ele levantou suas sobrancelhas e sorriu. "Esto?"
Elena sentiu outro tremor de medo, pelinhos levantando na parte de trs de seu pescoo.
"Elas deveriam estar," ela disse com a voz mais gelada que pde.
"Voc est brava," ele disse seriamente. "Eu disse que sentia muito por t-la assustado."
"Eu no estava assustada!" ela repreendeu. Ela sentiu-se tola de alguma forma em frente 
ele, como uma criana sendo mimada por algum muito mais velho e com mais
conhecimento. Isso a deixou ainda mais brava. "Eu s fiquei surpresa," ela continuou. "O
que  pouco surpreendente, com voc espreitando no escuro desse jeito."
"Coisas interessantes acontecem no escuro... s vezes." Ele ainda estava rindo dela; ela
podia dizer pelos seus olhos. Ele tinha dado um passo para mais perto, e ela pde ver que
aqueles olhos eram raros, quase pretos, mas com luzes estranhas neles. Como se voc
pudesse olhar cada vez mais profundamente at que caisse neles, e continuasse caindo para
sempre.
Ela percebeu que estava encarando. Por que as luzes no acendiam? Ela queria sair daqui.
Ela moveu-se para longe, colocando o final de uma arquibancada entre eles, e empilhou os
ltimos arquivos na caixa. Esquea o resto do trabalho por hoje  noite. Tudo que ela queria
agora era ir embora.
Mas o silncio contnuo a deixava desconfortvel. Ele estava simplesmente parado ali,
imvel, observando-a. Por que ele no dizia algo?
"Voc veio aqui procurar por algum?" Ela ficou aborrecida consigo mesma por ter falado.
Ele ainda estava olhando para ela, aqueles olhos escuros fixos nela de uma maneira que a
deixava mais e mais desconfortvel. Ela engoliu em seco.
Com seus olhos nos lbios dela, ele murmurou, "Ah, sim."
"O qu?" Ela tinha esquecido do que tinha perguntado. Suas bochechas e garganta estavam
ruborizando, queimando com o sangue. Ela se sentiu to tonta. Se ao menos ele parasse de
olhar para ela...
"Sim, eu vim aqui procurar por algum," ele repetiu, no mais alto do que antes. Ento,
com um passo ele se moveu na direo dela, para que ficassem separados por apenas o
canto de um assento da arquibancada.
Elena no podia respirar. Ele estava to prximo. Perto o bastante para tocar. Ela podia
sentir um leve trao de colnia e o couro de sua jaqueta. E os olhos dele ainda estavam
presos nos dela  ela no podia olhar para longe deles.
Eles eram como nenhum outros olhos que ela j vira, pretos como a meia-noite, as pupilas
dilatadas como as de um gato. Eles enchiam sua viso enquanto ele se inclinava em direo
 ela, abaixando sua cabea na altura da dela. Ela sentiu seus prprios olhos fecharam
parcialmente, perdendo o foco. Ela sentiu sua cabea inclinar-se para trs, seus lbios se
separarem.
No! Bem a tempo ela balanou sua cabea para o lado. Ela sentiu como se tivesse acabado
de se puxar da ponta de um precipcio. O que eu estou fazendo? ela pensou em choque. Eu
estava prestes a deix-lo me beijar. Um estranho completo, algum que eu s conheci h
alguns minutos.
Mas essa no era a pior coisa. Naqueles poucos minutos, algo inacreditvel aconteceu.
Naqueles poucos minutos, ela tinha se esquecido de Stefan.
Mas agora a imagem dele enchia sua mente, e o desejo por ele era como uma dor fsica em
seu corpo. Ela queria Stefan, queria seus braos ao seu redor, queria ficar a salvo com ele.
Ela engoliu em seco. Suas narinas incendiaram enquanto ela respirava fundo. Ela tentou
manter sua voz firme e digna.
"Eu vou embora agora," ela disse. "Se voc est procurando por algum, eu acho que 
melhor procurar em outro lugar."
Ele estava olhando para ela estranhamente, com uma expresso que ela no podia entender.
Era uma mistura de irritao e respeito rancoroso  e algo mais. Algo quente e feroz que a
assustava de uma maneira diferente.
Ele esperou at que a mo dela estivesse na maaneta para responder, e sua voz estava
suave mas sria, sem traos de divertimento. "Talvez eu j a tenha encontrado... Elena."
Quando ela se virou, ela no pode ver nada na escurido.




Captulo Onze

Elena tropeou pelo corredor turvo, tentando visualizar o que estava ao seu redor. Ento o
mundo de repente tremeluziu e ficou claro e ela se achou cercada por fileiras de armrios
familiares. Seu alvio foi to grande que ela quase chorou. Ela nunca pensou que ficaria to
feliz em simplesmente enxergar. Ela ficou parada por um minuto olhando ao redor com
gratido.
"Elena! O que est fazendo aqui fora?"
Era Meredith e Bonnie, correndo pelo corredor em direo a ela.
"Onde vocs estiveram?" ela disse ferozmente.
Meredith fez careta. "Ns no conseguamos achar Shelby. E quando finalmente o
achamos, ele estava dormindo. Estou falando srio," ela acrescentou para o olhar incrdulo
de Elena. "Dormindo. E ento no conseguamos acord-lo. No foi at que as luzes
voltaram que ele abriu seus olhos. Ento fomos atrs de voc. Mas o que voc est fazendo
aqui?"
Elena hesitou. "Eu fiquei cansada de esperar," ela disse to levianamente quanto pde. "Eu
acho que trabalhamos o bastante para um dia, de qualquer jeito."
"Agora voc diz isso," disse Bonnie.
Meredith no disse nada, mas lanou um olhar afiado e penetrante  Elena. Elena teve a
desconfortvel sensao que aqueles olhos escuros viam alm da superfcie.

Em todo aquele final de semana e durante a semana seguinte, Elena trabalhou nos planos
para a Casa Assombrada.
Nunca tinha tempo suficiente para ficar com Stefan, e aquilo era frustrante, mas ainda mais
frustrante era o prprio Stefan. Ela podia sentir a paixo dele por ela, mas ela tambm podia
sentir que ele estava lutando contra isso, ainda se recusando a ficar completamente sozinho
com ela. E de muitas maneiras ele ainda era to misterioso para ela quanto tinha sido
quando ela o viu pela primeira vez.
Ele nunca falava de sua famlia ou de sua vida antes de vir para Fell's Church, e se ela lhe
fizesse algum pergunta ele a deixava de lado. Uma vez ela lhe perguntou se ele sentia falta
da Itlia, se ela estava arrependido de ter vindo para c. E por um instante seus olhos tinham
se iluminado, o verde brilhando como folhas de carvalho refletidas em um riacho correndo.
"Como eu poderia estar arrependido, quando voc est aqui?" ele disse, e a beijou de uma
maneira que tirava todas as inquisies de sua mente. Naquele momento, Elena soube o que
era ser completamente feliz. Ela sentiu a alegria dele, tambm, e quando ele se afastou ela
viu que o rosto dele estava iluminado, como se o Sol brilhasse atravs dele.
"Oh, Elena," ele tinha sussurrado.
Os bons tempos eram assim. Mas ele a beijava com cada vez menos freqncia, e ela sentiu
a distncia entre eles se alargar.
Naquela sexta, ela e Bonnie e Meredith decidiram dormir na casa dos McCulloughs. O cu
estava cinzento e ameaando chuviscar a medida que ela e Meredith entravam na casa de
Bonnie. Estava excepcionalmente frio para o meio de outubro, e as rvores sinalizando a
silenciosa rua j sentiam o belisco do vento gelado. As rvores de bordo estavam de um
escarlate flamejante, enquanto os ginkgo bilobas estavam de um amarelo radiante.
Bonnie as saudou na porta com um: "Todos se foram! Ns teremos a casa toda para ns at
amanh de tarde, quando minha famlia volta de Leesburg." Ela chamou-as para dentro,
agarrando o pequins bem-nutrido que estava tentando escapar. "No, Yangtze, fique
dentro. Yangtze, no, no v! No!"
Mas era tarde demais. Yangtze tinha escapado e estava lanando-se pelo quintal da frente
para a nica btula, onde ele latiu agudamente para os ramos, rolos de gordura em suas
costas se agitando.
"Ah, ele est atrs do que agora?" disse Bonnie, colocando suas mos em cima de suas
orelhas.
"Parece com um corvo," disse Meredith.
Elena enrijeceu. Ela deu alguns passos em direo  rvore, olhando para as folhas
douradas. E ali estava. O mesmo corvo que ela j tinha visto duas vezes. Talvez trs vezes,
ela pensou, lembrando da forma escura voando sobre as rvores de carvalho no cemitrio.
Enquanto olhava para aquilo ela sentiu seu estmago apertar de medo e suas mos ficarem
frias. Aquilo estava encarando ela novamente com seu brilhante olho negro, quase uma
encarao humana. Aquele olho... onde ela tinha visto um olho como aquele antes?
De repente as trs garotas pularam para trs enquanto o corvo grasnava hostilmente e batia
suas asas, irrompendo da rvore em direo  elas. No ltimo instante ele se lanou no
pequeno cachorro, que agora estava latindo histericamente. Chegou a centmetros dos
dentes caninos e ento levantou vo novamente, voando por cima da casa para desaparecer
nas nogueiras pretas alm.
As trs garotas ficaram congeladas em espanto. Ento Bonnie e Meredith olharam uma para
a outra, e a tenso se quebrou em risadas nervosas.
"Por um momento eu achei que ele estava vindo na nossa direo," disse Bonnie, indo ao
pequins horrorizado e arrastando-o, ainda latindo, de volta para casa.
"Eu tambm," disse Elena silenciosamente. E enquanto seguia suas amigas para dentro, ela
no se juntou s risadas.
Logo que ela e Meredith colocoram suas coisas de lado, contudo, a noite caiu em um
padro familiar. Era difcil manter-se desconfortvel sentada na sala de estar desordenada
de Bonnie ao lado de uma lareira barulhenta, com uma xcara de chocolate quente em sua
mo. Logo as trs estavam discutindo os planos finais para a Casa Assombrada, e ela
relaxou.
"Ns estamos em boa forma," disse Meredith por fim. " claro, ns passamos tanto tempo
imaginando as fantasias de todo mundo que no pensamos nas nossas."
"A minha  fcil," disse Bonnie. "Eu vou ser uma sacerdotisa druda, e eu s vou precisar
de uma grinalda de folhas de carvalho no meu cabelo e uma tnica branca. Mary e eu
podemos costurar isso em uma noite."
"Eu acho que serei uma bruxa," disse Meredith pensativamente. "Tudo que preciso  um
vestido preto longo. E quanto a voc, Elena?"
Elena sorriu. "Bem, deveria ser um segredo, mas... Tia Judith me deixou ir  uma
costureira. Eu achei uma foto de um vestido da Renascena em um dos livros que usei para
meu relatrio oral, e ns vamos copi-lo.  seda veneziana, azul-gelo, e  absolutamente
lindo."
"Soa lindo," Bonnie disse. "E caro."
"Estou usando meu prprio dinheiro do depsito dos meus pais. Eu s espero que Stefan
goste dele.  uma surpresa para ele, e... bem, eu s espero que ele goste."
"O que Stefan vai ser? Ele est ajudando com a Casa Assombrada?" disse Bonnie
curiosamente.
"Eu no sei," Elena disse aps um momento. "Ele no parece muito animado com o
negcio todo do Dia das Bruxas."
" difcil v-lo todo enrolado em lenos destrudos ou coberto com sangue falso como os
outros caras," concordou Meredith. "Ele parece... bem, digno demais para isso."
"Eu sei!" disse Bonnie. "Eu sei exatamente o que ele pode ser, e ele mal ter que colocar
uma fantasia. Olha, ele  estrangeiro, ele  meio plido, e tem aquele maravilhoso olhar
taciturno... Coloque-o em casaco e ter o perfeito Conde Drcula!"
Elena sorriu apesar de si mesma. "Bem, eu perguntarei  ele," ela disse.
 "Falando no Stefan," disse Meredith, seus olhos escuros em Elena, "como vo as coisas?"
Elena suspirou, desviando o olhar para o fogo. "Eu... no tenho certeza," ela disse por fim,
lentamente. "Tem horas que tudo  maravilhoso, e ento tem outras horas que..."
Meredith e Bonnie trocaram um olhar, e ento Meredith falou gentilmente. "Outras horas
que o qu?"
Elena hesitou, debatendo. Ento ele tomou uma deciso. "S um segundo," ela disse, e se
levantou e correu pela escada. Ela voltou para baixo com um livrinho de veludo azul em
suas mos.
"Eu escrevi um pouco disso ontem  noite quando no conseguia dormir," ela disse. "Isso
diz melhor do que eu poderia agora."
Ela achou a pgina, tomou um longo flego, e comeou.


"17 de outubro
"Querido Dirio,
"Eu me sinto horrvel hoje. E eu tenho que dividir isso com algum.
"Algo est errado com Stefan e eu. H essa tristeza terrvel dentro dele que eu no consigo
alcanar, e est nos separando. Eu no sei o que fazer.
"Eu no aguento pensar em perd-lo. Mas ele est to infeliz sobre algo, e se ele no me
contar o que , se ele no confiar assim em mim, eu no vejo esperana para ns.
"Ontem quando ele estava me segurando eu senti algo suave e redondo debaixo de sua
camisa, algo numa corrente. Eu perguntei  ele, provocando, se era um presente de
Caroline. E ele simplesmente congelou e no falava mais. Era como se ele de repente
estivesse h mil e seiscentos quilmetros, e seus olhos... havia tanta dor em seus olhos que
eu mal podia suportar."
Elena parou de ler e seguiu as ltimas linhas escritas no dirio silenciosamente com seus
olhos. Eu sinto como se algum o machucou terrivelmente no passado e ele nunca superou
isso. Mas eu tambm acho que tem algo que ele tem medo, algum segredo que ele tem medo
que eu descubra. Se eu ao menos soubesse o que era, eu poderia provar para ele que ele
pode confiar em mim. Que ele pode confiar em mim no importa o que acontea, at o
final.
"Se eu ao menos soubesse," ela sussurrou.
"Se voc ao menos soubesse o qu?" disse Meredith, e Elena olhou para cima, surpresa.
"Oh  se eu ao menos soubesse o que vai acontecer," ela disse rapidamente, fechando seu
dirio. "Quero dizer, se eu soubesse que iramos terminar eventualmente, acho que eu iria
querer terminar de uma vez. E se eu soubesse que daria tudo certo no final, eu no me
importaria com o que acontecesse agora. Mas passar dia-a-dia sem ter certeza  horrvel."
Bonnie mordeu seu lbio, ento se sentou, os olhos brilhando. "Eu posso te mostrar um
jeito de descobrir, Elena," ela disse. "Minha av me ensinou um jeito de descobrir com
quem voc vai se casar. Chama-se ceia dos tolos."
"Deixe-me adivinhar, um velho truque druda," disse Meredith.
"Eu no quantos anos tem," disse Bonnie. "Minha av diz que sempre houve ceias dos tos
tolos. De qualquer jeito, funciona. Minha me viu a imagem do meu pai quando ela tentou
tisso, e um ms mais tarde eles se casaram.  fcil, Elena; e o que voc tem a perder?"
Elena olhou de Bonnie para Meredith. "Eu no sei," ela disse. "Mas, olha, voc realmente
no acredita..."
Bonnie parou-a com uma dignidade ofendida. "Est chamando minha me de mentirosa?
Ah, vamos l, Elena, no custa tentar. Por que no?"
"O que eu teria que fazer?" disse Elena duvidosamente. Ela se sentiu estranhamente
intrigada, mas ao mesmo tempo ligeiramente assustada.
" simples. Ns temos que aprontar tudo antes do badalar da meia noite..."
Cinco minutos antes da meia noite, Elena estava de p na sala de jantar dos McCulloughs,
sentindo-se mais tola do que qualquer outra coisa. Do quintal, ela podia ver o latido
frentico de Yangtze, mas dentro da casa no havia som algum exceto o tique
no-apressado do relgio do av. Seguindo as instrues de Bonnie, ela tinha arrumado a
grande mesa de nogueira preta com um prato, um copo, e um conjunto de talheres de prata,
o tempo todo sem dizer uma palavra. Ento ela tinha acendido uma nica vela em um
castial no centro da mesa, e se posicionado atrs da cadeira do lugar demarcado.
De acordo com Bonnie, no badalar da meia noite ela tinha que puxar a cadeira para trs e
convidar seu futuro marido. Naquele momento, a vela iria se apagar e ela veria uma
imagem fantasmagrica na cadeira.
Mais cedo, ela ficou um pouco desconfortvel quanto a isso, incerta se queria ver qualquer
imagem fantasmagrica, mesmo de seu futuro marido. Mas agora o negcio todo parecia
tolo e inofensivo. Enquanto o relgio comeava a badalar, ela se endireitou e segurou
melhor a cadeira para trs. Bonnie tinha lhe dito para no desgrudar at que a cerimnia
tivesse acabado.
Ah, isso era tolice. Talvez ela no disesse as palavras... mas quando o relgio comeou a
tocar na hora, ela ouviu si mesma falando.
"Entre," ela disse embaraadamente para a sala vazia, puxando a cadeira. "Entre, entre..."
A vela se apagou.
Elena mexeu-se na escurido repentina. Ela tinha sentido o vento, uma rajada fria que
apagou a vela. Vinha das portas francesas atrs dela, e ela se virou rapidamente, uma mo
ainda na cadeira. Ela jurava que aquelas portas estavam fechadas.
Algo se moveu na escurido.
Terror passou por Elena, varrendo sua auto-conscincia e qualquer trao de diverso. Ah,
Deus, o que ela tinha feito, o que ela tinha trazido para si mesma? Seu corao contraiu e
ela sentiu como tivesse mergulhado, sem aviso, em seu pesadelo mais apavorante. No
estava somente escuro como absolutamente silencioso; no havia nada para se ver e nada
para se ouvir, e ela estava caindo...
"Permita-me," disse uma voz, e uma chama brilhante irrompeu na escurido.
Por um terrvel e doentio momento ela pensou que fosse Tyler, lembrando-se de seu
isqueiro na Igreja arruinada na colina. Mas a medida que a vela na mesa criava vida, ela viu
a mo plida de dedos longos que a segurava. No o pulso musculoso e vermelho de Tyler.
Ela pensou por um instante que fosse Stefan, e ento seus olhos se levantaram para o rosto
dele.
"Voc!" ela disse, espantada. "O que acha que est fazendo aqui?" Ela olhou dele para as
portas francesas, que esto de fato abertas, mostrando o gramado lateral. "Voc sempre
simplesmente entra na casa das outras pessoas sem ser convidado?"
"Mas voc me pediu para entrar." Sua voz estava como ela se lembrava, silenciosa, irnica
e divertida. Ela se lembrava do sorriso, tambm. "Obrigado," ele acrescentou, e
graciosamente sentou-se na cadeira que ela tinha puxado.
Ela tirou sua mo do encosto. "Eu no estava convidando voc," ela disse
desamparadamente, pega entre indignao e vergonha. "O que voc estava fazendo
perambulando do lado de fora da casa da Bonnie?"
Ele sorriu.  luz de vela, seus cabelo preto brilhava quase como lquido, suave e belo
demais para um cabelo humano. Seu rosto era muito plido, mas ao mesmo tempo
extremamente convincente. E seus olhos prenderam os dela e os seguraram.
" `Helena, tua beleza  para mim / Como aquelas naves micenas de outrora / Que
suavemente, em perfumado mar...' "
"Eu acho que  melhor voc ir agora." Ela no queria que ele falasse mais. Sua voz fazia
coisas estranhas com ela, fazia-a se sentir estranhamente fraca, comeava uma evaporao
em seu estmago. "Voc no deveria estar aqui. Por favor." Ela alcanou a vela, querendo
peg-la e deix-lo, lutando contra a tontura que ameaava domin-la.
Mas antes que ela pudesse peg-la, ele fez algo extraordinrio. Ele pegou sua mo esticada,
no rude mas gentilmente, e a segurou com seus delgados dedos gelados. Ento ele virou
sua mo, abaixou sua cabea escura, e beijou sua palma.
"No..." sussurrou Elena, chocada.
"Venha comigo," ele disse, e olhou nos olhos dela.
"Por favor no..." ela sussurrou novamente, as palavras nadando ao seu redor. Ele estava
louco; do que ele estava falando? Ir com ele para onde? Mas ela se sentiu to tonta, to
fraca.
Ele estava de p, apoiando ela. Ela se inclinou contra ele, sentiu aqueles dedos gelados no
primeiro boto de sua camisa na sua garganta, "Por favor, no..."
"Est tudo bem. Voc vai ver." Ele puxou a camisa para longe do pescoo, sua outra mo
atrs de sua cabea.
"No." Repentinamente, fora retornou  ela, e ela se livrou dele, cambaleando contra a
cadeira. "Eu te disse para ir embora, e falei srio. Caia fora  agora!"
Por um instante, fria pura surgiu nos olhos dele, uma onda escura de ameaa. Ento eles se
acalmaram e ficaram frios e ele sorriu, um sorriso ligeiro e claro que ele apagou
instantaneamente.
"Eu irei,' ele disse. "Por enquanto."
Ela balanou sua cabea e observou ele passar pelas portas francesas sem falar. Quando elas
fecharam atrs dele, ela ficou em silncio, tentando recuperar sua respirao.
O silncio... mas no devia estar silencioso. Ela se virou em direo ao relgio do av com
perplexidade e viu que tinha parado. Mas antes que pudesse examin-lo de perto, ela ouviu
as vozes altas de Meredith e Bonnie.
Ela se apressou pelo corredor, sentindo a fraqueza inabitual em suas pernas, puxando sua
camisa de volta e a abotoando. A porta de trs estava aberta, e ela pde ver duas imagens do
lado de fora, inclinando-se sobre algo no gramado.
"Bonnie? Meredith? O que foi?"
Bonnie olhou para cima a medida que Elena as alcanava. Seus olhos estavam cheios de
lgrimas. "Ah, Elena, ele est morto."
Com um tremor de horror, Elena encarou a trouxinha no p de Bonnie. Era o pequins,
deitado muito duramente de lado, de olhos abertos. "Oh, Bonnie," ela disse.
"Ele era velho," disse Bonnie, "mas eu nunca esperei que ele partisse to rpido. H pouco,
ele estava latindo."
"Eu acho que  melhor voltarmos para dentro," disse Meredith, e Elena olhou para ela e
concordou. Hoje no era noite para se ficar l fora na escurido. No era uma noite para
convidar coisas para dentro, tampouco. Ela sabia disso agora, apesar de ainda no entender
o que havia acontecido.
Foi quando elas voltaram  sala de estar que ela descobriu que seu dirio havia sumido.


Stefan levantou sua cabea do pescoo suave-como-veludo da cora. A floresta estava cheia
de barulhos noturnos, e ele no estava certo do que havia perturbado-o.
Com o Poder em sua mente distrado, a cerva saiu de seu transe. Ele sentiu msculos
tremerem a medida que ela tentava ficar de quatro.
V, ento, ele pensou, sentando-se e soltando-a por inteiro. Com um giro e um puxo, ela
estava de p e correndo.
Ele tinha tido o bastante. Exigente, ele lambeu os cantos de sua boca, sentindo seus dentes
caninos se retrairem e cegarem, muito sensveis como sempre depois de uma alimentao
longa. Era difcil saber o que era o suficiente.
No havia tido fases de tontura desde aquela ao lado da Igreja, mas ele vivia com medo de
seu retorno.
Ele vivia com um medo especfico: que ele voltaria a si um dia, sua mente cambaleando
com confuso, para achar o corpo gracioso de Elena dbil em seus braos, sua garganta
magra marcada com dois machucados vermelhos redondos, seu corao petrificado para
sempre.
Era com isso que tinha que tomar cuidado.
O desejo por sangue, com toda sua mirade de horrores e prazeres, era um mistrio para ele
at mesmo agora. Apesar de ter vivido com ele todos os dias por sculos, ele ainda no o
entendia. Como ser humano, ele sem dvida tinha ficado enojado, nauseado, pelo
pensamento de beber o negcio quente e rico diretamente de um corpo respirando. Isso , se
algum tivesse proposto tal coisa  ele com tantas palavras.
Mas palavra alguma fora dita naquela noite, na noite que Katherine o transformou.
Mesmo depois de todos esses anos, a memria ainda estava clara. Ele estivera dormindo
quando ela apareceu em seu aposento, movendo-se to suavemente como uma viso ou um
fantasma. Ele estivera dormindo, sozinho...


Ela estava usando uma bela muda de linho quando veio  ele.
Era a noite antes do dia que ela nomeou, o dia em que iria anunciar sua escolha. E ela veio 
ele.
Uma mo branca abriu as cortinas ao redor de sua cama, e Stefan acordou do sono,
sentando-se em alarme. Quando ele a viu, o plido cabelo dourado brilhando por sobre seus
ombros, os olhos azuis perdidos na sombra, ele ficou silencioso com espanto.
E com amor. Ele nunca tinha visto nada mais bonito em sua vida. Ele tremeu e tentou falar,
mas ela colocou dois dedos gelados sobre os lbios dele.
"Silncio," ela sussurrou, e a cama afundou com o novo peso enquanto ela subia.
Seu rosto inflamou, seu corao estava golpeando com vergonha e com animao. Nunca
havia tido uma mulher em sua cama antes. E essa era Katherine, Katherine cuja beleza
parecia vir do paraso, Katherine que ele amava mais que sua prpria alma.
E porque ele a amava, ele fazia um grande esforo. Enquanto ela deslizava para dentro dos
lenois, indo para to perto dele que ele podia sentir a frescura glida do ar noturno em sua
muda leve, ele conseguiu falar.
"Katherine," ele sussurrou. "Ns  eu posso esperar. At que nos casemos na Igreja. Eu
farei com que meu pai organize isso semana que vem. Isso  isso no demorar..."
"Silncio," ela sussurrou novamente, e ele sentiu a gelidez na sua pele. Ele no podia evitar;
ele colocou seus braos ao redor dela, segurando-a para si.
 "O que iremos fazer agora no tem nada a ver com isso," ela disse, e estendeu seus dedos
magros para acariciar a garganta dele.
Ele entendeu. E sentiu um relampejo de medo, que desapareceu enquanto os dedos dela
continuaram acariciando. Ele queria isso, queria qualquer coisa que o deixasse ficar com
Katherine.
"Deite-se, meu amor," ela sussurrou.
Meu amor. As palavras cantaram por ele enquanto ele deitava-se no travesseiro, inclinando
seu queixo para trs para que sua garganta ficasse exposta. Seu medo se fora, substitudo
por uma felicidade to grande que ele pensou que o despedaaria.
Ele sentiu o roar suave do cabelo dela em seu peito, e tentou acalmar sua respirao. Ele
sentiu sua respirao na garganta dele, e ento seus lbios. E ento seus dentes.
Houve uma dor cortante, mas ele se segurou e no fez som algum, pensando somente em
Katherine, em como ele desejasse se dar  ela. E quase imediatamente a dor passou, e ele
sentiu o sangue ser retirado do seu corpo. No era terrvel, como tinha temido. Era um
sentimento de entrega, de cuidado.
Ento foi como se suas mentes estivessem se mesclando, tornando-se uma. Ele podia sentir
a felicidade de Katherine em beber dele, seu prazer em tirar o sangue quente que lhe dava
vida. E ele sabia que ela podia sentir seu prazer em dar. Mas a realidade estava recuando, as
fronteiras entre sonhar e despertar estavam ficando borradas. Ele no conseguia pensar
claramente; ele no conseguia pensar de jeito nenhum. Ele podia apenas sentir, e seus
sentimentos estavam girando para cima, carregando-o cada vez mais para cima, quebrando
seus ltimos laos com a Terra.
Algum tempo mais tarde, sem saber como chegara ali, ele se encontrou nos braos dela. Ela
o estava embalando como uma me segurando um beb, guiando sua boca para descansar
na carne nua acima do pescoo em sua muda noturna. Havia um pequeno ferimento ali, um
corte mostrando pele escura contra a plida. Ele no sentiu medo ou hesitao, e quando ela
acariciou seu cabelo encorajadoramente, ele comeou a sugar.
Frio e preciso, Stefan tirou sujeira de seus joelhos. O mundo humano estava dormindo,
perdido em estupor, mas seus prprios sentidos estavam afiados como uma faca. Ele devia
estar saciado, mas ele estava faminto novamente; a memria tinha aberto seu apetite.
Narinas alargando-se para pegar o cheiro almiscarado de raposa, ele comeou a caar.
Captulo Doze

Elena girou lentamente em frente ao espelho alto no quarto de tia Judith. Margaret
sentou-se no p da grande cama de dossel, seus olhos azuis arregalados e solenes com
admirao.
"Eu queria ter um vestido como esse pra fazer gostosura-ou-travessura," ela disse.
"Eu acho que voc fica melhor como uma gatinha branca," disse Elena, dando um beijo
entre as orelhas brancas de veludo presas na tiara de Margaret. Ento ela se virou para sua
tia, que estava de p na porta com agulha e linha prontas.
" perfeito," ela disse calorosamente. "Ns no precisamos mudar nada."
A garota no espelho podia ter sado de um dos livros de Elena sobre a Renascena Italiana.
Sua garganta e ombros estavam nus, e o espartilho apertado do vestido azul-gelo mostrava
sua pequenina cintura. As mangas longas e cheias foram cortadas para que camisola de seda
branca abaixo ficasse transparente, e a saia longa e vasta varesse o cho ao seu redor. Era
um lindo vestido, e o plido e ntido azul parecia acentuar o azul mais escuro dos olhos de
Elena.
Enquanto ela se virava, o olhar de Elena caiu no relgio de pndulo antiquado acima da
cmoda. "Ah, no  so quase sete. Stefan vai chegar a qualquer minuto."
"Aquele  o carro dele," disse tia Judith, espiando pela janela. "Eu vou descer e deix-lo
entrar."
"No tem problema," disse Elena brevemente. "Eu encontrarei com ele eu mesma. Tchau,
divirtam-se fazendo gostosura-ou-travessura!"
Ela se apressou pelas escadas.
Aqui vai, ela pensou. Enquanto alcanava a maaneta, ela se lembrou daquele dia, h quase
dois meses agora, quando ela entrou diretamente na vida de Stefan na aula de Histria da
Europa. Ela tinha dito essa mesma sensao de expectativa, de animao e tenso.
Eu s espero que isso funcione melhor do que aquele plano, ela pensou. Durante aquela
ltima semana e meia, ela tinha cultivado suas esperanas para esse momento, para essa
noite. Se ela e Stefan no se juntassem essa noite, eles nunca iriam.
A porta se abriu, e ela saiu olhando para baixo, sentindo-se quase tmida, medo de ver o
rosto de Stefan. Mas quando ela ouviu sua respirao afiada, ela olhou para cima
rapidamente  e sentiu seu corao gelar.
Ele a estava encarando com espanto, sim. Mas no era a espantosa alegria que ela tinha
visto em seus olhos naquela primeira noite em seu quarto. Isso era algo mais prximo de
choque.
"Voc no gostou," ela sussurrou, horrorizada com a ardncia em seus olhos.
Ele se recuperou ligeiramente, como sempre, piscando e balanando sua cabea. "No, no,
 lindo. Voc  linda."
Ento por que voc est parado a parecendo como se tivesse visto um fantasma? ela
pensou. Por que voc no me segura, me beija  ou algo assim!
"Voc est maravilhoso," ela disse silenciosamente. E era verdade; ele estava polido e lindo
no smoking e capa que ele tinha feito para seu papel. Ela ficou surpresa quando ele
concordou com isso, mas quando ela sugeriu ele pareceu mais divertido do que qualquer
outra coisa. Nesse momento, ele parecia elegante e confortvel, como se tais roupas fossem
to naturais quanto seus jeans normais.
" melhor irmos," ele disse, igualmente silencioso e srio.
Elena concordou e foi com ele o carro, mas seu corao no estava mais meramente frio;
estava gelado. Ele estava mais distante dela do que nunca, e ela no fazia idia de como
conquist-lo de volta.
Troves rosnaram acima de suas cabeas enquanto eles dirigiam para a escola, e Elena
olhou para fora da janela do carro com banal desolao. A cobertura de nuvens estava
grossa e escura, apesar de ainda no ter comeado a chover. O ar tinha uma sensao
carregada e eltrica, e as trovoadas roxas mal-humoradas davam ao cu uma cara
atemorizante. Era a atmosfera perfeita para o Dia-das-Bruxas, ameaadora e de outro
mundo, mas s acordou apreenso em Elena.
Desde aquela noite na casa de Bonnie, ela tinha perdido seu apreo pelo lgubre e sinistro.
Seu dirio nunca mais apareceu, apesar de terem procurado na casa de Bonnie de cima a
baixo. Ela ainda no conseguia acreditar que tinha realmente sumido, e a idia de um
estranho lendo seus pensamentos mais privados a fez se sentir selvagem por dentro. Porque,
 claro, tinha sido roubado; que outra explicao havia? Mais de uma porta fora aberta
naquela noite na casa dos McCullough; algum podia ter simplesmente entrado. Ela queria
matar quem quer que tenha feito isso.
Uma viso de olhos escuros apareceu na sua frente. Aquele garoto, o garoto ao qual quase
cedera na casa de Bonnie, o garoto que a tinha feito se esquecer de Stefan. Fora ele?
Ela despertou a medida que chegaram  escola e forou a si mesma sorrir enquanto
passavam pelos corredores. O ginsio era um caos mal organizado. Na uma hora desde que
Elena tinha sado, tudo tinha mudado. Ento, o lugar estivera cheia de veteranos: Membros
do Conselho Estudantil, jogadores de futebol americano, o Clube Chave, todos arrumando
os ltimos detalhes nas colunas e no cenrio. Agora estava cheio de estranhos, a maioria
nem mesmo humana.
Diversos zumbis viraram-se quando Elena chegou, seus crnios zombateiros visveis
atravs da carne apodrecendo em seus rostos. Um concurnda grotescamente deformado
mancava em direo  ela, junto com um cadver com pele branca lvida e olhos ocos. De
outra direo vinha um lobisomem, seu focinho resmungo coberto de sangue, e uma bruxa
sombria e dramtica.
Elena percebeu, com um choque, que no conseguia reconhecer metade dessas pessoas com
suas fantasias. Ento eles estavam ao seu redor, admirando seu vestido azul-gelo,
anunciando problemas que j tinham se edificado. Elena acenou para que se silenciassem e
se virou na direo da bruxa, cujo longo cabelo escuro inundava as costas de um vestido
preto muito apertado.
"O que foi, Meredith?" ela disse.
"O Treinador Lyman est doente," Meredith respondeu carrancudamente, "ento algum
colocou o Tanner de substituto."
"O Sr. Tanner?" Elena estava horrorizada.
"Sim, e ele j est criando problema. A pobre da Bonnie j aguentou o suficiente.  melhor
voc ir at l."
Elena suspirou e concordou, ento foi em direo  rota serpenteante da turn da Casa
Assombrada. Enquanto passava pela pavorosa Cmara de Totura e a medonha Sala de
Golpes Loucos, ela pensou que eles haviam construdo quase bem demais. Esse lugar era
enervante mesmo na claridade.
A Sala Druda era perto da sada. L, um Stonehenge de papelo havia sido construdo. Mas
a pequena e linda sacerdotisa druda que estava de p ao redor de colunas de pedra bem
realistas usando uma tnica branca e uma grinalda de folhas de carvalho parecia prestes a
explodir em lgrimas.
"Mas voc tem que utilizar o sangue," ela estava dizendo argumentativamente. " parte da
cena; voc  um sacrifcio."
"Usar essas tnicas ridculas j  ruim o bastante," respondeu Tanner curtamente.
"Ningum me informou que eu teria que espalhar xarope em mim todo."
"Ele realmente no fica em voc," disse Bonnie. " s nas tnicas e no altar. Voc  um
sacrifcio," ela repetiu, como se de alguma maneira isso fosse convec-lo.
 "Quanto a isso," disse o Sr. Tanner com nojo, "a preciso de todo esse esquema 
altamente suspeita. Ao contrrio da crena popular, os drudas no construram Stonehenge;
foi construdo por uma cultura da poca do Bronze que"
Elena deu um passo  frente. "Sr. Tanner, essa realmente no  a questo."
"No, no seria, para voc," ele disse. "Que  porque voc e sua amiga neurtica aqui esto
reprovando em histria."
"Isso foi desnecessrio," disse uma voz, e Elena olhou rapidamente para Stefan por sobre
seu ombro.
"Senhor Salvatore," disse Tanner, pronunciando as palavras como se elas significassem
Agora meu dia est completo. "Suponho que voc tem novas palavras de sabedoria para
oferecer. Ou vai me dar um olho roxo?" Seu olhar viajou por Stefan, que estava de p l,
inconscientemente elegante em seu smoking perfeitamente costurado, e Elena sentiu um
choque repentino de discernimento.
Tanner no  realmente muito mais velho do que ns, ela pensou. Ele parece velho porque
tem calvcie, mas eu aposto que est na casa dos vinte. Ento, por alguma razo, ela se
lembrou de como Tanner estava no Baile de Boas-Vindas, em seu terno barato e brilhante
que no servia bem.
Eu aposto que ele nem ao menos foi ao seu prprio baile, ela pensou. E, pela primeira vez,
ela sentiu algo como simpatia por ele.
Talvez Stefan sentisse, tambm, porque apesar de ter enfrentado o homem pequeno, ficado
cara-a-cara com ele, sua voz estava silenciosa. "No, no vou. Eu acho que esse negcio
todo saiu das propores. Por que no..." Elena no pde escutar o resto, mas ele estava
falando em tons baixos e calmantes, e o Sr. Tanner realmente parecia estar escutando. Ela
olhou de volta para a multido que tinha se reunido atrs dela: quatro ou cinco demnios, o
lobisomem, um gorila, e um corcunda.
"Tudo bem, tudo est sob controle," ela disse, e eles se dispersaram. Stefan estava cuidando
das coisas, apesar dela no ter certeza de como, j que podia ver apenas a parte de trs de
sua cabea.
A parte de trs de sua cabea... Por um instante, uma imagem do primeiro dia da escola
relampejou perante ela De como Stefan ficou no escritrio falando com a Sra.Clarke, a
secretria, e quo estranha a Sra. Clarke tinha agido. Sem dvida, quando Elena lhou para o
Sr. Tanner agora, ele tinha a mesma expresso ligeiramente tonta.
Elena sentiu uma ondulao lenta de inquietao.
"Vamos," ela disse para Bonnie. "Vamos l para frente."
Elas cortaram caminho direto pela Sala de Aterrisagem Aliengena e a Sala dos
Mortos-Vivos, deslizando entre as divises, saindo na primeira sala onde os visitantes
entram e so cumprimentados por um lobisomem. O lobisomem tinha tirado sua cabea e
estava falando com duas mmias e uma princesa egpcia.
Elena tinha que admitir que Caroline estava bonita de Clepatra, as linhas daquele corpo
bronzeado francamente visveis atravs do revestimento de linho puro que ela usava. Matt,
o lobisomem, mal podia ser culpado se seus olhos ficavam deslizando do rosto de Caroline.
"Como est indo aqui?" disse Elena com uma leveza forada.
Matt mexeu-se ligeiramente, ento virou-se na direo dela e de Bonnie. Elena mal tinha
visto-o desde a noite do Baile, e ela sabia que ele e Stefan tinham se afastado, tambm. Por
sua causa. E apesar de Matt dificilmente poder ser culpado por isso, tambm, ela podia
dizer o quanto isso machucava Stefan.
"Tudo est bem," disse Matt, parecendo desconfortvel.
"Quando Stefan terminar com Tanner, eu acho que o mandarei para c," Elena disse. "Ele
pode ajudar a trazer pessoas."
Matt levantou um ombro indiferentemente. Ento ele disse, "Terminar o que com o
Tanner?"
Elena olhou para ele em surpresa. Ela podia ter jurado que ele estava na Sala Druda h um
minuto. Ela explicou.
L fora, o trovo estrondou novamente, e atravs da porta aberta Elena viu um flash de luz
no cu noturno. Houve uma outra exploso de troves mais barulhenta alguns segundos
depois.
"Espero que no chova," Bonnie disse.
"Sim," disse Caroline, que estivera de p silenciosamente enquanto Elena falava com Matt.
"Seria uma pena se ningum viesse."
Elena olhou para ela severamente e viu um dio aberto nos olhos estreitos e penetrantes de
Caroline.
"Caroline," ela disse impulsivamente, "olha. Podemos ficar de bem? Podemos esquecer o
que aconteceu e comear de novo?"
Debaixo da cobra em sua testa, os olhos de Caroline se alargaram e ento se estreitaram
novamente. Sua boca entortou, e ela deu um passo para perto de Elena.
"Eu nunca esquecerei," ela disse, e ento se virou e foi embora.
Houve um silncio, Bonnie e Matt olhando para o cho. Elena foi at a entrada para sentir o
ar gelado em suas bochechas. L fora ela podia ver o campo e os galhos agitados das
rvores de carvalho alm, e mais uma vez ela foi dominada com aquela estranha sensao
de mau pressgio. Hoje a noite  a noite, ela pensou miseravelmente. Hoje a noite  a noite
quando tudo ir acontecer. Mas o que "tudo" era, ela no tinha idia.
Uma voz soou pelo ginsio transformado. "Tudo bem, eles esto prestes a liberar a fila do
estacionamento. Desligue as luzes, Ed!" De repente, obscuridade decresceu e o ar ficou
cheio de gemidos e risadas manacas, como uma orquestra se afinando. Elena suspirou e se
virou.
" melhor se preparar para reun-los," ela disse  Bonnie silenciosamente. Bonnie
concordou e desapareceu na escurido. Matt colocou sua cabea de lobisomem, e estava
ligando uma fita cassete que acrescentava msica lgubre  cacofonia.
Stefan veio pela margem, seu cabelo e sua roupa mesclando na escurido. Somente sua
camisa branca aparecia claramente. "Deu tudo certo com o Tanner," ele disse. "Tem mais
alguma coisa que eu possa fazer?"
"Bem, voc podia trabalhar aqui, com Matt, atraindo as pessoas..." a voz de Elena
dissipou-se. Matt estava inclinado sobre a fita cassete, ajustando minuciosamente o volume,
no olhando para cima. Elena olhou para Stefan e viu que seu rosto estava rgido e vazio.
"Ou voc pode ir no vestirio dos garotos e ficar no comando do caf e das coisas para os
trabalhadores," ela terminou cansadamente.
"Eu vou para o vestirio," ele disse. Enquanto ele se virava, ela notou uma ligeira hesitao
em seu passo.
"Stefan? Voc est bem?"
"timo," ele disse, recuperando seu equilbrio. "Um pouco cansado,  s." Ela o observou
ir, seu peito parecendo mais pesado a cada minuto.
Ela se virou  Matt, querendo dizer-lhe algo, mas naquele momento a linha de visitantes
alcanou a porta.
"O show comeou," ele disse, e se contraiu nas sombras.


Elena moveu-se de sala  sala, localizando problemas. Em anos anteriores, ela tinha
apreciado mais essa parte da noite, observando as pavorosas cenas serem executadas e o
terror delicioso dos visitantes, mas hoje  noite havia um sentimento de temor e tenso
sustentando todos os seus pensamentos. Hoje a noite  a noite, ela pensou novamente, e o
gelo em seu peito pareceu engrossar.
Um Anjo da Morte  ou pelo menos foi isso que ela achou que a imagem encapuzada em
mantas pretas era  passou por ela, e ela se distrau tentando lembrar se o tinha visto em
alguma das festas do Dia das Bruxas. Havia algo familiar no jeito como ele se movia.


Bonnie trocou um sorriso perturbado com a alta e esguia bruxa que estava comandando o
trfico na Sala da Aranha. Diversos calouros estavam batendo nas aranhas de borracha
penduradas e gritando e em geral perturbando todos. Bonnie empurrou-os para a Sala dos
Drudas.
Aqui as luzes de estroboscpio davam  cena um carter sonhador. Bonnie sentiu um
triunfo amargo ao ver o Sr. Tanner esticado no altar de pedra, sua tnica branca
rigorosamente manchada com sangue, seus olhos encarando o teto.
"Legal!" gritou um dos garotos, correndo para o altar. Bonnie ficou para trs e riu
maliciosamente, esperando que o sacrifcio sangrento se levantasse e desse um belo susto
no garoto.
Mas o Sr. Tanner no se moveu, mesmo quando o garoto mergulhou uma mo na poa de
sangue perto da cabea do sacrifcio.
Isso  estranho, Bonnie pensou, correndo para prevenir que um garoto pegasse a faca do
sacrifcio.
"No faa isso," ela repreendeu, ento ele levantou sua mo sangrenta ao invs, e mostrava
vermelho em cada relampejo aguado do estroboscpio. Bonnie sentiu um repentino medo
irracional de que o Sr. Tanner fosse esperar at que ela se inclinasse sobre ele para fazer ela
 pular. Mas ele simplesmente continuou encarando o teto.
"Sr. Tanner, voc est bem? Sr. Tanner? Sr. Tanner!"
Nenhum movimento, nenhum som. Nenhum vacilo daqueles olhos brancos arregalados.
No toque-o, algo na mente de Bonnie disse  ele de repente e urgente. No toque-o, no
toque-o, no toque...
Debaixo das luzes do estroboscpio ela viu sua prpria mo avanar, viu-a agarrar o ombro
do Sr. Tanner e chacoalh-lo, viu sua cabea cair na direo dela. Ento ela viu sua
garganta.
Ento ela comeou a gritar.


Elena escutou os gritos. Eles eram agudos e prolongados e diferentes de qualquer outro som
na Casa Assombrada, e ela soube se primeira que no eram brincadeira.
Tudo depois disso foi um pesadelo.
Alcanando a Sala dos Drudas correndo, ela viu um quadro, mas no o preparados para os
visitantes. Bonnie estava gritando, Meredith estava segurando seus ombros. Trs jovens
garotos estavam tentando escapar pela sada da cortina, e dois seguranas estavam
espiando, bloqueando seu caminho. O Sr. Tanner estava deitado no altar de pedra,
esparramado, e seu rosto...
"Ele est morto," Bonnie estava soluando, os gritos transformando-se em palavras. "Ah,
Deus, o sangue  real, e ele est morto. Eu toquei nele, Elena, e ele est morto, ele
realmente est morto..."
As pessoas estavam aproximando-se da sala. Alguma outra pessoa comeou a gritar e isso
se espalhou, e ento todo mundo estava tentando sair, empurrando uns aos outros em
pnico, batendo nas divises.
"Acendam as luzes!" Elena gritou, e ouviu o grito passando aos outros. "Meredith, rpido,
v at um telefone no ginsio e chame uma ambulncia, ligue para a polcia... Acenda essas
luzes!"
Quando as luzes ligaram, Elena olhou ao redor, mas ela no conseguiu ver adultos,
ningum se intitulou para tomar controle da situao. Parte dela estava fria como gelo, sua
mente correndo enquanto tentava pensar no que fazer a seguir. Parte dela estava
simplesmente dormente com o horror. O Sr. Tanner... Ela nunca gostara dele, mas de
algum jeito isso s piorava.
"Tirem todas as crianas daqui, Todos exceto a equipe para fora," ela disse.
"No! Fechem as portas! No deixem ningum sair at que a polcia chegue aqui," gritou
um lobisomem ao lado dela, tirando sua mscara. Elena virou-se perplexa para a voz e viu
que no era Matt, mas Tyler Smallwood.
Ele tinha voltado  escola somente essa semana, e seu rosto ainda estava manchado da surra
que tinha levado nas mos de Stefan. Mas sua voz tinha o toque de autoridade, e Elena viu
os seguranas fecharem a porta de sada. Ela escutou outra porta fechar no ginsio.
Da uma dzia ou por a de pessoas espremidas na rea de Stonehenge, Elena reconheceu
apenas uma como um trabalhador.
O resto eram pessoas que ela conhecia da escola, mas nenhuma que ela conhecesse bem.
Uma delas, um garoto vestido de pirata, falou com Tyler.
"Voc quer dizer... voc acha que algum aqui fez isso?"
"Algum aqui fez isso, est certo," disse Tyler. Havia um som esquisito e animado em sua
voz, como se ele estivesse quase gostando disso. Ele gesticulou para a poa de sangue na
pedra. "Aquilo ainda est lquido; no deve ter acontecido h muito tempo. E veja a
maneira que sua garganta foi cortada. O assassino deve ter feito isso com aquilo." Ele
apontou para a faca de sacrifcio.
"Ento o assassino pode estar aqui agora," sussurou uma garota de quimono.
"E no  difcil adivinhar quem ," disse Tyler. "Algum que odiava Tanner, que estava
sempre se metendo em discusses com ele. Algum que estava discutindo com ele hoje
mais cedo. Eu vi isso."
Ento voc era o lobisomem nessa sala, pensou Elena perplexamente. Mas o que voc
estava fazendo aqui em primeiro lugar? Voc no est na equipe.
"Algum que tem um histrico de violncia," Tyler continuou, seus lbios recuando por
causa de seus dentes.
"Algum que, pelo que sabemos,  um psicopata que veio para Fell's Church s para
matar."
"Tyler, do que est falando?" O sentimento de perplexidade de Elena estourou como uma
bolha. Furiosa, ela andou at o garoto alto e atltico. "Voc est louco!"
Ele gesticulou para ela sem olh-la. " o que diz a namorada dele  mas talvez ela seja um
pouco parcial."
"E talvez voc seja um pouco parcial, Tyler," disse uma voz atrs de multido, e Elena viu
um segundo lobisomem empurrar-se pela sala. Matt.
"Ah, ? Bem, por que no nos conta o que voc sabe sobre o Salvatore? De onde ele vem?
Onde est sua famlia? De onde ele conseguiu todo aquele dinheiro?" Tyler virou-se para se
dirigir ao resto da multido.
"Quem sabe alguma coisa sobre ele?"
As pessoas estavam balanando suas cabeas. Elena pde ver, em cada rosto, a
desconfiana brotando. A desconfiana de algo desconhecido, algo diferente. E Stefan era
diferente. Ele era o estranho entre eles, e justamente agora eles precisavam de um bode
expiatrio.
A garota de quimono comeou, "Eu escutei um rumo"
"Isso  tudo que todos ouviram, rumores!" Tyler disse. "Ningum realmente sabe uma coisa
sobre ele. Mas tem algo que eu sei. Os ataques em Fell's Church comearam na primeira
semana de aula  que foi a semana em que Stefan Salvatore chegou."
Houve um murmrio crescente com isso, e a prpria Elena sentiu um choque de
compreenso.  claro, era tudo ridculo, era s uma coincidncia. Mas o que Tyler estava
dizendo era verdade. Os ataques tinham comeado quando Stefan chegou.
"Eu lhes digo outra coisa," gritou Tyler, gesticulando  eles para ficarem quietos.
"Escutem-me! Eu lhes digo outra coisa!" Ele esperou at que todo mundo estivesse olhando
para ele e ento disse lentamente, de modo impressionante, "Ele estava no cemitrio na
noite em que Vickie Bennett foi atacada."
"Claro que ele estava no cemitrio  reorganizando seu rosto," disse Matt, mas sua voz
carecia de sua fora habitual.
Tyler agarrou o comentrio e correu com ele.
"Sim, e ele quase me matou. E hoje  noite algum matou Tanner. Eu no sei o que vocs
acham, mas eu acho que ele fez isso. Eu acho que foi ele!"
"Mas onde ele est?" algum gritou da multido.
Tyler olhou ao redor. "Se ele fez isso, ele ainda deve estar por aqui," ele gritou. "Vamos
ach-lo."
"Stefan no fez nada! Tyler" gritou Elena, mas o barulho da multido a abafou. As
palavras de Tyler comearam a serem levadas e repetidas. Ach-lo... ach-lo... ach-lo.
Elena ouviu isso passar de pessoa a pessoa. E os rostos na Sala da Stonehenge estavam
cheios com mais do que desconfiana agora; Elena pde ver raiva e uma sede de vingana
neles, tambm. A multido tinha se transformado em algo feio, algo alm do controle.
"Onde ele est, Elena?" disse Tyler, e ela viu o triunfo flamejante em seus olhos. Ele estava
gostando disso.
"Eu no sei," ela disse ferozmente, esperando para bater nele.
"Ele ainda deve estar por aqui! Ache-!" algum gritou, e ento pareceu que todos estavam
se movendo, apontando, empurrando, tudo de uma s vez. Divises estavam sendo
derubadas e empurradas de lado.
O corao de Elena estava martelando. Isso no era mais uma multido; era um motim. Ela
estava aterrorizada com o que poderiam fazer com Stefan se o achassem. Mas se ela
tentasse avis-lo, ela levaria Tyler direto  ele.
Ela olhou ao redor desesperadamente. Bonnie ainda estava encarando o rosto morto do Sr.
Tanner. Nenhuma ajuda ali. Ela se virou para escanear a multido novamente, e seus olhos
se encontraram com os de Matt.
Ele parecia confuso e nervoso, seu cabelo loiro despenteado, as bochechas ruborizadas e
suadas. Elena colocou todo sua fora de persuao em um olhar implorante.
Por favor, Matt, ela pensou. Voc no pode acreditar em tudo isso. Voc sabe que no 
verdade.
Mas seus olhos mostravam que ele no sabia. Havia um tumulto de perplexidade e agitao
neles.
Por favor, pensou Elena, olhando naqueles olhos azuis, desejando que ele entendesse. Ah,
por favor, Matt, somente voc pode salv-lo. Mesmo se voc no acredita, por favor
simplesmente confie... por favor...
Ela viu a mudana chegando ao seu rosto, a confuso elevando-se enquanto uma amarga
determinao aparecia. Ele encarou-a por outro momento, os olhos perfurando os dela, e
concordou uma vez. Ento se virou e escapou pela multido esmagadora e caadora.


Matt cortou caminho de forma limpa pela multido at que chegou ao outro lado do ginsio.
Havia alguns calouros parados perto da porta do vestirio dos garotos; ele bruscamente
ordenou que movessem divises cadas, e quando a ateno deles estava distrada ele abriu
a porta e mergulhou dentro.
Ele olhou ao redor rapidamente, relutante em gritar. De fato, ele pensou, Stefan deve ter
escutado toda aquela algazarra no ginsio. Ele provavelmente j tinha cado fora. Mas ento
Matt viu uma imagem coberta de preto no piso de azulejo branco.
"Stefan! O que aconteceu?" Por um instante terrvel, Matt achou que estava olhando para
um segundo corpo morto. Mas enquanto ajoelhava-se ao lado de Stefan, ele viu movimento.
"Ei, voc est bem, s sente-se vagarosamente... calma. Voc est bem, Stefan?"
"Sim," disse Stefan. Ele no parecia bem, Matt pensou. Seu rosto estava branco-morto e
suas pupilas estavam dilatadas gigantemente. Ele pareceu desorientado e doente.
"Obrigado," ele disse.
"Voc pode no me agradecer daqui a um minuto. Stefan, voc tem que dar o fora daqui.
Pode escut-los? Eles esto atrs de voc."
Stefan virou-se em direo ao ginsio, como se estivesse escutando. Mas no havia
compreenso alguma em seu rosto. "Quem est trs de mim? Por qu?"
"Todo mundo. No importa. O que importa  que voc tem que dar o fora daqui antes que
eles cheguem." A medida em que Stefan continuava a simplesmente encarar vaziamente,
ele acrescentou, "Houve outro ataque, desse vez no Tanner, no Sr. Tanner. Ele est morto,
Stefan, e eles acham que voc fez isso."
Agora por fim, ele viu entendimento chegar ao olhos de Stefan. Entendimento e terror e um
tipo de derrota resignada que era mais assustadora do que qualquer coisa que Matt vira hoje
 noite. Ele agarrou duramente o ombro de Stefan.
"Eu sei que voc no fez," ele disse, e naquele momento era verdade. "Eles iro perceber
isso, tambm, quando puderem pensar de novo. Mas enquanto isso,  melhor voc cair
fora."
"Cair fora... sim," disse Stefan. O olhar de desorientao tinha passado, e havia uma
amargura abrasadora no jeito que ele pronunciava as palavras. "Eu irei... cair fora."
"Stefan..."
"Matt." Os olhos verdes estavam escuros e queimando, e Matt descobriu que no podia
desviar o olhar deles. "Elena est a salvo? Bom. Ento, tome conta dela. Por favor."
"Stefan, do que est falando? Voc  inocente; isso tudo ir passar..."
"S tome conta dela, Matt."
Matt deu um passo para trs, ainda olhando naqueles olhos verdes convincentes. Ento,
lentamente, ele concordou.
"Eu irei," ele disse silenciosamente. E observou Stefan ir embora.
Captulo Treze

Elena ficou parada dentro do crculo de adultos e da polcia, esperando por uma chance para
escapar. Ela sabia que Matt tinha avisado Stefan a tempo  o rosto dele lhe contava isso 
mas ele no foi capaz de chegar perto o bastante para falar com ela.
Por fim, com toda a ateno virada na direo do corpo, ela se desapegou do grupo e
avanou lentamente na direo de Matt.
"Stefan saiu daqui bem," ele disse, seus olhos no grupo de adultos. "Mas ele me disse para
tomar conta de voc, e eu quero que voc fique aqui."
"Tomar conta de mim?" Alarme e suspeita relampejaram por Elena. Ento, quase num
sussurro, ela disse, "Entendo." Ela pensou por um momento e ento falou cuidadosamente.
"Matt, eu preciso lavar minhas mos. Bonnie espalhou sangue me mim. Espere aqui; eu
voltarei."
Ele comeou a dizer algo em protesto, mas ela j estava se distanciando. Ela levantou suas
mos manchadas em explicao enquanto alcanava a porta do vestirio das garotas, e o
professor que agora estava parado l a deixou passar. Uma vez no vestirio, contudo, ela
continuou indo, em direo  porta distante e para dentro da escura escola. E de l, para
dentro da noite.


Zuccone!* Stefan pensou, agarrando uma estante de livros e a arremeando, mandando seu
contedo pelos ares. Tolo! Cego, detestvel tolo. Como ele pde ser to estpido?
* estpido/idiota, em italiano.
Achar um lugar entre eles aqui? Ser aceito como um deles? Ele devia estar louco se pensava
que isso era possvel.
Ele pegou um dos pesados bas e o jogou para o outro lado do quarto, aonde ele foi de
encontro coam a parede distante, estilhaando uma janela. Estpido, estpido.
Quem estava atrs dele? Todo mundo. Matt tinha dito isso. "Houve outro ataque... Eles
acham que voc fez isso."
Bem, dessa vez parecia que os barbari, os insignificantes seres humanos com seu medo de
qualquer coisa desconhecida, estavam certos. De que outra maneira voc explicaria o que
aconteceu? Ele sentira a fraqueza, a confuso rotatria e vertiginosa; e ento a escurido se
apossou dele. Quando ele acordou foi para escutar Matt dizer que outro ser humano tinha
sido saqueado, assaltado. Roubado dessa vez no s de seu sangue, mas de sua vida. Como
voc explicaria isso a no ser que ele, Stefan, fosse o assassino?
Um assassino era o que ele era. Malvado. Uma criatura nascida na escurido, destinada a
viver e caar e se esconder l para sempre. Bem, por que no matar, ento? Por que no
cumprir sua natureza? J que ele no podia mudar isso, ele bem que podia deleitar-se com
isso. Ele podia libertar sua escurido sobre essa cidade que o odiava, que mesmo agora o
caava.
Mas antes... ele estava com sede. Suas veias queimavam como uma rede de fios secos e
quentes. Ele precisava se alimentar... em breve... agora.


A penso estava escura. Elena bateu na porta mas no recebeu resposta. Troves explodiam
no alto. Ainda no havia chuva.
Depois do terceiro bombardeio de batidas, ela tentou a porta, e ela abriu. L dentro, a casa
estava silenciosa e negra como piche. Ela achou as escadas pelo toque e subiu.
O segundo andar estava to escuro quanto, e ela cambaleou, tentando achar o quarto com a
escada para o terceiro andar. Uma luz fraca aparecia no topo da escada, e ela subiu em
direo  ela, sentindo-se oprimida pelas paredes, que pareciam fechar nela de ambos os
lados.
A luz vinha de debaixo da porta fechada. Elena bateu nela ligeira e rapidamente. "Stefan,"
ela sussurrou, e ento chamou mais audivelmente, "Stefan, sou eu."
Sem resposta. Ela segurou a maaneta e abriu a porta, espreitando ao redor. "Stefan--"
Ela estava falando com um quarto vazio.
E um quarto cheio de caos. Parecia como se algum poderoso vento tivesse despedaado
tudo, deixando destruio em seu caminho. Os bas que tinham estado serenamente em
cantos estavam deitados em ngulos grotescos, suas tampas abertas, seus contedos
espalhados no cho. Uma janela estava estilhaada. Todas as posses de Stefan, todas as
coisas que ele tinha mantido to cuidadosamente e que parecia valorizar, estavam
espalhadas como lixo.
Terror varreu Elena. A fria, a violncia nessa cena de devastao estava dolorosamente
clara, e elas quase a fizerem se sentir vertiginosa. Algum que tinha um histrico de
violncia, Tyler tinha dito.
Eu no ligo, ela pensou, raiva emergindo para empurrar o medo. Eu no ligo para nada,
Stefan, eu ainda quero v-lo. Mas onde voc est?
O alapo no teto estava aberto, e um ar frio estava soprando. Ah, pensou Elena, e ela
sentiu um calafrio repentino de medo. Aquele telhado era to alto...
Ela nunca tinha subido a escada de mo perto da sacada antes, e sua saia longa deixava isso
difcil. Ela emergiu do alapo lentamente, ajoelhando-se no telhado e depois
levantando-se. Ela viu uma imagem negra no canto, e ela moveu-se em direo  ela
rapidamente.
"Stefan, eu tive que vir" ela comeou, e parou abruptamente, porque um relampejo de luz
iluminou o cu enquanto a imagem no canto virava-se. E ento foi como se cada mau
pressgio e medo e pesadelo que ela j teve estivesse se tornando realidade de uma s vez.
No adiantava gritar; nada adiantava.
Ah, Deus... no. Sua mente se recusava a achar sentido no que seus olhos estavam vendo.
No. No. Ela no olharia para isso, ela no acreditaria nisso...
Mas ela no podia evitar ver isso. Mesmo se ela pudesse ter fechado seus olhos, cada
detalhe da cena estava entalhado em sua memria. Como se o relampejo de luz tivesse
cauterizado isso em seu crebro para sempre.
Stefan. Stefan, to polido e elegante em suas roupas comuns, em sua jaqueta de couro preta
com o colarinho virado para cima. Stefan, com seu cabelo escuro como uma das agitadas
nuvens de trovo atrs dele. Stefan fora pego no relampejo de luz, parcialmente virado na
direo dela, seu corpo torcido em um agachamento bestial, com uma confuso de fria
animal em seu rosto.
E sangue. Aquela boca arrogante, sensvel e sensual estava manchada de sangue. Mostrava
um vermelho medonho contra a palidez de sua pele, contra a brancura aguda de seus dentes.
Em suas mos estava o corpo frouxo de um pombo em luto, to branco quanto aqueles
dentes, as asas estendidas. Outro estava deitado no cho aos seus ps, como um leno
amarrotado e descartado.
"Ah, Deus, no," Elena sussurrou. Ela continuou sussurrando, afastando-se, pouco ciente de
que estava fazendo ambos. Sua mente simplesmente no podia lidar com esse horror; seus
pensamentos estavam correndo selvagemente em pnico, como um rato tentando escapar de
uma gaiola. Ela no acreditaria nisso, ela no acreditaria. Seu corpo estava cheio de uma
tenso insuportvel, seu corao estava explodindo, sua cabea vacilando.
"Ah, Deus, no"
"Elena!" Mais terrvel do que qualquer outra coisa era isso, ver Stefan olhando para ela de
fora daquele rosto animal, ver o rosnado se transformando em um olhar de choque e
desespero. "Elena, por favor. Por favor, no..."
"Ah, Deus, no!" Os gritos estavam tentando cortar seu caminho para fora da garganta dela.
Ela foi mais para trs, tropeando, a medida que ele dava um passo na direo dela. "No!"
"Elena, por favor  tenha cuidado" Aquele coisa horrvel, a coisa com o rosto de Stefan,
estava indo atrs dela, os olhos verdes queimando. Ela se arremessou para trs a medida
que ele dava outro passo, sua mo esticada. Aquela mo longa e de dedos magros que tinha
acariciado seu cabelo to gentilmente
"No me toque!" ela gritou. E ento ela gritou mesmo, quando seu movimento a deixou de
novo contra a grade de ferro da sacada. Foi um ferro que estivera l porque quase um sculo
e meio, e em alguns lugares estava quase enferrujado por completo. O pnico de Elena
pesou demais contra ele, e ela sentiu-o ceder. Ela ouviu o som rasgante de metal forado
demais e de madeira unindo com seu prprio berro. E ento no havia nada atrs dela, nada
para se agarrar, e ela estava caindo.
Nesse instante, ela viu as nuves roxas efervecentes, o volume escuro da casa ao seu lado.
Parecera que ela tivera tempo o bastante para v-los claramente, e para sentir uma
infinidade de terror enquanto gritava e caia, e caia.
Mas o impacto terrvel e estilhaador nunca chegou. De repente havia braos ao seu redor,
apoiando-a no vazio. Houve uma pancada abafada e os braos se apertaram, peso contra ela,
absorvendo a queda.
Ento tudo ficou quieto.
Ela se segurou imvel dentro do crculo daqueles braos, tentando ajustar seu senso de
direo. Tentando acreditar em mais outra coisa inacreditvel. Ela tinha cado de um
telhado de trs andares, e ainda assim estava viva. Ela estava de p no jardim atrs da
penso, no silncio profundo entre exploses de troves, com folhas cadas no cho onde
seu corpo quebrado deveria estar.
Lentamente, ela olhou para cima para o rosto daquele que a segurava. Stefan.
Havia tido muito o que temer, golpes demais essa noite. Ela no podia mais reagir. Ela s
podia encar-lo com algum tipo de assombro.
Havia tanta tristeza em seus olhos. Aqueles olhos que tinha queimado como gelo verde
estavam agora escuros e vazios, sem esperana. Aquele mesmo olhar que ela tinha visto
naquela primeira noite no quarto dele, s que agora estava pior. Pois agora havia
autodepreciao misturada com arrependimento, e condenao amarga. Ela no conseguia
suportar isso.
"Stefan," ela sussurrou, sentindo aquela tristeza entrar em sua prpria alma. Ela ainda
conseguia ver a matiz de vermelho em seus lbios, mas agora isso acordava uma sensao
de pena junto com o horror instintivo. Estar to sozinho, to alienado e to sozinho...
"Ah, Stefan," ela sussurrou.
No houve resposta naqueles olhos vazios e perdidos. "Venha," ele disse silenciosamente, e
a guiou de volta em direo  casa.


Stefan sentiu uma onda de vergonha enquanto eles alcanavam o terceiro andar e a
destruio que estava seu quarto. Que Elena, de todas as pessoas, visse isso era
insuportvel. Mas ento, talvez tambm fosse apropriado que ela visse o que ele realmente
era, o que ele podia fazer.
Ela se moveu lenta e perplexadamente para a cama e se sentou. Ento ela olhou para ele,
seus olhos obscuros encontrando os dele. "Conte-me," foi tudo que ela disse.
Ele riu brevemente, sem humor, e viu ela se contrair. Isso o faz se odiar ainda mais. "O que
precisa saber?" ele disse. Ele colocou um p na tampa de um ba revirado e a encarou
quase desafiantemente, indicando o quarto com um gesto. "Quem fez isso? Eu fiz."
"Voc  forte," ela disse, seus olhos no ba capotado. Seu olhar se levantou, como se ela
estivesse lembrando do que acontecera no telhado. "E ativo."
"Mais forte do que um humano," ele disse, com uma nfase deliberada na ltima palavra.
Por que ela no se encolhia de medo dele agora, por que ela no olhava para ele com o dio
que ele tinha visto antes? Ele no se importava mais com o que ela pensava. "Meus reflexos
so mais rpidos, e eu sou mais elstico. Eu tenho que ser. "Eu sou um caador," ele disse
rudemente.
Algo no olhar dela o fez se lembrar de como ela o tinha interrompido. Ele limpou sua boca
com as costas da mo, ento foi rapidamente pegar um copo d'gua que estava intocado na
cmoda.
Ele podia sentir os olhos dela nele enquanto ele bebia e limpava sua boca novamente. Ah,
ele ainda ligava para o que ela pensava, est certo.
"Voc pode comer e beber... outras coisas," ela disse.
"Eu no preciso," ele disse silenciosamente, sentindo-se cansado e dominado. "Eu no
preciso de mais nada." Ele de repente movimentou-se rapidamente ao redor e sentiu
intensidade passional crescer nele novamente. "Voc disse que eu sou ativo  mas isso 
justamente o que eu no sou. Voc j ouviu falar na expresso `vivos e mortos, *' Elena?
Ativo quer dizer vivo; quer dizer aqueles que tem vida. Eu sou a outra metade."
* essa  uma passagem da Bblia; Pedro, captulo 4, versculo 5: "os quais ho de prestar
contas quele que  competente para julgar vivos e mortos;"
Ele pde ver que ela estava tremendo. Mas sua voz estava calma, e seus olhos nunca
deixaram os dele. "Conte-me," ela disse novamente. "Stefan, eu tenho direito de saber
isso."
Ele reconheceu aquelas palavas. E elas eram to verdadeiras quanto da primeira vez que ela
as dissera. "Sim, supunho que voc tenha," ele disse, e sua voz estava cansada e dura. Ela
encarou a janela quebrada por alguns batimentos e ento olhou de volta para ela e falou
categoricamente. "Eu nasci no final do sculo quinze. Voc acredita nisso?"
Ela olhou para os objetos que ele havia espalhado da escrivaninha com um arrasto furioso
de seu brao. Os floretes, a taa de gata, sua adaga. "Sim," ela disse suavemente. "Sim,
eu acredito nisso."
"E voc quer saber mais? Como eu me tornei o que eu sou?" Quando ela concordou, ele se
virou para a janela novamente. Como ele podia contar  ela? Ele, que tinha evitado
peguntas por tanto tempo, que tinha se tornado um expert em se esconder e enganar.
Havia s uma maneira, e essa era dizer a verdade absoluta, no escondendo nada. Entregar
tudo  ela, o que ele nunca tinha oferecido  nenhuma outra alma.
E ele queria fazer isso. Mesmo ele sabendo que isso a faria se afastar dele no final, ele
precisava mostrar  Elena o que ele era.
E ento, encarando a escurido do lado de fora da janela, onde relampejos de fulgor azul
ocasionalmente iluminavam o cu, ele comeou.
Ele falava imparcialmente, sem emoo, cuidadosamente escolhendo suas palavras. Ele
contou  ela sobre seu pai, aquele homem slido da Renascena, e de seu mundo em
Florena e de suas propriedades. Ele contou  ela sobre seus estudos e suas ambies. De
seu irmo, que era to diferente dele, e da sensao doentia entre eles.
"Eu no me lembro de quando Damon comeou a me odiar," ele disse. "Foi sempre desse
jeito, desde que eu consigo me lembrar. Talvez porque minha me nunca se recuperou
realmente do meu nascimento. Ela morreu alguns anos depois. Damon a amava muito, e eu
sempre tive a sensao que ele me culpava." Ele parou e engoliu em seco. "E depois, mais
tarde, teve essa garota."
 "Aquela com que eu pareo?" Elena disse suavemente. Ele concordou. "Aquela," ela disse,
mais hesitante, "que te deu o anel?"
Ele olhou para baixo para o anel prateado em seu dedo, ento encontrou os olhos dela.
Ento, lentamente, ele tirou o anel que usava na corrente debaixo de sua camisa e olhou
para ele.
"Sim. Esse era o anel dela," ele disse; "Sem tal talism, morremos na luz solar como se
fosse fogo."
"Ento ela era... como voc?"
"Ela me transformou no que sou." Com hesitao, ele contou  ela sobre Katherine. Sobre a
beleza e a doura de Katherine, e sobre seu amor por ela. E sobre o amor de Damon por ela.
"Ela era gentil demais, cheia de afeio demais," ele disse por fim, dolorosamente. "Ela
dava isso  todos, incluindo meu irmo. Mas finalmente, ns dissemos  ela que ela tinha
que escolher entre ns. E ento... ela veio at mim."
A memria daquela noite, daquele doce e terrvel noite veio arrebatadoramente. Ela tinha
ido  ele. E ela ficara to feliz, to cheio de admirao e alegria. Ele tentou contar  Elena
sobre isso, achar as palavras. A noite toda ele esteve to feliz, e mesmo na manh seguinte,
quando ele acordou e ela se fora, ele estava na mais embriagada felicidade...


Isso quase poderia ter sido um sonho, mas os dois pequenos machucados em seu pescoo
eram reais. Ele ficou surpreso ao descobrir que eles no doam e que j pareciam estar
parcialmente curados. Eles estavam escondidos pela gola alta de sua camisa.
O sangue dela queimava em suas veias agora, ele pensou, e as meras palavras fizeram seu
corao acelerar. Ela tinha dado sua fora  ele; ela tinha escolhido-o.
Ele at mesmo sorriu para Damon quando eles se encontraram no local designado naquela
noite. Damon esteve ausente de casa o dia todo, mas ele apareceu no jardim
meticulosamente cuidado precisamente  tempo, e ficou reclinado contra uma rvore,
ajustando seu punho. Katherine estava atrasada.
"Talvez ela esteja cansada," Stefan sugeriu, observando o cu cor-de-melo dissipar-se em
um profundo azul meia-noite.
Ele tentou manter a presuno tmida longe de sua voz. "Talvez ela precise de mais
descanso que o normal."
Damon olhou para ele severamente, seus olhos escuros abrindo caminho pela comoo de
cabelo escuro. "Talvez," ele disse com uma nota crescente, como se fosse dizer algo mais.
Mas ento eles escutaram um passo leve na estrada, e Katherine apareceu entre o murro de
cerca-viva. Ela estava usando seu vestido branco, e ela estava to linda como um anjo.
Ela sorriu para ambos. Stefan retornou o sorriso educadamente, falando sobre o segredo
deles apenas com seus olhos. Ento ele esperou.
"Vocs me pediram para fazer minha escolha," ela disse, olhando primeiramente para ele e
ento para seu irmo. "E agora vocs vieram na hora que eu determinei, e eu lhes direi o
que eu escolhi."
Ela ergueu sua mozinha, aquela com o anel, e Stefan olhou para a pedra, percebendo que
era do mesmo profundo azul que o cu noturno. Era como se Katherine carregasse um
pedao da noite com ela, sempre.
"Ambos viram esse anel," ela disse silenciosamente. "E vocs sabem que sem ele eu
morreria. No  fcil fazer tal talism, mas felizmente minha ama Gudren  esperta. E h
muitos homens que trabalham com prata em Florena."
Stefan estava escutando sem compreender, mas quando ela se virou para ele ele sorriu
novamente, encorajantemente.
"E ento," ela disse, olhando em seus olhos. "Eu tenho um presente para voc." Ela tomou
sua me e pressionou algo contra ela. Quando ele olhou ele viu que era um anel no mesmo
estilo que o dela, mas maior e mais pesado, e forjado em prata invs de ouro.
"Voc ainda no precisa dele para encarar o Sol," ela disse suavemente, sorrindo. "Mas
logo voc precisar."
Orgulho e xtase o fizeram se silenciar. Ele alcanou sua mo para beij-la, querendo
peg-la em seus braos l mesmo, mesmo na frente de Damon. Mas Katherine estava se
afastando.
"E para voc," ela disse, e Stefan pensou que suas orelhas deviam estar enganando-o,
porque certamente a ternura e o afeto na voz de Katherine no poderia ser para seu irmo,
"para voc, tambm. Voc precisar disso muito em breve tambm."
Os olhos de Stefan deviam ser traidores, tambm. Eles estavam mostrando  ele o que era
impossvel, o que no poderia ser. Na mo de Damon Katherine estava colocando um anel
exatamente como o seu prprio.
O silncio que se seguiu foi absoluto, como o silncio depois do fim do mundo.
"Katherine" Stefan mal podia dizer as palavras. "Como voc pode dar isso  ele? Depois
do que ns compartilhamos"
"O que vocs compartilharam?" A voz de Damon era como o estalo de um chicote, e ele se
virou para Stefan nervosamente. "Na noite passada ela veio  mim. A escolha j foi feita."
E Damon abaixou seu colarinho alto para mostrar dois pequeninos machucados em sua
garganta. Stefan encarou-os, lutando contra o enjo lcido. Eles eram idnticos ao seus
prprios machucados.
Ele balanou sua cabea em completa perplexidade. "Mas, Katherine... no foi um sonho.
Voc veio  mim..."
"Eu fui  ambos." A voz de Katherine estava tranqila, at mesmo contente, e seus olhos
estavam serenes. Eala sorriu para Damon e ento para Stefan, um aps o outro. "Isso me
enfraqueceu, mas eu estou feliz por ter feito isso. No percebe?"
ela continuou enquanto eles encaravam-na, estupefatos demais para falar. "Essa  a minha
escolha! Eu amo ambos, e eu no irei desistir de nenhum de vocs. Agora ns trs
ficaremos juntos, e seremos felizes."
"Felizes" Stefan engasgou.
"Sim, felizes! Ns trs seremos companheiros, companheiros alegres, para sempre." Sua
voz elevou-se com jbilo, e a luz de uma criana radiante brilhou em seus olhos. "Ns
ficaremos juntos sempre, nunca nos sentindo doentes, nunca envelhecendo, at o fim dos
tempos! Essa  a minha escolha."
"Felizes... com ele?" A voz de Damon estava tremendo com fria, e Stefan viu que seu
irmo normalmente controlado estava branco com raiva. "Com esse garoto ficando entre
ns, esse tagarela, balbuciando parages de virtude? Eu mal posso aguentar a viso dele
agora. Eu peo a Deus que nunca mais o veja novamente, nunca mais oua sua voz!"
"E eu peo o mesmo de voc, irmo," resmungou Stefan, seu corao rasgando em seu
peito. Isso era culpa do Damon; Damon tinha envenenado a mente de Katherine para que
ela no mais soubesse o que estava fazendo. "E eu estou com vontade de me certificar
disso," ele acrescentou selvagemente.
Damon no entendeu mal seu propsito. "Ento pegue sua espada, se puder encontr-la,"
ele sibilou de volta, seus olhos negros com ameaa.
"Damon, Stefan, por favor! Por favor, no!" Katherine gritou, colocando-se entre eles,
pegando o brao de Stefan. Ela olhou de um para outro, seus olhos azuis arregalados com
choque e brilhantes com lgrimas no derramadas.
"Pensem no que esto dizendo. Vocs so irmos."
"Isso no  culpa minha," Damon rangeu, transformando as palavras em uma maldio.
"Mas vocs no podem fazer as pazes? Por mim, Damon... Stefan? Por favor."
Parte de Stefan queria derreter ao olhar desesperado de Katherine, s suas lgrimas. Mas
orgulho ferido e cime eram fortes demais, e ele sabia que seu rosto estava to duro, to
inflexvel, quanto o de Damon.
"No," ele disse. "Ns no podemos. Deve ser um ou outro, Katherine. Eu nunca dividirei
voc com ele."
A mo de Katherine afastou-se de seu brao, e as lgrimas caram de seus olhos, gotas
grandes que salpicaram o vestido branco. Ela recuperou sua respirao com um violento
soluo. Ento, ainda chorando, ela levantou suas saias e correu.
"E ento Damon pegou o anel que ela havia dado  ele e o colocou," Stefan disse, sua voz
rouca com uso e emoo. "E ele disse  mim, `eu ainda a terei, irmo.' E ento ele se
afastou." Ele se virou, piscando como se tivesse entrado em uma luz brilhante na escurido,
e olhou para Elena.
Ela estava sentada bem quieta na cama, observando ele com aqueles olhos que eram to
parecidos com os de Katherine.
Especialmente agora, quando estavam cheios de aflio e temor. Mas Elena no correu. Ela
falou com ele.
"E... o que aconteceu depois?"
As mos de Stefan se fecharam violentamente, reflexivamente, e ele se afastou da janela.
No aquela lembrana.
Ele prprio no podia aguentar aquela lembrana, muito menos tentar falar sobre ela. Como
ele podia fazer isso? Como ele podia levar Elena naquela escurido e mostrar  ela as coisas
terrveis espreitando l?
"No," ele disse. "Eu no posso. Eu no posso."
"Voc tem que me contar," ela disse suavemente. "Stefan,  o final da histria, no ? 
isso que est atrs de todas as suas paredes,  isso que voc tem medo de me deixar ver.
Mas voc deve me deixar ver. Ah, Stefan, voc no pode parar agora."
Ele podia sentir o horror se aproximando dele, o buraco escancarado que ele tinha visto to
claramente, sentido to claramente naquele dia h tanto tempo. O dia quando tudo tinha
acabado  quando tudo tinha comeado.
Ele sentiu suas mos serem pegas, e quando ele olhou viu os dedos de Elena fechados nela,
dando-lhe calor, dando-lhe fora. Os olhos dela estavam nos dele. "Conte-me."
"Voc quer saber o que aconteceu a seguir, o que aconteceu com Katherine?" ele sussurrou.
Ela concordou, seus olhos quase cegos mas ainda fixos. "Eu te contarei, ento. Ela morreu
no dia seguinte. Meu irmo Damon e eu, ns a matamos."
Captulo Quatorze

Elena sentiu sua carne arrepiar-se com as palavras.
"Voc no quer dizer isso," ela disse trpega. Ela se lembrou do que tinha visto no telhado,
o sangue manchado nos lbios de Stefan, e ela se forou a no recuar dele. "Stefan, eu te
conheo. Voc no poderia ter feito isso..."
Ele ignorou seus protestos, simplesmente continuou encarando com olhos que queimavam
como o verde-gelo no fundo de uma geleira. Ele estava olhando atravs dela, para alguma
distncia incompreensvel. "Enquanto eu deitava na cama naquela noite, eu esperava contra
qualquer esperana que ela viria. Eu j estava notando algumas das mudanas em mim
mesmo. Eu podia ver melhor na escurido; parecia que eu podia escutar melhor. Eu me
sentia mais forte do que nunca, cheio de alguma energia elemental. E eu estava faminto.
"Era uma fome que eu nunca tinha imaginado. No jantar descobri que comida e bebida
normais no faziam nada para satisf-la. Eu no podia entender isso. E ento eu vi o
pescoo branco de uma das serventes, e eu soube porque." Ele tomou um longo flego, seus
olhos escuros e torturados. "Naquela noite, eu resisti  necessidade, apesar de ter tomado
toda a minha fora de vontade. Eu estava pensando em Katherine, e rezando que ela viesse
 mim. Rezando!" Ele deu uma risada breve. "Se uma criatura como eu pode rezar."
Os dedos de Elena estavam entorpecidos dentro do agarro dele, mas ela tentou apert-los,
reassegur-lo. "Continue, Stefan."
Ele no tinha problemas em falar agora. Ele parecia quase ter esquecido da presena dela,
como se ele estivesse contando essa histria  si mesmo.
"Na manh seguinte a necessidade estava mais forte. Era como se as minhas prprias veias
estivessem secas e rachadas, desesperadas por umidade. Eu sabia que no podia suportar
isso por muito tempo.
"Eu fui aos aposentos de Katherine. Eu queria pedir  ela, implorar  ela" Sua voz rachou.
Ele parou e ento continuou. "Mas Damon j estava l, esperando do lado de fora de seu
quarto. Eu podia ver que ele no tinha resistido  necessidade. O brilho de sua pele, a
elasticidade em seu pesso, me disseram isso. Ele parecia to presunoso quanto o gato que
tinha o peixe.
"Mas ele no tinha Katherine. `Bata quanto quiser,' ele disse  mim, `mas o drago fmea a
dentro no te deixar passar. Eu j tentei. Devemos domin-la, voc e eu?"
"Eu no respondi  ele. O olhar em seu rosto, aquele olhar astuto e convencido, me repelia.
Eu golpeei a porta para acordar..." Ele vacilou, e ento deu outra risada sem humor. "Eu ia
dizer, `acordar os mortos.' Mas os mortos no so to difceis de acordar afinal, so?"
Depois de um momento, ele continuou.
"A ama, Gudren, abriu a porta. Ela tinha um rosto como o de um chato prato branco, e
olhos como um copo preto. Eu perguntei  ela se podia ver sua senhora. Eu esperei ouvir
que Katherine estava dormindo, mas ao invs disso Gudren simplesmente olhou para mim,
e ento para Damon por cima do meu ombro.
"`Eu no direi  ele,' ela disse por fim, `mas direi  voc. Minha senhora Katerina no est
aqui dentro. Ela saiu cedo essa manh, para andar nos jardins. Ela disse que precisava
pensar muito.'
"Eu fiquei surpreso. `Cedo essa manh?' Eu disse.
"`Sim,' ela replicou. Ela olhou para ambos Damon e eu sem gostar. `Minha senhora estava
muito infeliz ontem  noite,' ela disse significativamente. `Por toda a noite, ela chorou.'
"Quando ela disse isso, uma estranha sensao me apossou. No era s vergonha e luto por
Katherine estar to infeliz. Era medo. Eu esqueci minha fome e fraqueza. Eu at mesmo
esqueci minha inimizade por Damon. Eu fui enchido com pressa e uma grande urgncia de
impulso. Eu me virei  Damon e disse  ele que tnhamos que encontrar Katherine, e para
minha surpresa ele simplesmente concordou.
 "Ns comeamos a procurar nos jardins, chamando o nome de Katherine. Eu me lembro
exatamente da aparncia de tudo naquele dia. O Sol estava brilhando nos altos ciprestes e
nos pinheiros no jardim. Damon e eu nos apressamos entre eles, movendo-nos mais e mais
rapidamente, e chamando. Ns continuamos chamando ela..."
Elena pde sentir os tremores no corpo de Stefan, comunicados  ela atravs de seus dedos
fortemente apertados. Ele estava respirando rapidamente mas superficialmente.
"Ns tnhamos quase alcanado o final dos jardins quando eu me lembrei de um lugar que
Katherine amava. Era um pouco longe do territrio, uma parede baixa ao lado de um
limoeiro. Eu corri para l, gritando por ela.
Mas quando eu cheguei mais perto, parei de gritar. Eu senti... um medo  uma premonio
terrvel. E eu sabia que no devia  no devia ir"
"Stefan!" disse Elena. Ele estava machucando-a, seus dedos cortando os dela,
esmagando-os. Os tremores correndo pelo seu corpo estavam crescendo, tornando-se
calafrios. "Stefan, por favor!"
Mas ele no mostrou sinal de que a tinha ouvido. "Era como  um pesadelo  tudo
acontecendo to lentamente. Eu no podia me mover  e ainda assim que tinha que. Eu
tinha que continuar andando. Com cada passo, o medo crescia mais fortemente. Eu podia
sentir o cheiro. Um cheiro como de gordura queimada. Eu no devia ir l  eu no quero ver
isso"
Sua voz tinha se tornado alta e urgente, sua respirao vindo em arfadas. Seus olhos
estavam arregalados e dilatados, como uma criana aterrorizada. Elena agarrou seus dedos
apertados com sua outra mo, envolvendo-os completamente. "Stefan, est tudo certo. Voc
no est l. Voc est aqui comigo."
"Eu no quero ver isso  mas no posso evitar. H algo branco. Algo branco debaixo da
rvore. No me faa olhar para isso!"
"Stefan, Stefan, olhe para mim!"
Ele no escutava mais. Suas palavras vinham em espasmos ondeantes, como se ele no
pudesse control-las, no pudesse diz-las rpido o bastante. "Eu no posso chegar mais
perto  mas eu chego. Eu vejo a rvore, a parede. E aquele branco. Atrs da rvore. Branco
com dourado embaixo. E ento eu sei, eu sei, e eu estou me movendo em direo  ele
porque  o vestido dela. O vestido branco de Katherine. E eu dou a volta na rvore e eu
vejo-o no cho e  verdade.  o vestido de Katherine,"  sua voz elevou-se e quebou com
horror inimaginvel  "mas Katherine no est nele."
Elena sentiu um calafrio, como se seu corpo tivesse sido mergulhado em gua gelada. Sua
pele se levou com um arrepio, e ela tentou falar com ele mas no conseguiu. Ele estava
tagarelando como se pudesse manter o horror longe se continuasse falando.
"Katherine no est l, ento talvez seja tudo uma piada, mas seu vestido est no cho e
est cheio de cinzas. Como as cinzas na lareira, exatamente como essas, s que essas
cheiravam a carne queimada. Elas fediam. O cheiro est me deixando enojado e fraco. Ao
lado da manga do vestido est um pedao de pergaminho. E em uma pedra, uma pedra um
pouco distante est um anel. Um anel com uma pedra azul, o anel de Katherine. O anel de
Katherine..." De repente, ele gritou em uma voz terrvel, "Katherine, o que voc fez?" Ento
ele caiu de joelhos, soltando so dedos de Elena por fim, para enterrar seu rosto em suas
mos.
Elena segurou-o enquanto ele era dominado por choros devastadores. Ela segurou seus
ombros, puxando-o para seu colo.
"Katherine tirou o anel," ela sussurrou. No era uma pergunta. "Ela se exps ao Sol."
Seus choros duros continuaram, enquanto ela o segurava na saia cheia de seu vestido azul,
acariciando seus ombros tiritantes. Ela murmurava tolices para acalm-lo, afastando o seu
prprio horror. E, nesse instante, ele se aquietou e levantou sua cabea. Ele falou
grossamente, mas ele parecia ter retornado ao presente, ter voltado.
"O pergaminho era um bilhete, para mim e para Damon. Dizia que ela tinha sido esgosta,
querendo ter ns dois. Dizia  ela no podia suportar ser a causa da rixa entre ns. Ela
esperava que uma vez que ela se fora ns no nos detestssemos mais. Ela fez isso para nos
unir."
"Oh, Stefan," sussurrou Elena. Ela sentiu lgrimas queimando encherem seus prprios
olhos em simpatia. "Ah, Stefan, eu sinto tanto. Mas no v, depois de todo esse tempo, que
o que Katherine fez foi errado? Foi egosta, at, e foi a escolha dela. De um jeito, no teve
nada a ver com voc, ou com Damon."
Stefan balanou sua cabea como se para tirar a verdade das palavras. "Ela deu a sua vida...
por isso. Ns a matamos." Ele estava se sentando agora. Mas seus olhos ainda estavam
dilatados, grandes discos de preto, e ele tinha o olhar de um menininho estupefato.
"Damon chegou por trs de mim. Ele tomou o bilhete e o leu. E ento  eu acho que ele
ficou louco. Ns dois ficamos loucos. Eu tinha pego o anel de Katherine, e ele tentou
peg-lo. Ele no deveria. Ns lutamos. Ns dissemos coisas horrveis um ao outro. Cada
um culpou o outro pelo que aconteceu. Eu no me lembro de como voltamos para casa, mas
de repente eu estava com a minha espada. Ns estvamos lutando. Eu queria destruir aquele
rosto arrogante para sempre, mat-lo. Eu lembro do meu pai gritando de casa. Ns lutamos
mais arduamente, para terminar isso antes que ele nos alcanasse.
"E ramos bons adversrios. Mas Damon sempre fora mais forte, e naquele dia ele parecia
mais rpido, tambm, como se ele tivesse mudado mais do que eu. E ento enquanto meu
pai ainda estava gritando da janela eu senti a lminca de Damon passar pela minha guarda.
Ento eu senti ela entrar no meu corao."
Elena encarou, horrorizada, mas ele continuou sem parar. "Eu senti a dor do ao, eu senti
ele me apunhalar, cada vez mais profundamente. Todo o caminho, um impulso duro. E
ento a fora transbordou de mim e eu ca. Eu fiquei deitado l no cho pavimentado."
Ele olhou para Elena e terminou simplesmente, "E foi assim que... eu morri."
Elena sentou paralisada, como se o gelo que sentira em seu peito mais cedo tivesse vazado
e a prendido.
"Damon veio e ficou de p sobre mim e se agachou. Eu podia ouvir os choros do meu pai
de longe, e gritos dos empregados, mas tudo que pude ver foi o rosto de Damon. Aqueles
olhos negros que eram como uma noite sem lua. Eu queria machuc-lo pelo que ele tinha
feito  mim. Por tudo que ele tinha feito  mim, e  Katherine." Stefan ficou quieto pot um
momento, e ento disse, quase sonhadoramente, "E ento eu levantei minha espada e o
matei. Com minhas ltimas foras, eu apunhalei meu irmo no corao."


A tempestade tinha passado, e atravs da janela quebrada Elena pde ouvir os suaves
barulhos noturnos, o gorjeio dos grilos, o vento balanando nas rvores. No quarto de
Stefan, estava muito quieto.
"Eu no soube de mais nada at que acordei em minha tumba," disse Stefan. Ele se inclinou
para trs, longe dela, e fechou seus olhos. Seu rosto estava espremido e esgotado, mas
aquele terrvel aspecto sonhador de criana tinha sumido.
"Tanto Damon quanto eu tnhamos tomado o suficiente do sangue de Katherine para nos
impedir de realmente morrer. Ao invs disso ns nos transformamos. Ns acordamos juntos
em nossa tumba, vestidos em nossas melhores roupas, deitados em pedaos de madeira lado
a lado. Ns estvamos fracos demais para machucar um ao outro; o sangue mal fora o
suficiente. E ns estvamos confusos. Eu chamei Damon, mas ele correu para fora para a
noite.
 "Felizmente, tnhamos sido enterrados com os anis que Katherine nos dera. E eu achei o
anel dela no meu bolso." Como se inconscientemente, Stefan esticou a mo para acariciar o
anel de ouro. "Creio que eles pensaram que ela tinha dado ele  mim.
"Eu tentei ir para casa. Isso foi idiota. Os serventes gritaram quando me viram e correram
para trazer um padre. Eu corri, tambm. Para o nico lugar onde eu estava a salvo, para a
escurido.
"E foi l que eu fiquei desde ento.  onde eu perteno, Elena. Eu matei Katherine com
meu orgulho e com meu cime, e eu matei Damon com meu dio. Mas eu fiz pior do que
matar meu irmo. Eu o amaldioei.
"Se ele no tivesse morrido ento, com o sangue de Katherine to forte em suas veias, ele
teria tido uma chance. Com o tempo o sangue teria ficado mais fraco, e ento desaparecido.
Ele teria se tornado um humano normal de novo. Matando-o ento, eu o condenei a viver na
noite. Eu tomei sua nica chance de salvao."
Stefan riu amargamente. "Voc sabe o que o nome Salvatore quer dizer em italiano, Elena?
Quer dizer salvao, salvador. Eu fui nomeado assim, e depois de St. Stephen, o primeiro
mrtir cristo. E eu amaldioei meu irmo ao inferno."
"No," disse Elena. E ento, com uma voz mais forte, ela disse, "No, Stefan. Ele
amaldioou a si prprio. Ele matou voc.Mas o que aconteceu  ele depois disso?"
"Por um tempo ele se juntou  uma das Companhias Livres, mercenrios brbaros cujo
negcio era roubar e saquear. Ele vagou pelo pas com eles, lutando e bebendo o sangue de
suas vtimas.
"Eu estava vivendo alm dos portes da cidade na poca, parcialmente faminto, caando
animais, eu mesmo um animal. Por um longo tempo, eu no escutei nada sobre Damon.
Ento um dia eu ouvi sua voz em minha mente.
"Ele estava mais forte do que eu, porque ele estava bebendo sangue humano. E matando.
Os humanos tm a essncia de vida mais forte, e o sangue deles d poder. E quando eles so
mortos, de algum jeito a essncia de vida que eles do  a mais forte de todos.  como se
naqueles ltimos momentos de terror e luta a alma fica mais vibrante. Porque Damon
matava humanos, ele era capaz de aproveitar-se mais dos Poderes do que eu."
"Que... poderes?" disse Elena. Um pensamento estava crescendo em sua mente.
"Fora, como voc disse, e rapidez. Um aguamento de todos os sentidos, especialmente 
noite. Esses so os bsicos. Ns tambm podemos... sentir mentes. Ns podemos sentir a
presena delas, e as vezes a natureza de seus pensamentos. Ns podemos confundir mentes
mais fracas, tanto para oprim-las como para mold-las ao nosso desejo. H outros. Com
sangue humano suficiente podemos mudar de forma, nos tornarmos animais. E quanto mais
voc mata, mais forte todos os Poderes se tornam."
"A voz do Damon na minha mente era muito forte. Ele disse que era agora o condottieri*
de sua prpria companhia e estava voltando  Florena. Ele disse que se eu estivesse l
quando ele chegasse ele iria me matar. Eu acreditei nele, e fui embora. Eu o vi uma ou duas
vezes desde ento. A ameaa  sempre a mesma, e ele sempre est mais poderoso. Damon
tirou o mximo de proveito de sua natureza, e ele parece gloriar-se em seu lado mais
obscuro."
* condottieri (do italiano"comandante", derivado por sua vez do latim conducere,
"conduzir") eram lderes mercenrios empregados pelas cidades-estado italianas durante a
Idade Mdia (principalmente nos sculos XIV e XV).
"Mas  a minha natureza, tambm. A mesma escurido est dentro de mim. Eu achei que
pudesse domin-la, mas estava errado. Foi por isso que vim para c, para Fell's Church.
Pensei que se me instalasse em uma cidade pequena, bem longe das lembranas antigas, eu
talvez pudesse escapar a escurido. E ao invs disso, hoje  noite, eu matei um homem."
 "No," disse Elena convincentemente. "Eu no acredito nisso, Stefan." A histria dele
tinha enchido-a com horror e pena...e medo, tambm. Ela admitia isso. Mas seu nojo tinha
desaparecido, e havia uma coisa sobre a qual tinha certeza. Stefan no era um assassino. "O
que aconteceu hoje  noite, Stefan? Voc discutiu com o Tanner?"
"Eu... no lembro," ele disse desoladamente. "Eu usei o Poder para persuad-lo a fazer o
que voc queria. Ento eu fui embora. Mas mais tarde eu senti uma tontura e uma fraqueza
se apossarem de mim. E isso aconteceu antes." Ele olhou para ela diretamente. "A ltima
vez que isso aconteceu foi no cemitrio, perto da Igreja, na noite em que Vickie Bennett foi
atacada."
"Mas voc no fez isso. Voc no poderia ter feito isso... Stefan?"
"Eu no sei," ele disse duramente. "Que outra explicao poderia haver? E eu bebi sangue
do velho debaixo da ponte, na noite que vocs garotas fugiram do cemitrio. Eu teria jurado
que no tinha tomado o suficiente para machuc-lo, mas ele quase morreu. E eu estava l
quando ambos Vickie e Tanner foram atacados."
"Mas voc no se lembra de atac-los," disse Elena, aliviada. Aquela idia que esteve
crescendo em sua mente era agora quase uma certeza.
"Que diferena isso faz? Quem mais poderia ter feito isso, se no eu?"
"Damon," disse Elena.
Ele recuou, e ela viu seus ombros se enrijecerem novamente. " um belo pensamento. Eu
esperei de primeira que talvez pudesse ter alguma explicao desse tipo. Que talvez fosse
outra pessoa, algum como o meu irmo. Mas eu procurei com a minha mente e no achei
nada, nenhuma outra presena. A explicao mais simples  que eu sou o assassino."
"No," disse Elena, "voc no entende. Eu no quero simplesmente dizer que algum como
Damon pode ter feito as coisas que vimos. Eu quero dizer que Damon est aqui, em Fell's
Church. Eu o vi."
Stefan simplesmente encarou-a.
"Deve ser ele," Elena disse, tomando um longo flego. "Eu o vi duas vezes j, talvez trs.
Stefan, voc acabou de me contar uma histria longa, e agora eu tenho que lhe contar uma."
To rapida e simplesmente como pode, ela contou  ele sobre o que aconteceu no ginsio, e
na casa de Bonnie. Seus lbios se apertaram em uma linha branca enquanto ela contava 
ele sobre como Damon tentou beij-la. As bochechas dela ficaram quentes a medida que ela
lembrava-se de sua prpria resposta, como ela havia quase cedido  ele. Mas ela contou
tudo  Stefan.
Sobre o corvo, tambm, e todas as outras coisas estranhas que tinham acontecido desde que
ela voltara para casa da Frana.
"E, Stefan, eu acho que Damon estava na Casa Assombrada hoje  noite," ela terminou.
"Logo depois que voc se sentiu tonto na sala principal, algum passou por mim. Ele estava
vestido como  como a Morte, em mantas pretas e um capuz, e eu no consegui ver seu
rosto. Mas algo no jeito como ele se movia era familiar. Era ele, Stefan. Damon estava l."
"Mas isso ainda no explicaria as outras vezes. Vickie e o velho. Eu tomei sangue do
velho." O rosto de Stefan estava tenso, como se ele quase estivesse com medo de ter
esperana.
"Mas voc mesmo disse que no tomou sangue o suficiente para machuc-lo. Stefan, quem
sabe o que aconteceu ao homem depois de voc ter ido embora? No seria a coisa mais fcil
no mundo para Damon atac-lo ento? Especialmente se Damon estivesse te espiando o
tempo todo, talvez em alguma outra forma..."
"Como um corvo," murmurou Stefan.
 "Como um corvo. E quanto  Vickie... Stefan, voc disse que pode confundir mentes mais
fracas, domin-las. No poderia ser isso o que Damon estava fazendo  voc? Dominando a
sua mente do jeito que voc pode dominar a de um humano?"
"Sim, e escondendo sua presena de mim." Havia uma crescente animao na voz de
Stefan. " por isso que ele no respondeu aos meus chamados. Ele queria"
"Ele queria justamente que acontecesse o que aconteceu. Ele queria que voc duvidasse de
si mesmo, pensasse que fosse um assassino. Mas no  verdade, Stefan. Ah, Stefan, voc
sabe disso agora, e voc no tem mais que ter medo." Ela se levantou, sentindo alegria e
alvio correrem por ela. Dessa noite horrorosa, algo maravilhoso tinha vindo.
" por isso que voc esteve to distante de mim, no ?" ela disse, esticando suas mos
para ele. "Porque estava com medo do que poderia fazer. Mas no h mais necessidade
disso."
"No h?" Ele estava respirando rapidamente de novo, e olhou suas mos esticadas como
se fossem duas cobras. "Voc acha que no tem mais razo para se ter medo? Damon pode
ter atacado aquelas pessoas, mas ele no controla meus pensamentos. E voc sabe o que eu
pensei sobre voc."
Elena manteve sua voz estvel. "Voc no quer me machucar," ela disse positivamente.
"No? Houve horas, observando voc em pblico, onde eu mal pude aguentar no toc-la.
Quando eu estivesse to tentado por sua garganta branca, sua pequenina garganta branca
com as fracas veias azuis debaixo da pele..." Os olhos dele estavam fixos no pescoo dela
de um jeito que a lembrava dos olhos de Damon, e ela sentiu seus batimentos cardacos
aumentarem. "Horas quando eu pensei que iria te agarrar e te forar ali mesmo na escola."
"No h necessidade de me forar," disse Elena. Ela pde sentir sua pulsao em todo lugar
agora; em seus pulsos e dentro de seus cotovelos  e em sua garganta. "Eu tomei minha
deciso, Stefan," ela disse suavemente, prendendo os olhos dele.
"Eu quero."
Ele engoliu em seco. "Voc no sabe o que est pedindo."
"Eu acho que sei. Voc me contou como era com a Katherine, Stefan. Eu quero que seja
assim conosco. Eu no quero dizer que quero que voc me transforme. Mas podemos
dividir um pouco sem que isso acontea, no podemos? Eu sei," ela acrescentou, mais
suavemente ainda, "o quanto voc amava Katherine. Mas ela se foi agora, e eu estou aqui. E
eu te amo, Stefan. Eu quero ficar com voc."
"Voc no sabe do que est falando!" Ele estava rgido, seu rosto furioso, seus olhos
angustiados.
"Se eu uma vez perder o controle, o que vai me impedir de transform-la, ou de mat-la? A
apaixo  mais forte do que voc pode imaginar. Voc ainda no entende o que eu sou, o
que eu posso fazer?"
Ela ficou de p l e olhou para ele silenciosamente, seu queixo levantado ligeiramente. Isso
pareceu enfurec-lo.
"Ainda no viu o bastante? Ou tenho que te mostrar mais? No pode imaginar o que eu
posso fazer com voc?" Ele caminhou at a lareira gelada e agarrou um longo pedao de
madeira, mais grosso que os dois pulsos de Elena juntos. Com um movimento, ele
quebrou-o em dois como um palito de fsforo. "Os seus ossos frgeis," ele disse.
Do outro lado do quarto um travesseiro estava na cama; ele o pegou e com um corte de suas
unhas deixou a fronha de seda em tiras. "A sua pele suave." Ento ele se moveu na direo
de Elena com uma rapidez sobrenatural; ele estava l e estava segurando seus ombros antes
que ela soubesse o que estava acontecendo. Ele a assustou por um momento, ento, com um
sibilo selvagem que ergueu os pelinhos na nuca de seu pescoo, afastou seus lbios.
Era o mesmo ranger de dentes que ela tinha visto no telhado, aqueles dentes brancos
expostos, os caninos crescidos em um comprimento e afiadez inacreditveis. Eram as
presas de um predador, de um caador. "Seu pescoo branco," ele disse em uma voz
distorcida.
Elena ficou paralizada por outro instante, olhando naquele semblante assustador como se
estivesse sendo forada, e ento algo profundo em si mesma tomou conta
inconscientemente. Ela esticou suas mos no crculo refreador de seus braos e pegou seu
rosto entre as suas duas mos. As bochechas dele estavam geladas contra as palmas dela.
Ela o segurou dessa jeito, suavemente, to suavemente, como se para reprovar o aperto duro
nos ombros nus dela. E ela viu a confuso lentamente tomar seu rosto, a medida que ele
percebia que ela no estava fazendo isso para lutar contra ele ou para empurr-lo.
Elena esperou at que essa confuso atingisse seus olhos, quebrando sua contemplao,
tornando-se quase um olhar de implorao. Ela sabia que seu prprio rosto estava
destemido, suave mas mesmo assim intenso, seus lbios levemente separados. Ambos
estavam respirando rapidamente agora, juntos, em ritmo. Elena pde sentir quando ele
comeou a chacoalhar, tremendo como quando as lembranas de Katherine tinha se tornado
demais para se suportar. Ento, muito gentilmente e deliberadamente, ela encaminhou
aquela boca raivosa para a sua.
Ele tentou contrapr-se  ela. Mas a gentileza dela era mais forte do que toda a fora
sobre-humana dele. Ela fechou seus olhos e pensou somente em Stefan, no nas coisas
horrendas que ela tinha aprendido hoje  noite mas em Stefan, que tinha acariciado seu
cabelo to levemente como se ela fosse quebrar em suas mos. Ela pensou nisso, e ela
beijou a boca predatora que a havia ameaado alguns minutos atrs.
Ela sentiu a mudana, a transformao em seu boca enquanto ele rendia-se, respondendo
desamparadamente  ela, correspondendo os beijos suaves dela com igual suavidez. Ela
sentiu o tremor passar pelo corpo de Stefan enquanto o aperto duro em seus ombros se
suavizava, tambm, tornando-se um abrao. E ela soube que ganhara.
"Voc nunca ir me machucar," ela sussurrou.
Era como se eles estivessem dando beijos de despedida a todo o medo e desolao e solido
dentro deles. Elena sentiu uma onda de paixo passar por ela como a luz do vero, e ela
pde sentir a paixo replicante em Stefan. Mas infundir todo o resto era uma gentileza
quase assustadora em sua intensidade. No havia necessidade de afobao ou aspereza,
Elena pensou enquanto Stefan gentilmente a direcionou para se sentar.
Gradualmente, os beijos ficaram mais urgentes, e Elena sentiu a luz do vero piscar por
todo o seu corpo, carregando-o, fazendo seu cora Isso a fez se sentir estranhamente suave
e tonta, a fez fechar seus olhos e deixar sua cabea cair em abandono.
Est na hora, Stefan, ela pensou. E, muito gentilmente, ela encaminhou a boca dele para
baixo novamente, dessa vez para sua garganta.
Ela sentiu os lbios dele arranharem sua pele, sentiu o hlito quente e frio dele ao mesmo
tempo. Ento ela sentiu a picada afiada.
Mas a dor se dissipou quase instantaneamente. Foi substituda por uma sensao de prazer
que a fez tremer. Um grande ataque de doura a encheu, fluindo por ela at Stefan.
Por fim ela encontrou a si mesma encarando o rosto dele, um rosto que por fim no tinha
barreiras contra ela, no tinha paredes.
E o olhar que ela viu ali a fez se sentir fraca.
"Voc confia em mim?" ele sussurrou. E quando ela simplesmente concordou, ele capturou
os olhos dela e alcanou algo ao lado da cama. Era a adaga. Ela observou-a sem medo, e
ento fixou seus olhos novamente no rosto dele.
Ele nunca desviou o olhar dela enquanto ele desatava-a e fazia um corte pequeno na base de
seu pescoo. Elena olhou para isso com olhos arregalados, para o sangue to brilhante
quanto um arbusto de bagas, mas quando ele a encorajou a ir em frente eka no tentou
resistir.
Depois ele simplesmente segurou-a por um longo perodo, enquanto os grilos do lado de
fora faziam sua msica. Finalmente, ele se mexeu.
"Eu gostaria que voc ficasse aqui," ele sussurrou. "Eu gostaria que voc pudesse ficar para
sempre. Mas voc no pode."
"Eu sei," ela disse, igualmente silenciosamente. Os olhos deles se encontraram novamente
em uma silenciosa comunho. Havia tanto a se dizer, tantas razes para estarem juntos.
"Amanh," ela disse. Ento, inclinando-se contra o ombro dele, ela sussurrou, "O que quer
que acontea, Stefan, eu estarei com voc. Diga-me que acredita nisso."
A voz dele estava abafada, oculta no cabelo dela. "Ah, Elena, eu acredito nisso. O que quer
que acontea, ns estaremos juntos."




Captulo Quinze
Assim que ele deixou Elena em sua casa, Stefan foi  floresta.
Ele tomou a Estrada Old Creek, dirigindo debaixo das nuvens mal-humoradas  atravs das
quais nenhum pedao do cu podia ser visto, para o lugar onde ele tinha estacionado no
primeiro dia de escola.
Deixando seu carro, ele tentou retraar seus passos exatamente at a clareira onde tinha
visto o corvo. Seus instintos de caador o ajudaram, relembrando o formato desse arbusto e
daquela raiz nodosa, at que ele ficou de p em um lugar aberto envolvido por antigas
rvores de carvalho.
Aqui. Debaixo desse cobertor de folhas marrons-sujas, alguns dos ossos de coelho podem
at mesmo restar.
Tomando um longo flego para se aquietar, para reunir seus Poderes, ele lanou um
pensamento investigador e exigente.
E pela primeira vez desde que viera para Fell's Church, ele sentiu a vibrao de uma
resposta. Mas parecia fraco e vacilante, e ele no pde localiz-lo no espao.
Ele suspirou e se virou -- e parou bruscamente.
Damon estava perante a ele, os braos cruzados sobre o peito, reclinando-se contra a maior
rvore de carvalho. Ele parecia como se pudesse ter estado l por horas.
"Ento," disse Stefan decisivamente, " verdade. Faz muito tempo, irmo."
"No tanto quanto voc acha, irmo." Stefan lembrou-se daquela voz, daquela voz
aveludada e irnica. "Eu fiquei de olho em voc com o passar dos anos," Damon disse
calmamente. Ele deu um peteleco num pedacinho de casca de rvore da manga de sua
jaqueta de couro to casualmente como uma vez arrumara seus punhos bordados com fios
de ouro. "Mas ento, voc no saberia disso, saberia? Ah, no, seus Poderes so to fracos
como sempre."
"Tenha cuidado, Damon," Stefan disse suavemente, perigosamente. "Tenha muito cuidado
hoje  noite. No estou com um humor tolerante."
"St. Stefan est irritadinho? Imagina. Voc est angustiado, presumo, por causa da minha
pequena excurso no seu territrio. Eu s fiz isso porque queria ficar perto de voc. Irmos
deveriam ficar por perto."
"Voc matou hoje  noite. E tentou me fazer pensar que eu tinha feito isso."
"Tem certeza que no fez? Talvez fizemos isso juntos. Cuidado!" ele disse a medida em
que Stefan aproximava-se dele. "Meu humor no est o mais tolerante hoje  noite,
tampouco. Eu s tive um fenecido professorzinho de histria; voc teve uma garota bonita."
A fria dentro de Stefan coalesceu, parecendo se focar em um ponto brilhante em
combusto, como um Sol dentro dele.
"Fique longe da Elena," ele sussurrou com tal ameaa que Damon de fato reclinou sua
cabea ligeiramente para trs. "Fique longe dela, Damon. Eu sei que voc esteve
espiando-a, observando-a. Mas no mais.
Chegue perto dela de novo e ir se arrepender."
"Voc sempre foi egosta. Sua nica falha. No est disposto a dividir nada, est?" De
repente, os lbios de Damon se curvaram um sorriso estranhamente bonito. "Mas
felizmente a adorvel Elena  mais generosa. Ela no te contou sobre nosso romancezinho
ilcito? Ora, na primeira vez que nos conhecemos ela quase se jogou em mim
imediatamente."
"Isso  mentira!"
"Ah, no, querido irmo. Eu nunca minto sobre nada relevante. Ou quero dizer irrelevante?
De qualquer jeito, sua linda donzela quase desmaiou nos meus braos. Eu acho que ela
gosta de homens de preto." A medida em que Stefan encarava-o, tentando controlar sua
respirao, Damon acrescentou, quase gentilmente, "Voc est enganado quanto  ela, sabe.
Voc acha que ela  amvel e dcil, como Katherine. Ela no . Ela no  mesmo o seu
tipo, meu santo irmo. Ela tem um esprito e um fogo nela que voc no saberia o que
fazer."
 "E voc saberia, creio."
Damon descruzou seus braos e lentamente sorriu de novo. "Ah, sim."
Stefan queria pular nele, esmagar aquele lindo e arrogante sorriso, arregaar a garganta de
Damon. Ele disse, em uma voz mal controlada, "Voc est certo sobre uma coisa. Ela 
forte. Forte o bastante para combat-lo. E agora que ela sabe o que voc realmente , ela ir.
Tudo o que ela sente por voc agora  nojo."
As sobrancelhas de Damon se levantaram. "Ela sente, agora? Veremos. Talvez ela ache que
a escurido real  mais do seu gosto que um crepsculo dbil. Eu, pelo menos, posso
admitir a verdade sobre a minha natureza. Mas eu me preocupo com voc, irmozinho.
Voc est parecendo fraco e mal-nutrido. Ela  uma tentao, no ?"
Mate-o, algo na mente de Stefan exigiu. Mate-o, quebre seu pescoo, rasgue sua garganta
em pedaos sangrentos.
Mas ele sabia que Damon tinha se alimentado muito bem hoje  noite. A aura escura de seu
irmo estava inchada, pulsando, quase brilhando com a essncia de vida que ele tinha
tomado.
"Sim, eu bebi profundamente," Damon disse prazerosamente, como se soubesse o que
estava na mente de Stefan. Ele suspirou e correu sua lngua por seus lbios em uma
recordao satisfeita. "Ele era pequeno, mas havia uma quantidade surpreendente de
essncia nele. No era bonito como Elena, e ele certamente no cheirava to bem. Mas 
sempre estimulante sentir o sangue novo cantando dentro de voc." Damon respirou
expansivamente, afastando-se da rvore e olhando ao redor. Stefan lembrou-se daqueles
movimentos graciosos, tambm, cada gesto controlado e preciso. Os sculos tinham
refinado ainda mais o eqilbrio natural de Damon.
"Me faz sentir vontade de fazer isso," disse Damon, movendo-se para uma muda alguns
metros de distncia. Era da metade do tamanho dele, e quando ele a agarrou seus dedos no
se encontaram ao redor do tronco. Mas Stefan viu a respirao rpida e o ondular de
msculos debaixa da fina camisa preta de Damon, e ento a rvore foi dilacerada do cho,
suas razes balanando. Stefan pde sentir o cheiro de umidade pungente da terra
perturbada.
"Eu no gostei dela l de qualquer jeito," disse Damon, e a atirou o mais longe possvel que
as razes ainda-presas permitiram. Ento ele sorriu sedutoramente. "Tambm me faz sentir
vonta de fazer isso."
Houve uma tremulao de movimento, e ento Damon se fora. Stefan olhou ao redor mas
no pde ver sinal algum dele.
"Aqui em cima, irmo." A voz veio de cima, e quando Stefan olhou para cima ele viu
Damon empoleirado entre os galhos estendidos da rvore de carvalho. Houve um farfalhar
de folhas marrons-amareladas, e ele desapareceu de novo.
"Aqui atrs, irmo." Stefan girou com o tapa em seu ombro, somente para ver nada atrs de
si. "Bem aqui, irmo." Ele girou novamente. "No, tente aqui." Furioso, Stefan girou para o
outro lado, tentando capturar Damon. Mas seus dedos seguraram somente ar.
Aqui, Stefan. Dessa vez a voz estava em sua mente, e o Poder dela o chacoalhou at seu
ncleo. Tomava uma fora enorme projetar pensamentos to claros. Lentamente, ele se
virou mais uma vez, para ver Damon de volta em sua posio original, inclinando-se contra
a grande rvore de carvalho.
Mas desse vez o humor naqueles olhos negros tinham se dissipado. Eles eram pretos e
De que outra prova precisa, Stefan? Eu sou mais forte do que voc como voc  mais forte
do que esses humanos patticos. Eu sou mais rpido que voc, tambm, e eu tenho outros
Poderes que voc dificilmente ouvir falar.
Os Poderes Antigos, Stefan. E eu no tenho medo de us-los. Se voc lutar contra mim, eu
os usarei contra voc.
" por isso que voc veio aqui? Para me torturar?"
Eu fui misericordioso com voc, irmo. Muitas vezes eu poderia t-lo matado, mas eu
sempre poupei a sua vida. Mas dessa vez  diferente. Damon afastou-se da rvore
novamente e falou em voz alta.
"Eu estou avisando-o, Stefan, no confronte comigo. No importa porque eu vim aqui. O
que eu quero agora  a Elena. E se voc tentar me impedir de t-la, eu te matarei."
"Voc pode tentar," disse Stefan. O ponto quente de fria dentro dele queimava mais
brilhante do que nunca, derramando seu fulgor como uma galxia inteira de estrelas. Ele
sabia, de algum jeito, que isso ameaava a escurido de Damon.
"Voc acha que eu no posso fazer isso? Voc nunca aprende, no , irmozinho?" Stefan
teve tempo o suficiente de notar a esgotada sacudida de cabea de Damon quando houve
outro borro de movimento e ele sentiu mos fortes o segurarem. Ele estava lutando
instantaneamente, violentamente, tentando com toda sua fora tir-las de cima. Mas elas
eram como mos de ao.
Ele atacou selvagemente, tentando acertar a rea vulnervel debaixo da mandbula de
Damon. No fez bem algum; seus braos foram presos atrs de si, seu corpo imobilizado.
Ele estava desamparo como um pssaro debaixo das garras de um gato mesquinho e
experiente.
Ele ficou frouxo por um instante, fazendo de si mesmo um peso-morto, e ento
repentinamente agitou-se com todos os seus msculos, tentando se libertar, tentando
surpreender. As mos cruis simplesmente o apertaram mais, fazendo seus esforos inteis.
Patticos.
Voc sempre foi teimoso. Talvez isso o convena. Stefan olhou no rosto plido de seu
irmo, plido como as janelas foscas da penso, e naqueles olhos pretos sem fundo. Ento
ele sentiu dedos agarrarem seu cabelo, puxarem sua cabea para trs, exposto sua garganta.
Seus esforos redobraram, tornaram-se frenticos. No se incomode, veio da voz em sua
cabea, e ento ele sentiu a afiada dor rasgante de dentes. Ele sentiu a humilhao e o
desamparo da vtima de um caador, do caado, da presa. E ento a dor do sangue sendo
sugado contra sua vontade.
Ele se recusou a ceder, e a dor ficou pior, uma sensao de como sua alma estivesse
soltando como a muda. Isso o apunhalava como lanas de fogo, concentrando suas
perfuraes em sua carne onde os dentes de Damon tinham se afundado. Agonia queimou
sua mandbula e bochechas e em seu peito e ombros. Ele sentiu uma onda de vertigem e
percebeu que estava perdendo a conscincia.
Ento, abruptamente, as mos soltaram-no e ele caiu no cho, numa cama de folhas de
carvalho midas e mofadas. Arfando por ar, ele dolorosamente ficou de quatro.
"Veja, irmozinho, eu sou mais forte que voc. Forte o bastante para tom-lo, tomar o seu
sangue e a sua vida se assim o desejar. Deixe Elena para mim, ou eu irei."
Stefan olhou para cima. Damon estava de p com a cabea jogado para trs, as pernas
ligeiramente afastadas, como um conquistador colocando seu p no pescoo do
conquistado. Aqueles olhos preto-noite estavam quentes com triunfo, e o sangue de Stefan
estava em seus lbios.
dio encheu Stefan, tanto dio como nunca conhecera antes. Era como se todo o seu dio
anterior por Damon tivess sido uma gota d'gua desse oceano crescente e espumante.
Muitas vezes nos ltimos sculos ele tinha se arrependido do que tinha feito ao irmo,
quando ele desejara com toda sua alma mudar isso. Agora ele somente queria fazer isso de
novo.
 "Elena no  sua," ele persistiu, ficando de p, tentando no mostrar o quanto de esforo
isso lhe custava. "E ela nunca ser." Concentrando-se em cada passo, colocando um p na
frente do outro, ele comeou a se afastar. Seu corpo inteiro doa, e a vergonha que ele sentia
era ainda maior qaue a dor fsica. Havia pedaos de folhas midas e migalhas de terra
aderindo em suas roupas, mas ele no os removeu. Ele lutou para continuar se movendo,
para resistir contra a fraqueza que escapava de seus membros.
Voc nunca aprende, irmo.
Stefan no olhou para trs ou tentou responder. Ele cerrou seus dentes e manteve suas
pernas se movendo. Outro passo. E outro passo. E outro passo.
Se ele pudesse apenas sentar-se por um momento, descansar.
Outro passo, e outro passo. O carro no poderia estar longe agora. Folhas estalavam
debaixo de seus ps, e ento ele ouviu folhas estalarem atrs de si.
Ele tentou se virar rapidamente, mas seus reflexos tinham quase se esgotado. E ento o
movimento afiado foi demais para ele.
Escurido o encheu, encheu seu corpo e sua mente, e ele estava caindo. Ele caiu para
sempre no preto da noite absoluta. E ento, misericordiamente, ele no soube de mais nada.
Captulo Dezesseis

Elena apressou-se para a Robert E. Lee, sentindo como se estivesse longe dela h anos.A
noite passada parecia algo de sua infncia distante, mal lembrada. Mas ela sabia que hoje
haveria conseqncias a se encarar.
Na noite passada ela teve que enfrentar a tia Judith. Sua tia ficara terrivelmente aborrecida
quando os vizinhos contaram-lhe sobre o assassinato, e ainda mais aborrecida que ningum
parecia saber onde Elena estava. Quando Elena chegou em casa quase duas da manh, ela j
estava frnetica com preocupao.
Elena no fora capaz de explicar. Ela somente pde dizer que estivera com Stefan, e que ela
sabia que ele fora acusado, e que ela sabia que ele era inocente. Todo o resto, tudo o mais
que havia acontecido, ela guardou para si mesma. Mesmo que tia Judith tivesse acreditado
naquilo, ela nunca teria entendido.
E essa manh Elena dormira at tarde, e agora estava atrasada. As ruas estavam desertas
exceto por ela, enquanto ela se apressava na direo da escola. Acima, o cu estava cinza e
um vento estava elevando-se. Ela desesperadamente queria ver Stefan. Toda a noite,
enquanto estivera dormindo to pesadamente, ela teve pesadelos com ele.
Um sonho fora especialmente real. Nele ela via o rosto plido de Stefan e seus olhos
raivosos e acusadores. Ele esticou um livro para ela e disse, "Como pode, Elena? Como
pode?" Ento ele derrubou o livro nos ps dela e se afastou. Ela chamou-o, implorando,
mas ele continuou andando at que desapareceu na escurido. Quando ela olhou para o
livro, ela viu que ele estava atado com um veludo azul escuro. Seu dirio.
Um tremor de raiva passou por ela enquanto ela pensava novamente em como o seu dirio
fora roubado. Mas o que o sonhos significava? O que estava em seu dirio que faria Stefan
ficar desse jeito?
Ela no sabia. Tudo o que ela sabia era que precisava v-lo, ouvir sua voz, sentir seus
braos ao redor dela. Ficar longe dele era como ser separada de sua prpria carne.
Ela correu pelos degraus de sua escola para corredores praticamente vazios. Ela se dirigiu
em direo  ala de lnguas estrangeiras, porque ela sabia que a primeira aula de Stefan era
latim. Se ela pudesse simplesmente v-lo por um momento, ela ficaria bem.
Mas ele no estava na aula. Atravs da janelinha na porta, ela viu seu assento vazio. Matt
estava l, e a expresso no seu rosto a fez se sentir mais aterrorizada do que nunca. Ele
ficava olhando para a mesa de Stefan com um olhar de apreenso doentia.
Elena afastou-se da porta mecanicamente. Como um rob, ela subiu as escadas e andou
para sua aula de trigonometria. Enquanto abria a porta, ela viu cada rosto virar em sua
direo, e ela escorregou afobadamente para a mesa vazia ao lado de Meredith.
A Srta. Halpern parou a lio por um momento e olhou para ela, ento continuou.Quando a
professora tinha se virado de volta para o quadro-negro, Elena olhou para Meredith.
Meredith esticou-se para pegar a mo dela. "Voc est bem?" ela sussurrou.
"Eu no sei," disse Elena estupidamente. Ela sentiu como se o prprio ar em volta dela a
estivesse sufocando, como se tivesse um peso esmagador a sua volta. Os dedos de Meredith
pareciam secos e quentes. "Meredith, voc sabe o que aconteceu com Stefan?"
"Voc quer dizer que voc no sabe?" Os olhos negros de Meredith se arregalaram, e Elena
sentiu o peso ficar ainda mais esmagador. Era como estar profundamente, profundamente
debaixo d'gua sem uma roupa de presso.
"Eles no o... prenderam, prenderam?" ela disse, forando as palavras a sairem.
"Elena,  pior do que isso. Ele desapareceu. A polcia foi para a penso mais cedo essa
manh e ele no estava l. Eles vieram  escola, tambm, mas ele no apareceu hoje. Eles
disseram que acharam seu carro abandonado perto da Estrada Old Creek. Elena, eles acham
que ele foi embora, saiu da cidade, porque ele  culpado."
"Isso no  verdade," disse Elena atravs dos dentes cerrados. Ela viu pessoas se virarem e
olharem para ela, mas ela no estava mais ligando. "Ele  inocente!"
"Eu sei que voc pensa que ele , Elena, mas por que outro motivo ele iria embora?"
"Ele no iria. Ele no foi." Algo estava queimando dentro de Elena, um fogo de raiva que
empurrava o medo esmagador. Ela estava respirando alardeantemente. "Ele nunca teria ido
embora por sua prpria vontade."
"Voc quer dizer que algo o forou? Mas quem? Tyler no ousaria"
"O forou, ou algo pior," Elena interrompeu. A turma toda estava encarando-as agora, e a
Srta. Halpern estava abrindo sua boca.Elena levantou-se subitamente, olhando para eles
sem os ver. "Deus o ajude se ele machucou Stefan," ela disse. "Deus o ajude." Ento ela
girou e foi para a porta.
"Elena, volte! Elena!" Ela podia escutar gritos atrs dela, de Meredith e da Srta.
Halpern.Ela continuou a andar, cada vez mais rpido, vendo somente o que estava
diretamente a sua frente, sua mente fixa em uma coisa.
Eles achavam que ela estava indo atrs de Tyler Smallwood. timo. Eles podiam
desperdiar seu tempor correndo na direo errada. Ela sabia o que tinha a fazer.
Ela deixou a escola, mergulhando no ar frio do outono. Ela se moveu rapidamente, pernas
comendo a distncia entre a escola e a Estrada Old Creek. Dali ela se virou na direo da
Ponte Wickery e do cemitrio.
Um vento gelado chicoteou seu cabelo e machucou seu rosto. Folhas de carvalho estavam
voando ao seu redor, girando no ar. Mas o incndio em seu corao era de um calor
abrasador e afastava o frio. Ela sabia agora o que uma fria elevada significava. Ela
caminhou pelas faias roxas e pelos salgueiros chores at o centro do velho cemitrio e
olhou ao redor de si com olhos febris.
Acima, as nuvens estava flutuando junto com um rio cinza-chumbo. Os troncos dos
carvalhos e das faias se chicoteavam selvagemente. Uma rajada de vento jogou punhados
de folhas em seu rosto. Era como se o cemitrio estivesse tentando expuls-la, como se ele
estivesse lhe mostrando os seus poderes, reunindo-se para fazer algo horrvel com ela.
Elena ignorou tudo isso. Ele girou ao redor, seu olhar penetrante procurando entre as
lpides. Ento ela se virou e gritou diretamente para a fria do vento. Somente uma palavra,
mas uma que ela sabia que o traria.
"Damon!"
CRDITOS:
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Bruna Gonalves:
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Juliana Dias: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=2713339427589710285
